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Por que algumas árvores florescem justamente quando o clima está seco

As flores surgem quando as folhas já caíram

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Por que algumas árvores florescem justamente quando o clima está seco
Florescimento na seca é uma estratégia adaptativa de algumas espécies arbóreas

Em diversas regiões do Brasil, moradores se surpreendem ao notar que algumas árvores florescem justamente quando quase todas as plantas parecem sofrer com a falta de chuva. Em meio a gramados ressecados e folhas caídas, copas cheias de flores coloridas chamam a atenção e levantam dúvidas sobre o comportamento da vegetação, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e alterações no regime de chuvas.

Por que algumas árvores florescem justamente na seca?

Algumas espécies aproveitam a estação seca para florescer porque encontram nesse período condições mais favoráveis para a polinização e a dispersão de sementes. Com menos folhas na copa, as flores ficam mais expostas, facilitando o acesso de insetos, aves e, em alguns casos, do vento, que transportam o pólen entre as árvores com mais eficiência.

O céu mais aberto e a ausência de chuvas intensas ajudam a preservar as flores por mais tempo, evitando que o pólen seja lavado ou que pétalas sejam danificadas. Em um ambiente seco e com menor presença de vegetação verdejante, uma árvore totalmente florida também se destaca na paisagem, atraindo polinizadores que conseguem localizar a fonte de néctar e pólen com maior facilidade.

Por que algumas árvores florescem justamente quando o clima está seco
Tem árvore que escolhe o período seco para florescer – Créditos: depositphotos.com / AngelaMacario

Como a seca favorece a reprodução e o ciclo de vida dessas árvores?

A estiagem não apenas permite a floração, como interfere diretamente em cada etapa do ciclo reprodutivo dessas espécies. Em períodos secos, o ar tende a ser mais estável, o que favorece a dispersão de pólen e sementes pelo vento e reduz o risco de danos às flores mais sensíveis, que poderiam ser arrancadas ou encharcadas por chuvas fortes.

A relação entre seca e reprodução pode ser organizada em etapas sucessivas, que ajudam a entender como essas árvores sincronizam seu ciclo de vida com o clima. Observe como o processo costuma ocorrer ao longo da estação seca e da transição para o período chuvoso:

  1. Queda de folhas: ocorre antes ou no início da seca, preparando a árvore para economizar água.
  2. Floração intensa: concentra-se em poucas semanas, quando as copas ficam cobertas por flores.
  3. Atividade de polinizadores: insetos e aves encontram nas flores importante fonte de alimento.
  4. Formação de frutos: acontece após a polinização, usando as reservas acumuladas pela planta.
  5. Dispersão de sementes: geralmente ocorre ainda na seca ou no início das chuvas.

Qual é o papel do ipê-amarelo como símbolo da floração na estiagem?

Entre as espécies que mais chamam atenção na seca, o ipê-amarelo (Handroanthus albus) é uma das mais marcantes em cidades, áreas rurais e biomas como cerrado e mata atlântica. Essa árvore costuma perder grande parte das folhas antes de iniciar a floração, deixando a copa quase desnuda e, em seguida, coberta por cachos densos de flores amarelas intensas, visíveis à distância.

Durante o período chuvoso, o ipê-amarelo cresce, produz folhas e acumula reservas em raízes e tronco, em um verdadeiro “planejamento” para a seca. Quando a chuva diminui e a umidade do ar cai, a árvore reduz a área foliar para diminuir a perda de água, economizando recursos e direcionando energia para a floração e posterior formação de frutos e sementes, muitas vezes dispersas pelo vento em cápsulas secas.

Algumas árvores florescem mesmo em períodos de seca, contrariando o que muita gente imagina. Neste vídeo do canal 1000 DICAS DE JARDINAGEM, que reúne mais de 521 milhões de inscritos e soma cerca de 57 mil visualizações, você entende por que isso acontece:

Quais adaptações permitem a floração mesmo com pouca água?

Para que árvores como o ipê-amarelo floresçam em épocas de baixa disponibilidade de água, elas contam com adaptações estruturais e fisiológicas. Raízes profundas alcançam camadas úmidas do solo, enquanto troncos e raízes funcionam como reservatórios internos de água e nutrientes, utilizados justamente quando o ambiente externo se torna mais hostil e o solo superficial está ressecado.

A queda de folhas, comum antes da floração, também é um mecanismo eficiente de economia hídrica, pois reduz a transpiração e preserva a água nos tecidos. Entre as principais adaptações que explicam esse comportamento em períodos de estiagem, destacam-se:

  • Raízes profundas: alcançam água em camadas mais baixas do solo, mesmo em longas secas.
  • Armazenamento de reservas: troncos e raízes guardam água e nutrientes para uso posterior.
  • Queda de folhas: diminui a perda de água pela transpiração e reduz o gasto energético.
  • Floração concentrada: maximiza o contato com polinizadores em curto período de tempo.

Por que essa floração na seca é importante para o ecossistema e para as cidades?

A floração em períodos de seca, vista em árvores como o ipê-amarelo, é uma curiosidade da natureza que cumpre papel ecológico relevante. Em fases do ano com menor oferta de néctar e pólen, essas árvores funcionam como fonte crucial de alimento para abelhas, beija-flores e outros polinizadores, mantendo a atividade desses animais e contribuindo indiretamente para a reprodução de diversas outras plantas ao redor.

Em áreas urbanas, o fenômeno destaca a presença de árvores nativas e reforça a importância de preservar e plantar espécies adaptadas ao clima local. A observação de ipês e outras árvores que florescem na seca aproxima a população dos ciclos naturais, mostrando que mesmo em meio à estiagem a paisagem revela sinais de renovação, continuidade dos processos ecológicos e resiliência da vegetação frente às mudanças climáticas.