Depressão e ansiedade: o que pode funcionar além dos remédios?  - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Saúde

Depressão e ansiedade: o que pode funcionar além dos remédios? 

Abordagens terapêuticas e mudanças no estilo de vida podem auxiliar no tratamento dos transtornos mais comuns da atualidade

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Hábitos saudáveis podem fortalecer o tratamento de transtornos emocionais (Imagem: maxbelchenko | Shutterstock)

Apesar dos avanços da medicina e do maior acesso à informação, transtornos como depressão e ansiedade continuam afetando milhões de brasileiros em todas as idades e contextos. Embora o tratamento medicamentoso seja, em muitos casos, essencial, há outros caminhos que podem complementar e até potencializar os efeitos dos remédios, trazendo alívio emocional e mais qualidade de vida.

Para a coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra, Elisângela Ribeiro, é fundamental enxergar o cuidado com a saúde mental de forma ampla. “A medicação pode ser uma aliada importante, mas não deve ser a única via. O acompanhamento psicológico, a construção de vínculos saudáveis, a atividade física, a alimentação equilibrada e a conexão com propósitos pessoais também são peças-chave no processo de recuperação”, explica.

Ainda há quem busque ajuda psicológica apenas em momentos críticos, o que, segundo a especialista, revela a falta de cultura preventiva na saúde mental. “Psicoterapia não é só para quem está em crise. A prática ajuda a entender padrões de pensamento, desenvolver estratégias de enfrentamento e fortalecer a autoestima, o que pode prevenir recaídas e melhorar o bem-estar geral”, afirma.

Jovem com o cabelo preso, usando camisa de manga longa bege e calça jeans sentada em frente a cavalete com tela em branco com um pincel na mão e a o fundo é possível ver diversos quadros
Hobbies e atividades prazerosas ajudam a estimular emoções positivas e podem contribuir para o bem-estar emocional (Imagem: Odua Images | Shutterstock)

O que pode funcionar além dos remédios?

Segundo Elisângela Ribeiro, algumas estratégias podem complementar o tratamento medicamentoso contra a depressão e a ansiedade, potencializando os resultados:

  1. Psicoterapia regular: ajuda a identificar padrões de pensamento, desenvolver estratégias de enfrentamento e fortalecer a autoestima, além de prevenir recaídas;
  2. Atividade física frequente: exercícios estimulam a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, que contribuem para a melhora do humor e redução da ansiedade;
  3. Sono de qualidade: manter uma rotina de descanso adequada impacta diretamente o equilíbrio emocional e a regulação do estresse;
  4. Alimentação equilibrada: uma dieta balanceada auxilia no funcionamento do organismo como um todo, incluindo a saúde mental;
  5. Rede de apoio e vínculos saudáveis: manter relações afetivas positivas, participar de atividades coletivas ou desenvolver hobbies pode reduzir a sensação de isolamento e aumentar o sentimento de pertencimento;
  6. Lazer: atividades de lazer ajudam a ensinar o cérebro a sentir prazer, algo que muitas vezes é afetado pela depressão, contribuindo para o bem-estar emocional e a recuperação gradual do interesse pelas atividades do dia a dia.

“Essas práticas não substituem o tratamento profissional, mas podem ser grandes aliadas no processo”, ressalta a psicóloga.

O papel da rede de apoio na saúde mental

Outro fator que muitas vezes passa despercebido é a importância do vínculo afetivo e do sentimento de pertencimento. Relacionamentos saudáveis, a participação em atividades coletivas, o voluntariado ou mesmo um hobby com valor emocional ajudam a reduzir a sensação de isolamento e aumentar a motivação. “Ter uma rede de apoio pode ser tão importante quanto qualquer tratamento, principalmente nos momentos de maior vulnerabilidade emocional”, pontua a professora.

Quando procurar ajuda

Elisângela Ribeiro reforça que a busca por ajuda profissional deve acontecer sempre que a tristeza, o medo, o cansaço ou a irritabilidade começarem a prejudicar a rotina, o trabalho, o sono ou as relações pessoais. “O primeiro passo é o mais difícil, mas também o mais importante. E lembrar que há diferentes caminhos de cuidado pode tornar esse processo mais leve e acessível”, finaliza. 

Por Priscila Dezidério