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Saúde

Veja a relação entre pancreatite, emagrecimento rápido e remédios para perder de peso

Doença tem se tornado comum entre pessoas que utilizam canetas emagrecedoras, exigindo cuidado e acompanhamento médico

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A pancreatite é uma doença que causa a inflamação do pâncreas e pode variar de quadros leves a graves (Imagem: brizmaker | Shutterstock)

A busca por resultados rápidos na balança tem acendido um sinal de alerta entre especialistas de saúde. Isso porque estratégias de emagrecimento acelerado, principalmente quando associadas ao uso de medicamentos sem acompanhamento adequado, podem desencadear efeitos colaterais importantes no organismo, incluindo o aumento do risco de pancreatite, inflamação que pode evoluir de forma grave se não for tratada corretamente.

De acordo com o nutrólogo Dr. Joaquim Menezes, sócio do Instituto Evollution de Alphaville, o emagrecimento rápido provoca alterações metabólicas importantes, especialmente no sistema biliar. “Quando a perda de peso ocorre de forma abrupta, há maior liberação de colesterol pela bile, o que favorece a formação de cálculos biliares, uma das principais causas de pancreatite aguda”, explica.

Além disso, dietas muito restritivas ou perda de peso acelerada aumentam a incidência de colelitíase (pedras na vesícula), condição diretamente associada à inflamação do pâncreas.

Medicamentos para emagrecer e o risco de pancreatite

Nos últimos anos, o risco de pancreatite tem se intensificado com a popularização de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e GIP, como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Embora eficazes no controle glicêmico e na redução de peso, esses fármacos exigem acompanhamento médico atento e especializado.

Dados recentes de farmacovigilância reforçam o alerta. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destacou que notificações de pancreatite associadas ao uso dessas medicações vêm aumentando no Brasil e no exterior, incluindo casos graves e até fatais.

No Reino Unido, por exemplo, foram registradas mais de mil notificações relacionadas à classe desde 2007, com desfechos graves em parte dos casos. Além disso, a agência reguladora britânica, Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), reconheceu a pancreatite aguda como um efeito adverso raro, porém possível, dessas medicações.

Outro fator relevante é que a própria perda rápida de peso induzida por esses medicamentos pode contribuir indiretamente para o risco. “Não é apenas o remédio em si, mas o contexto metabólico que ele gera. Quando o emagrecimento é muito acelerado e sem acompanhamento adequado, o organismo pode responder com complicações, incluindo pancreatite”, acrescenta o Dr. Joaquim Menezes.

Médico sentado em consultório anotando informações em prancheta enquanto a paciente coloca as mãos no abdômen durante atendimento
Dor abdominal intensa, náuseas e vômitos são alguns sinais que podem indicar pancreatite (Imagem: Peakstock | Shutterstock)

Sintomas que podem indicar pancreatite

Os sintomas da pancreatite incluem dor abdominal intensa — muitas vezes irradiando para as costas —, náuseas, vômitos e distensão abdominal. Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente e demandar internação hospitalar.

Importância de buscar ajuda médica

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o uso de medicamentos para emagrecimento deve ser sempre individualizado e acompanhado por profissionais de saúde. “O tratamento da obesidade não deve ser baseado apenas na velocidade de perda de peso, mas na segurança e na sustentabilidade dos resultados”, conclui o nutrólogo.

A orientação é clara: emagrecer é importante, mas o caminho até esse objetivo precisa respeitar os limites do organismo para evitar complicações que podem ser potencialmente graves.

Por Yasmin Moraes