No fundo do Oceano Pacífico, na costa do Canadá, pesquisadores identificaram um dos maiores berçários naturais de raias já registrados. O local fica no complexo vulcânico Tuzo Wilson, onde a combinação de atividade hidrotermal, corais e formações rochosas cria condições favoráveis para o desenvolvimento de milhões de embriões.
As estimativas apontam que a área abriga mais de 2,1 milhões de cápsulas de ovos, número que pode ser ainda maior, já que parte das regiões mais profundas não entrou nos cálculos. A maioria dos ovos pertence à raia-branca-do-Pacífico (Bathyraja spinosissima), espécie adaptada às grandes profundidades oceânicas.
Crédito: Imagem gerada por IADiferentemente dos ovos das aves, os embriões dessas raias permanecem protegidos por cápsulas resistentes, ricas em colágeno, conhecidas popularmente como "bolsas de sereia". Quando recém-formadas, elas apresentam coloração amarelada, mas escurecem com o passar do tempo devido ao acúmulo de sedimentos e à colonização por pequenos organismos marinhos.
Crédito: Wikimedia Commons/Peter SouthwoodCientistas acreditam que as fontes hidrotermais exercem papel essencial no desenvolvimento dos embriões, pois aquecem a água ao redor das cápsulas e reduzem o longo período de incubação, que pode ultrapassar quatro anos em águas frias.
Crédito: Imagem gerada por IAEstudos anteriores nas Ilhas Galápagos já haviam demonstrado que a maior parte dos ovos dessa espécie (89%) se concentra próxima às áreas de maior temperatura no fundo do mar. Outro fator importante é a presença de corais vivos e rochas expostas às correntes marinhas, que oferecem sustentação às cápsulas e favorecem a circulação de água rica em oxigênio.
Crédito: Pexels/Francesco UngaroPesquisas realizadas em montes submarinos próximos à Tasmânia também revelaram preferência semelhante, reforçando a importância desses habitats para a reprodução das raias. Para estimar o tamanho do berçário canadense, os cientistas analisaram milhares de fotografias captadas por veículos submarinos operados remotamente entre 2021 e 2024.
Crédito: Wikimedia Commons/Olivier DugornayApós calcular a densidade média de 5.566 cápsulas (cerca de 2,58 por metro quadrado), os pesquisadores extrapolaram os dados para toda a área estudada (aproximadamente 824 mil metros quadrados), chegando ao impressionante total de mais de 2,1 milhões de ovos.
Crédito: Imagem gerada por IAA descoberta modifica o entendimento dos cientistas sobre a reprodução em ambientes extremos, já que esse tipo de comportamento era raramente registrado nos oceanos. O achado também indica que outros vulcões submarinos podem abrigar áreas semelhantes, o que amplia as perspectivas para novas pesquisas sobre a vida nas grandes profundidades.
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