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Cientista consegue medir a velocidade com que seu cérebro envelhece e revela o hábito que pode ajudar a frear esse processo

Experiências criativas podem estar associadas a um cérebro biologicamente mais jovem

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Cientista consegue medir a velocidade com que seu cérebro envelhece e revela o hábito que pode ajudar a frear esse processo
Cientistas já conseguem estimar a velocidade do envelhecimento cerebral

Avanços na neurociência permitem estimar a velocidade do envelhecimento cerebral por meio de modelos chamados relógios cerebrais. A ideia não é adivinhar a idade de alguém pela aparência, mas comparar a idade cronológica com sinais de funcionamento cerebral. E o ponto mais surpreendente é que experiências criativas, como música, dança, artes visuais e até jogos de estratégia, podem estar associadas a um cérebro biologicamente mais jovem.

Como os cientistas conseguem medir o envelhecimento do cérebro?

Os chamados relógios cerebrais usam dados do cérebro para estimar se ele aparenta estar envelhecendo mais rápido ou mais devagar do que a idade real da pessoa. Essa diferença é conhecida como lacuna de idade cerebral, uma medida que ajuda a observar sinais de envelhecimento acelerado ou retardado.

Na prática, pesquisadores analisam padrões de conectividade e atividade cerebral por meio de técnicas como EEG, MEG e modelos computacionais. O estudo publicado na Nature Communications usou dados de M/EEG para calcular lacunas de idade cerebral em pessoas com diferentes experiências criativas. Quando o cérebro “parece” mais velho do que a idade cronológica, isso pode indicar envelhecimento acelerado. Quando parece mais jovem, pode sugerir maior preservação funcional.

O que a descoberta mostrou sobre criatividade?

O estudo liderado por pesquisadores como Agustín Ibáñez analisou dados de mais de 1.400 participantes em diferentes países. A equipe comparou pessoas envolvidas em atividades criativas, como tango, música, artes visuais e videogames de estratégia, com participantes sem esse tipo de experiência especializada.

O resultado apontou uma associação consistente entre experiências criativas e envelhecimento cerebral mais lento. Em outras palavras, pessoas com prática criativa apresentaram perfis cerebrais mais jovens do que o esperado para a idade. O efeito apareceu em diferentes áreas criativas, sugerindo que o benefício pode estar menos ligado a uma atividade específica e mais ao desafio mental envolvido.

Cientista consegue medir a velocidade com que seu cérebro envelhece e revela o hábito que pode ajudar a frear esse processo
Atividades criativas desafiam memória, atenção, coordenação e imaginação

Que hábito pode ajudar a frear esse processo?

O hábito em destaque é cultivar atividades criativas de forma regular. Isso não significa apenas pintar quadros ou tocar instrumentos profissionalmente. A criatividade pode aparecer em práticas que exigem imaginação, memória, coordenação, atenção, improviso e solução de problemas.

Alguns exemplos de atividades que podem estimular o cérebro incluem:

  • Aprender ou praticar um instrumento musical;
  • Dançar, especialmente estilos que exigem memória e coordenação;
  • Desenhar, pintar, fotografar ou criar imagens;
  • Escrever histórias, poemas ou textos autorais;
  • Participar de jogos de estratégia que exigem planejamento;
  • Aprender uma habilidade nova que combine técnica e imaginação.

Por que atividades criativas podem proteger o cérebro?

Atividades criativas exigem que o cérebro combine diferentes funções ao mesmo tempo. Dançar envolve ritmo, memória, equilíbrio e interação com o espaço. Tocar música exige audição, coordenação motora, atenção e emoção. Criar imagens ou estratégias envolve imaginação, tomada de decisão e flexibilidade mental.

Esse tipo de prática pode fortalecer conexões entre regiões cerebrais e tornar as redes neurais mais eficientes. Em vez de trabalhar sempre do mesmo jeito, o cérebro é desafiado a se adaptar, reorganizar caminhos e criar novas respostas. Esse processo está ligado à plasticidade cerebral, capacidade que ajuda o cérebro a aprender e se ajustar ao longo da vida.

Cientista consegue medir a velocidade com que seu cérebro envelhece e revela o hábito que pode ajudar a frear esse processo
Música, dança, artes visuais e jogos de estratégia podem estimular redes neurais

É preciso ser artista para ter esse benefício?

Não. Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é que o efeito não apareceu apenas em especialistas. Pessoas que passaram por treinamentos curtos em atividades criativas também apresentaram sinais mensuráveis, ainda que menores, de benefício cerebral.

Isso sugere que o mais importante é envolver o cérebro em experiências estimulantes e repetidas. Não é necessário virar músico profissional, dançarino ou artista reconhecido. O que conta é praticar algo que desafie a mente de forma prazerosa e consistente. Algumas atitudes ajudam:

  • Escolher uma atividade criativa que dê vontade de continuar;
  • Praticar um pouco por semana, sem depender de perfeição;
  • Alternar aprendizado técnico com momentos de liberdade;
  • Evitar abandonar a prática por comparação com especialistas;
  • Usar a criatividade como rotina, não como obrigação pesada;
  • Combinar estímulo mental com sono, movimento e vida social.

Por que isso não deve ser visto como fórmula mágica?

Medir a idade cerebral não é o mesmo que prever exatamente o futuro de uma pessoa. Esses modelos são ferramentas de pesquisa e podem indicar tendências, mas não substituem avaliação médica, histórico clínico, exames e acompanhamento profissional quando há sintomas de memória, atenção ou comportamento.

A grande lição é que o cérebro envelhece influenciado por muitos fatores, incluindo saúde física, sono, alimentação, estresse, vínculos sociais, ambiente e estímulos mentais. A criatividade entra como uma peça promissora desse quebra-cabeça. Ela não congela o tempo, mas pode ajudar o cérebro a permanecer mais ativo, flexível e conectado ao longo dos anos.