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Cultura

André Luiz Miranda vive protagonista em Dona Beja e reflete sobre remakes, memória e carreira

Ator fala sobre Dona Beja, primeira novela de época da HBO Max, a reprise de Terra Nostra e os caminhos de uma trajetória construída desde a infância

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Ator André Luiz Miranda. Foto: Ali Karakas / HBO Max

André Luiz Miranda vive um dos protagonistas de Dona Beja, primeira novela de época da HBO Max, que estreou no dia 2 de fevereiro. Na trama, o ator interpreta João Carneiro de Mendonça, um advogado envolvido em conflitos afetivos e morais ao longo da história. Protagonizada também por Grazi Massafera e David Júnior, a produção terá episódios inéditos disponíveis até 23 de março no streaming.

A chegada de Dona Beja ao catálogo da HBO Max marca um novo momento na trajetória de André, que passa a ocupar um lugar simbólico entre passado e presente da teledramaturgia brasileira. Enquanto assume um papel central em uma releitura pensada para o streaming, o ator também se vê novamente em Terra Nostra, atualmente em reprise na TV Globo, criando um diálogo direto entre diferentes tempos da sua carreira.

Dona Beja e o diálogo entre passado e presente

Para André, revisitar obras do passado vai além da nostalgia. “As reprises permitem entender como a sociedade pensava naquela época”, reflete. Já os remakes e releituras, segundo ele, cumprem outra função. “Eles possibilitam contextualizar essas histórias à luz do presente, com a informação que a gente tem hoje.” Para o ator, esse movimento também carrega um potencial crítico. “É uma forma de refletir e até desconstruir pensamentos que ficaram no passado.”

Ator André Luiz Miranda. Fotos: Marcio Farias / Divulgação

É nesse cruzamento entre tempos que Dona Beja ganha peso simbólico. Mais do que um papel de destaque, a novela representa o resultado de uma trajetória iniciada ainda na infância. “É o resultado de muito esforço daquele garotinho de oito anos, lá de Bom Sucesso, indo para a agência com a mãe, estudando texto.” Ao protagonizar uma novela de época ao lado de outro ator preto, David Júnior, André enxerga a ampliação de possibilidades dentro do audiovisual. “Se lá atrás eu permiti que crianças pretas sonhassem, agora eu abro outra porta: a do protagonismo preto, dos galãs pretos.”

Sem entrar em spoilers, André adianta que João Carneiro de Mendonça enfrentará conflitos intensos, especialmente nas relações afetivas. Nos bastidores, o desafio também foi técnico. “Como a obra é fechada, a gente grava fases muito diferentes. Teve dia em que gravei duas fases no mesmo dia, com quase 20 anos de diferença entre elas. Corpo, voz, olhar… tudo muda.”

Memória, representatividade e continuidade da carreira

O olhar para o passado se aprofunda quando André se vê novamente como Tiziu, personagem de Terra Nostra que marcou sua infância e a memória do público. Foi a reação das pessoas à reprise que o levou a escrever um texto nas redes sociais. “As pessoas vieram até mim contando como o Tiziu abriu portas, como permitiu que elas sonhassem com o audiovisual”, conta. À época, ele não tinha consciência do impacto do papel. “Eu era muito novo. Estava trabalhando, me divertindo. Não tinha noção de que era uma das primeiras crianças pretas em um papel tão central numa novela desse porte.”

Hoje, a compreensão vem acompanhada de gratidão e responsabilidade. “Entender esse impacto e poder ser referência para toda uma geração é algo muito bonito”, diz.

Celebrando 28 anos de carreira, André Luiz Miranda vive um momento especialmente produtivo. Além de Dona Beja, ele estreia em março em A Nobreza do Amor, próxima novela das seis da TV Globo, integra o elenco da série Veronika, do Globoplay e participa da segunda temporada de Galera FC, na HBO Max. Ainda assim, mantém um olhar realista sobre a profissão. “Essa carreira é feita de muitos altos e baixos. Nada é definitivo.”

Para seguir fazendo arte com verdade, André volta sempre ao essencial. “Cuidar da energia, manter a essência e respeitar o processo.” Para ele, a arte só acontece quando nasce de dentro. “Ela é um reflexo da subjetividade humana.”