Rio
Esposa de morador morto nos Prazeres culpa PM pelo disparo: “Vou onde for para provar”
Família de Leandro da Silva Souza acusa PM de matar morador refém; polícia nega
Um morador chamado Leandro da Silva Souza, de 30 anos, foi morto durante a operação policial realizada nesta quarta-feira (18) no Morro dos Prazeres, no Centro do Rio. Ele estava sendo mantido como refém dentro da própria casa, junto com a esposa, quando levou um tiro na cabeça e morreu no local.
Segundo Roberta Ferro Hipólito, esposa de Leandro, tudo começou por volta das 7h40, quando três homens armados invadiram o quarto do casal pela janela. “Falaram: tia, fica quieta que a gente não vai reagir. Se a polícia entrar aqui, a gente vai se entregar”, contou ela. Quando a PM chegou e ordenou que saíssem, ninguém respondeu. Os policiais jogaram uma granada na porta. Leandro gritou que havia moradores no local, mas o tiro veio em seguida. “Quando eu vi o tiro, me deparei com um pedaço da cabeça do meu marido estava em cima de mim”, disse Roberta.
PM e família divergem sobre origem do disparo
A versão da esposa é direta: o tiro partiu de um policial militar. Roberta contestou a explicação dada pelos agentes no local. “O policial falou pra mim: quem matou seu marido foi o bandido que estava na janela. Mas como que ele sabia que o bandido estava na janela se só tava eu, meu marido e os quatro bandidos?”, questionou. A atendente comercial afirmou que vai “aonde for para provar que a polícia matou um morador inocente” e ressaltou que o marido trabalhava oito horas por dia.

A corporação apresentou uma versão diferente: “Eles invadiram uma residência do senhor Leandro e numa ação covarde colocaram o casal como refém e, quando entramos, houve uma negociação. Quando tentávamos uma negociação, houve um disparo de dentro e ele foi baleado na cabeça, e nosso policias reagiram. Tiraram a esposa em estado de choque“, afirmou o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, em entrevista coletiva no início da tarde.
Líder do tráfico morto na ação
Sete homens identificados pela PM como traficantes morreram na operação. Entre eles estava Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, de 55 anos, apontado como chefe do Comando Vermelho na região. Após a operação, criminosos incendiaram ônibus e bloquearam vias no Rio Comprido. Pelo menos quatro suspeitos foram presos, segundo o coronel Menezes.

Jiló acumulava 135 passagens pela polícia e tinha oito mandados de prisão em aberto, conforme o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. As acusações incluíam homicídio, sequestro, cárcere privado, tráfico de drogas e constrangimento ilegal. Há registros da atuação dele no crime desde pelo menos os anos 1990.
