No interior da Floresta Amazônica, uma árvore chama a atenção por um comportamento incomum que surpreende quem passa por perto. Em determinado estágio de maturação, seus frutos produzem um estrondo repentino, parecido com o de um pequeno rojão, antes de se abrirem de forma repentina e arremessarem sementes a grandes distâncias.
A responsável por esse fenômeno é o assacu (Hura crepitans), espécie típica das florestas tropicais da América do Sul e conhecida por apresentar um dos mecanismos de dispersão de sementes mais eficientes do reino vegetal. Esse processo, chamado de "deiscência explosiva", acontece quando a cápsula do fruto perde umidade, acumula tensão interna e se rompe de maneira brusca.
Crédito: Wikimedia Commons/David J. StangA energia armazenada impulsiona cada semente para longe da árvore, reduzindo a competição por água, luz e nutrientes entre a planta adulta e suas futuras mudas. Segundo a Embrapa Amazônia Oriental, esse lançamento pode alcançar cerca de 45 metros, enquanto pesquisas internacionais indicam velocidades próximas de 70 metros por segundo, o equivalente a aproximadamente 250 km/h!
Crédito: Reprodução/YouTube Wild EarthO assacu ocorre naturalmente em áreas de várzea, igapós e matas ciliares dos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima. Além do curioso sistema de reprodução, a espécie impressiona pelo porte, que pode chegar a 40 metros de altura, e pelo tronco coberto por espinhos cônicos, característica que lhe rendeu apelidos como "árvore-do-diabo".
Crédito: Wikimedia Commons/David J. StangA defesa da planta também inclui a produção de um látex branco tóxico, capaz de provocar irritações intensas na pele, nos olhos e nas mucosas, além de náuseas e outros sintomas em caso de contato ou ingestão. As sementes cruas também apresentam substâncias tóxicas e não devem ser consumidas.
Crédito: Reprodução/YouTube Wild EarthApesar desse potencial nocivo, o assacu desperta grande interesse científico. Estudos identificaram em seu látex, na casca e nas sementes compostos bioativos com propriedades antioxidantes, antimicrobianas, antiparasitárias, anti-inflamatórias e antitumorais, além de possíveis aplicações no tratamento do diabetes.
Crédito: Reprodução/YouTube Wild EarthInvestigações laboratoriais identificaram substâncias como na casca e nos grãos da planta que revelam potenciais propriedades antioxidantes, antitumorais e antiparasitárias. No entanto, todas essas pesquisas permanecem em fase experimental, e ainda não existem evidências suficientes que permitam seu uso terapêutico em seres humanos.
Crédito: jojimenezb/iNaturalistMesmo sendo perigosa para humanos e outros animais, a árvore desempenha um importante papel ecológico. Ela contribui para a manutenção das florestas tropicais, oferece abrigo para diferentes organismos e seu eficiente sistema de dispersão ajuda a colonizar novas áreas da mata.
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