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Um objeto gigantesco com 7.000 anos-luz de extensão perto da Via Láctea despertou o interesse dos astrônomos e pode revelar um fenômeno impressionante

A galáxia anã possui cerca de 7.000 anos-luz de extensão

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Um objeto gigantesco com 7.000 anos-luz de extensão perto da Via Láctea despertou o interesse dos astrônomos e pode revelar um fenômeno impressionante
Objeto possui cerca de 7000 anos-luz de extensão

A Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia com cerca de 7.000 anos-luz de extensão, está passando por uma transformação intensa nas proximidades da Via Láctea. Novas medições mostram que suas estrelas não giram de maneira organizada ao redor do centro. Elas se afastam em grande escala, sinal de que a atração gravitacional de uma galáxia vizinha pode estar desmontando sua estrutura.

Que objeto gigantesco chamou a atenção dos astrônomos?

A Pequena Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã irregular localizada a aproximadamente 200 mil anos-luz da Terra. Apesar do nome, ela contém bilhões de estrelas e ocupa uma região com milhares de anos-luz. Sua aparência difusa pode ser observada a olho nu em locais escuros do Hemisfério Sul.

Ela integra um sistema de galáxias satélites ligadas gravitacionalmente à Via Láctea. Ao lado da Grande Nuvem de Magalhães, forma um dos melhores laboratórios naturais para investigar evolução galáctica, formação estelar e interações gravitacionais. Algumas características ajudam a dimensionar esse objeto:

  • Possui aproximadamente 7.000 anos-luz de extensão;
  • Está a cerca de 200 mil anos-luz da Terra;
  • Contém estrelas de diferentes idades;
  • É rica em gás usado na formação de novas estrelas;
  • Sofre influência da Via Láctea e de sua companheira maior.
Um objeto gigantesco com 7.000 anos-luz de extensão perto da Via Láctea despertou o interesse dos astrônomos e pode revelar um fenômeno impressionante
Suas estrelas estão se afastando em vez de girar de forma organizada

O que as estrelas revelaram sobre essa galáxia?

Durante anos, os astrônomos interpretaram parte do movimento observado como uma possível rotação. Os novos mapas, porém, indicam outro cenário. As estrelas estão se deslocando para fora, inclusive nas regiões centrais, com velocidade média próxima de 17 quilômetros por segundo.

O padrão segue um eixo que aponta na direção da Grande Nuvem de Magalhães, reforçando a hipótese de um alongamento provocado pela gravidade. O padrão é compatível com forças de maré provocadas pela Grande Nuvem de Magalhães, segundo estudo divulgado na Astronomy & Astrophysics.

Como o telescópio VISTA identificou esse movimento?

O resultado veio do levantamento VMC, realizado com o telescópio VISTA no Observatório Paranal, no Chile. O equipamento acompanhou milhões de estrelas durante um período de até 11 anos. A longa sequência de observações permitiu comparar pequenas mudanças de posição no céu e medir o chamado movimento próprio estelar com precisão três vezes maior do que em análises anteriores.

A visão em infravermelho do VISTA também ajudou a atravessar parte da poeira que dificulta a observação em luz visível. Com os novos dados, os pesquisadores conseguiram separar o deslocamento aparente causado pela perspectiva do movimento real das estrelas. O estudo encontrou diferentes sinais:

  • Expansão estelar em grande parte da galáxia;
  • Ausência de uma rotação organizada e coerente;
  • Movimentos alinhados com a companheira maior;
  • Expansão presente até nas áreas internas;
  • Comportamentos distintos entre populações estelares jovens e antigas.
Um objeto gigantesco com 7.000 anos-luz de extensão perto da Via Láctea despertou o interesse dos astrônomos e pode revelar um fenômeno impressionante
O movimento estelar aponta na direção da Grande Nuvem de Magalhães

Por que a Grande Nuvem de Magalhães seria responsável?

A Grande Nuvem de Magalhães é maior e exerce uma atração gravitacional capaz de deformar sua vizinha. Encontros repetidos entre as duas ao longo de bilhões de anos teriam esticado a Pequena Nuvem, deslocado estrelas e retirado gás de suas regiões externas.

Simulações também sugerem que as galáxias podem ter atravessado uma à outra há algumas centenas de milhões de anos, deixando seus movimentos internos desorganizados.

Esse fenômeno pode mudar o que sabemos sobre as galáxias?

A descoberta indica que a Pequena Nuvem de Magalhães não deve ser tratada como uma galáxia estável. Modelos baseados em um disco em rotação podem confundir deslocamentos causados por forças de maré com movimentos orbitais normais. Isso afeta estimativas sobre sua massa, estrutura, distribuição de gás e história de formação estelar.

As estrelas mais antigas também guardam pistas de outros episódios. Gigantes vermelhas apresentam um movimento coletivo diferente, possivelmente associado a uma interação ocorrida há mais de dois bilhões de anos. A Via Láctea afeta as Nuvens de Magalhães, e a maior parece estar destruindo a menor. O objeto de 7.000 anos-luz oferece, assim, uma rara oportunidade de observar uma galáxia sendo transformada pela gravidade quase em tempo real.