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O que se sabe e o que falta saber sobre a investigação do atropelamento que matou Mariana Tanaka Abdul Hak em Ipanema

Polícia Civil investiga falha mecânica relatada pelo motorista da van e aguarda laudos periciais

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Mariana Tanaka Abdul Hak. Foto: Reprodução / redes sociais

A morte de Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos, atropelada em Ipanema no último sábado (16), segue em investigação pela Polícia Civil do Rio. A jovem, filha dos diplomatas Ibrahim Abdul Hak Neto e Ana Patrícia Neves Abdul Hak, tinha chegado da Europa horas antes do acidente e não resistiu aos ferimentos, morrendo no domingo (17). O caso foi registrado como lesão corporal culposa na 14ª DP (Leblon).

Mariana foi atingida na calçada da Rua Vinicius de Moraes, esquina com a Rua Visconde de Pirajá, por volta das 17h, quando uma van de entrega de mercadorias online subiu na calçada, bateu em um poste e atropelou três pedestres. Além de Mariana, a mãe dela e um homem de 44 anos também foram atingidos.

Como foi o atropelamento?

Imagens mostram a van passando pelo cruzamento, subindo na calçada e atingindo as vítimas em sequência. Não havia marcas de frenagem no asfalto, segundo a Polícia Militar.

Em depoimento à polícia, o motorista afirmou que o volante do veículo travou no momento em que tentava mudar de faixa, fazendo com que perdesse o controle e invadisse a calçada. Ele se identificou como funcionário recente de uma empresa de entregas, trabalhando há dez dias na função e dirigindo a van pela terceira vez. Disse ainda que trafegava a cerca de 60 km/h, velocidade permitida na via.

O veículo é uma caminhonete elétrica JAC T140, ano 2024. O motorista permaneceu no local até a chegada do socorro, fez teste de bafômetro e de drogas, ambos com resultado negativo, e foi liberado após prestar depoimento na 14ª DP. Ele responde em liberdade.

Mariana foi atingida na calçada da Rua Vinicius de Moraes, esquina com a Rua Visconde de Pirajá, por volta das 17h. Foto: Reprodução / redes sociais

O homem, que também foi atingido pela van, relatou em depoimento que Mariana estava de costas para a rua no momento do impacto e que não ouviu barulho de freada antes do atropelamento.

Quem era Mariana Tanaka Abdul Hak?

Mariana havia acabado de concluir o curso de Administração de Empresas na ESCP Business School, em Turim, na Itália, e morava na Europa há sete anos, segundo o pai. Ao longo da vida, viveu no Brasil, Reino Unido, Venezuela, Bélgica, Líbano e França, e falava português, inglês, espanhol e francês, além de italiano.

Em entrevista à CNN Brasil, Ibrahim Abdul Hak Neto disse que a filha voltava ao Brasil para iniciar um estágio na L’Oréal Brasil, com sede no Rio de Janeiro. “Perda irreparável”, afirmou o pai, embaixador de carreira e atual assessor especial no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mãe, Ana Patrícia Neves Abdul Hak, é cônsul-adjunta do Brasil em Buenos Aires, ficou ferida no acidente e já recebeu alta do Hospital Municipal Miguel Couto, mesma unidade para onde Mariana foi levada e morreu.

Pontos cruciais da investigação do atropelamento

Os próximos passos e as dúvidas da Polícia Civil sobre o caso de Ipanema.

Aspecto Detalhes da Investigação
Falha Mecânica Perícia verificará as condições da direção e freios da van JAC T140, além da manutenção do veículo.
⏱️ Velocidade da Van Câmeras de segurança e ausência de marcas de frenagem serão cruzas para determinar a velocidade exata.
⚖️ Enquadramento Criminal A polícia apurará falha humana, imprudência ou negligência para definir se o caso continua como lesão corporal culposa.
🗣️ Depoimento do Motorista Motorista afirmou que o volante travou; testes de bafômetro e drogas deram negativo. Ele foi liberado após depor.

O presidente Lula manifestou solidariedade à família nas redes sociais nesta terça-feira (19) e disse ter telefonado ao diplomata. A família decidiu não realizar velório, e o enterro está marcado para esta quinta-feira (21), às 14h, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

O que a polícia ainda precisa esclarecer?

A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais sobre o veículo. A principal frente da investigação é a versão da falha mecânica apresentada pelo motorista: a perícia deve verificar as condições da direção e do sistema de frenagem da JAC T140 e se o veículo estava com manutenção e revisões em dia.

Outro ponto em aberto é a velocidade exata da van no momento da colisão. As imagens das câmeras de segurança da região e a ausência de marcas de frenagem no asfalto devem ser cruzadas pela perícia para reconstruir a dinâmica do atropelamento.

A polícia também deve apurar se houve falha humana, imprudência ou negligência por parte do motorista, além de definir o enquadramento criminal definitivo, hoje registrado como lesão corporal culposa. Por enquanto, ninguém foi indiciado, e a empresa responsável pela van ainda não se manifestou publicamente.