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O impacto silencioso do celular que compromete a qualidade do sono e o seu desempenho
Uso de telas à noite pode reduzir a produção de melatonina
Todo mundo conhece alguém que jura que “relaxa” rolando o feed do celular antes de dormir, mas essa rotina aparentemente inocente interfere diretamente na forma como o corpo entende que é hora de descansar, afetando hormônios, o relógio biológico e, principalmente, a ação da luz azul emitida pelos aparelhos digitais.
Como o corpo regula o sono ao longo das 24 horas
O organismo segue um ritmo bem definido ao longo das 24 horas, conhecido como ritmo circadiano. Esse sistema atua como um relógio interno, regulando sono, apetite, temperatura corporal e liberação de hormônios, como cortisol e melatonina.
A região do cérebro que comanda esse processo é o núcleo supraquiasmático, no hipotálamo, que recebe informações da luz do ambiente. Assim, ele decide se é hora de ficar alerta ou de desacelerar, coordenando o funcionamento do corpo entre dia e noite.

Como a melatonina prepara o corpo para dormir
Durante o dia, a luz natural sinaliza para o cérebro reduzir a produção de melatonina, hormônio ligado ao sono. Quando o sol vai se pondo e o ambiente escurece, o corpo entende que é o momento de iniciar o processo de descanso.
Nessa fase, a glândula pineal aumenta a liberação de melatonina, surgem os primeiros sinais de sonolência e o organismo entra em “modo noturno”. Esse ciclo claro-escuro também influencia o sistema imunológico e a forma como o corpo organiza a energia ao longo do dia.
Quais são as principais consequências de usar o celular antes de dormir
Quando o hábito de usar o celular à noite se torna rotina, o efeito não fica restrito ao horário de dormir. A soma de noites mal dormidas afeta tanto a saúde mental quanto a saúde física, comprometendo memória, atenção e equilíbrio emocional.
Entre as possíveis consequências do uso excessivo de telas no período noturno, algumas se destacam pela frequência com que aparecem em estudos recentes e pela intensidade com que afetam o dia a dia:
- Dificuldade para pegar no sono, mesmo estando cansado.
- Redução da qualidade do sono profundo, fase essencial para a recuperação física.
- Queda de desempenho cognitivo, com mais lapsos de memória e dificuldade de foco.
- Aumento do risco de alterações de humor, como irritabilidade e maior vulnerabilidade a transtornos psiquiátricos.
- Desregulação do ritmo circadiano, com sono atrasado e dificuldade para acordar nos horários necessários.
Confira a publicação do Neurociência Descomplicada, no YouTube, com a mensagem “O problema de usar celular à noite”, destacando Impactos do uso noturno na saúde, Abordagem científica sobre hábitos e sono e o foco em Conscientizar e melhorar a qualidade de vida:
Filtros de luz azul realmente resolvem o problema do sono
Com a popularização de funções como “night shift” ou “modo noturno”, muita gente passou a acreditar que bastaria ativar o filtro de luz azul para usar o celular à vontade antes de dormir. Esses recursos alteram as cores na tela, deixando tudo mais amarelado e reduzindo parte da emissão de luz azul.
Pesquisas recentes, porém, indicam que essa estratégia apenas diminui o impacto, sem eliminar a interferência na produção de melatonina. Mesmo com filtro ativado e brilho mais baixo, a tela continua emitindo luz intensa perto do rosto, o que ainda é suficiente para suprimir a melatonina e empurrar o sono para mais tarde.