Economia
Idoso junta as folhas do quintal e ateia fogo num cantinho como sempre fez, vizinha grava um vídeo e ele acaba respondendo por crime ambiental com multa que começa em R$ 6 mil
Crime ambiental surpreende quem ainda queima folhas no terreno
Um idoso juntou as folhas do quintal e ateou fogo num canto do terreno, como fazia há anos sem nenhum problema. Dessa vez, uma vizinha gravou a cena, e o hábito antigo virou uma autuação por crime ambiental, com multa que começa em R$ 6 mil. O caso mostra como uma prática comum em áreas residenciais pode esbarrar na legislação sem que o morador perceba.
Queimar folhas em casa é considerado crime?
A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) trata a queima não autorizada de vegetação, incluindo restos de poda e folhas secas, como infração ambiental. Não importa se o fogo é pequeno ou controlado: provocar incêndio em vegetação sem autorização do órgão competente já configura ilícito. A regra vale tanto para zonas rurais quanto para quintais urbanos.
Por que essa prática ainda é tão comum entre os moradores?
Queimar folhas e restos de jardim é um hábito passado entre gerações, muitas vezes visto como forma prática de limpeza de quintal. Antes da fiscalização ambiental se tornar mais presente em bairros residenciais, esse tipo de queima raramente gerava qualquer consequência legal.
Com o avanço das câmeras de celular e a facilidade de registrar denúncias, situações que antes passavam despercebidas agora chegam aos órgãos ambientais com provas em vídeo. Isso tem levado moradores mais velhos, acostumados ao costume antigo, a responder por algo que nunca imaginaram ser crime.
Quais riscos a queima de vegetação pode causar?
Além da questão legal, o fogo em quintal traz perigos reais que justificam a rigidez da legislação. Entre os riscos mais frequentes estão:
- Propagação do fogo para terrenos vizinhos ou vegetação seca
- Emissão de fumaça que afeta a qualidade do ar na vizinhança
- Risco à saúde de pessoas com problemas respiratórios
- Possibilidade de acidentes em dias de vento forte
Esses fatores explicam por que a fiscalização trata a queima como infração, mesmo quando o responsável agiu sem intenção de causar dano.

Quais penalidades o infrator pode enfrentar?
A multa inicial de R$ 6 mil é apenas o ponto de partida, já que o valor pode aumentar conforme a extensão da área queimada e o histórico do infrator. Em casos mais graves, com risco a terceiros ou reincidência, a legislação prevê até detenção, embora essa consequência seja rara em queimas domésticas de pequeno porte. O boletim de ocorrência e o auto de infração ambiental costumam ser lavrados pela Polícia Militar Ambiental ou pelo órgão estadual de meio ambiente.
Existe alguma forma legal de queimar resíduos vegetais?
Em algumas situações, a legislação permite a queima controlada mediante autorização prévia do órgão ambiental competente, geralmente vinculada a atividades agrícolas específicas. Para o morador comum de área urbana ou residencial, essa exceção praticamente não se aplica, o que torna qualquer queima de quintal uma prática irregular por padrão.
O que fazer com folhas e restos de poda sem correr risco de multa?
Existem alternativas simples que evitam a autuação e ainda dão destino adequado ao material orgânico do quintal. Entre as opções mais indicadas estão:
- Compostagem doméstica das folhas e restos de poda
- Descarte no serviço de coleta de resíduos verdes da cidade
- Entrega em ecopontos municipais destinados a material orgânico
- Uso das folhas como cobertura de solo em jardins e hortas
Casos como o do idoso multado mostram que costumes antigos precisam ser revistos diante de uma legislação que hoje trata a queima de vegetação com mais rigor. O que antes era visto como simples limpeza de quintal passou a exigir atenção redobrada de quem mora em áreas com vizinhos próximos.
Conhecer as alternativas de descarte evita não só a multa, mas também riscos reais de incêndio e problemas de saúde para toda a vizinhança, mantendo o quintal limpo sem recorrer ao fogo.