Rio
Ex-PM é condenado a 32 anos por morte do bicheiro Fernando Iggnácio; 5 réus ainda respondem
Rodrigo Silva das Neves é condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pela morte de Fernando Iggnácio
Rodrigo Silva das Neves, ex-policial militar preso desde 2021, foi condenado nesta sexta-feira (10) a 32 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão por homicídio triplamente qualificado pela morte do bicheiro Fernando Iggnácio, executado a tiros de fuzil no Recreio dos Bandeirantes em novembro de 2020. A sentença foi anunciada por volta das 18h. A defesa disse que vai recorrer.
Para a acusação, as provas contra o ex-PM eram sólidas: ele estava no local do crime, cedeu o carro usado na execução e guardava as armas do assassinato em seu apartamento. Os investigadores ainda encontraram um diário no qual ele lamentava o dia em que as armas foram descobertas. Durante os debates, o MP destacou o poder de bicheiros e contraventores de ordenar mortes com apoio de agentes do Estado.
Outros réus ainda aguardam julgamento
A condenação de Rodrigo é parte de um caso mais amplo. Outros cinco réus respondem em três processos distintos pelo crime. Pedro e Otto, irmãos ex-PMs que seriam julgados junto com Rodrigo, precisarão de novo júri após destituírem o advogado.
Pedro teria mapeado a rotina da vítima e estudado outros assassinatos para garantir que a ação não tivesse falhas. Fugiu para o Paraguai e foi capturado em janeiro de 2025 com documentos falsos. Otto, ex-soldado da PM de SP, foi preso no Paraná em 2023 e é apontado como um dos executores diretos. No celular dele, investigadores encontraram uma foto do corpo da vítima logo após a execução.

Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e apontado como mandante do crime, responde em processo separado ao lado de Gilmar Eneas Lisboa, acusado de monitorar Iggnácio em Angra dos Reis por pelo menos oito meses antes do assassinato. Rogério foi preso em outubro de 2024 após o MP reunir mensagens criptografadas nas quais ele teria ordenado a morte de Iggnácio, chamado por ele de “Cabeludo”. O STF negou pedidos de soltura, e ele segue preso no Presídio Federal de Campo Grande.
Márcio Araújo de Souza, chefe de segurança de Rogério e acusado de contratar os executores, tem processo desmembrado sem data de júri. Ele e Rogério se comunicavam pelo aplicativo Wickr para repassar instruções sobre a vigilância da vítima. Fernando Iggnácio foi morto em 10 de novembro de 2020 no heliponto do Recreio dos Bandeirantes. Ele tinha chegado de helicóptero vindo de Angra dos Reis e foi baleado com fuzil calibre 556 ao caminhar até o carro.