Carnaval
Vila Isabel canta Heitor dos Prazeres e transforma sonho africano em samba na Sapucaí
Enredo de 2026 celebra o multiartista da Pequena África, destacando sua influência na história do samba, da pintura e da cultura brasileira.
“Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África” é o enredo que a Unidos Vila Isabel leva à Marquês de Sapucaí em 2026, uma homenagem ao sambista e multi artista Heitor dos Prazeres.
Lino, como era chamado na infância, nasceu e cresceu na região da pequena África, entre a Pedra do Sal e a Praça Onze, frequentando a casa de Tia Ciata, que era sua madrinha.
Lá, onde o samba se organizava e se fortalecia, aprendeu que o tambor também educa, e o menino Lino passou a ser conhecido como “Mano Heitor do Cavaco” e a circular pela cidade.
Junto de Noel Rosa, grande mestre da Vila Isabel, Heitor participou da criação das primeiras escolas de samba e escreveu “Pierrot Apaixonado”, sucesso do carnaval de 1936.
O enredo da agremiação não irá contar apenas a trajetória de Heitor, mas também mostrar como, no compasso do tambor e no traço do pincel, há mais do que espetáculo: há memória e afirmação e, como ele mesmo disse, macumba é samba e o samba é macumba.
Fundada em 1946, a Unidos de Vila Isabel tem como cores o azul e o branco, e traz para o carnaval de 2026 os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que tiveram uma passagem marcante pela Grande Rio.
A bateria “swingueira de Noel” segue sob o comando do mestre Macaco Branco e o intérprete Tinga continua na escola comandando os microfones da escola.
Gabriel Haddad e Leonardo Bora, dupla conhecida como Bora Haddad, marcada pela ousadia e pela inovação, estreiam na Vila em 2026, e contaram para a Super Rádio Tupi o que prepararam para o desfile.
“A primeira grande mensagem do enredo é a valorização do reposicionamento de uma figura como Heitor dos Prazeres […] recebeu alguns rótulos que não cabem a ele, que não dão conta da profundidade da obra dele, naif, primitivo, categorias ligadas ao racismo histórico no Brasil, categorias que não compreendem as profundidades do trabalho desse artista.” explicou Leonardo Bora, que afirmou que o desfile da Vila pretende mostrar Heitor como um dos maiores artistas da história da arte brasileira, alguém cuja trajetória se confunde com a própria trajetória do samba.
Já Gabriel Haddad detalhou a proposta visual que foi pensada para o desfile, dizendo que as alegorias dos carros terão materiais diferentes, uma abertura mais brilhante que vai decaindo a partir do terceiro carro.
“A gente vai variando formas de pintura diferentes, a pintura do abre-alas é diferente da pintura do carro dois, é diferente da pintura do carro três, a maneira de se pensar nas esculturas dos quadros de Heitor dos Prazeres. Como que a gente vai materializar isso em 3D, a gente vai tirar dos quadros e levar para a avenida”
Heitor dizia que sonhava em suas pinturas, coisa que a Vila Isabel pretende traduzir em canto, mostrando esse universo criado por um sambista que sonhou a África.
A Unidos de Vila Isabel vai ser a segunda escola a se apresentar na última noite de desfiles do grupo especial na terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro.
Com três títulos da primeira divisão, sua última conquista foi em 2013, com o enredo sobre agricultura, assinado por Rosa Magalhães.