Deserto do Atacama, um dos lugares mais secos do planeta, fica coberto de neve após tempestades no Chile

O Deserto do Atacama, localizado no norte do Chile, sofreu uma transformação impressionante em agosto, quando duas tempestades sucessivas levaram neve a uma das áreas mais secas do planeta. O fenômeno ganhou destaque porque a cobertura branca não ficou restrita às regiões próximas aos Andes: ela avançou pelo interior do deserto e chegou a pontos próximos ao Oceano Pacífico.

Crédito: Lauren Dauphin/NASA Earth Observatory

Registros dos satélites Landsat 8 e Landsat 9, da Nasa e do USGS, revelaram a mudança na paisagem antes e depois das tempestades. O episódio também afetou o planalto de Chajnantor, onde está instalado o ALMA, um dos principais complexos de observação astronômica do mundo.

Crédito: Divulgação/NASA

Por causa da neve e dos ventos fortes, o observatório interrompeu temporariamente as atividades e colocou suas antenas em uma configuração de proteção. Uma imagem obtida pelo satélite Terra em 19 de agosto mostrou a dimensão da massa de neve, que se espalhou dos Andes em direção ao litoral, ao sul de Antofagasta.

Crédito: Observatório da Terra da Nasa/Lauren Dauphin

Outros observatórios da região também precisaram suspender as operações diante das condições adversas. Na segunda metade do mês, uma nova tempestade provocou outra onda de neve e atingiu uma área ainda mais extensa.

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De acordo com o cientista atmosférico René Garreaud, da Universidade do Chile, episódios desse tipo costumam estar ligados a sistemas de baixa pressão que se "soltam da corrente de jato" e avançam sobre o território do norte chileno. A umidade vinda do litoral, combinada à perturbação atmosférica, favoreceu a ocorrência de precipitação desde o mar até os Andes, passando pelo centro do Atacama.

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A intensidade do episódio foi especialmente significativa para uma região que apresenta índices de chuva extremamente baixos. Em Taltal, por exemplo, quase 40 milímetros de chuva caíram em apenas três dias, quantidade equivalente a cerca de dez vezes a média para um ano inteiro.

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O excesso de água provocou deslizamentos e inundações repentinas em diferentes áreas do norte do Chile, com milhares de pessoas afetadas e centenas de imóveis danificados, segundo o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred). Para Garreaud, o inverno excepcionalmente úmido também tem relação com o fortalecimento do El Niño, que altera a circulação atmosférica sobre o Pacífico.

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Essas alterações modificam o caminho habitual dos sistemas de tempestade e podem favorecer a chegada de umidade ao centro-norte chileno. Embora episódios de neve já tenham ocorrido no Atacama em 2025 e 2011, a extensão alcançada pelas tempestades de agosto de 2026 colocou o fenômeno entre os eventos mais incomuns registrados recentemente no deserto.

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