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Fenômeno previsto no século 19 acaba de ser flagrado na superfície do Sol por supertelescópio
Fenômeno inédito ajuda a prever falhas em satélites e sistemas de GPS na Terra
Redemoinhos minúsculos detectados na superfície do Sol por um telescópio americano podem ajudar a explicar como a estrela acumula energia magnética, processo ligado a erupções solares capazes de afetar satélites, redes elétricas e sistemas de GPS na Terra.
O fenômeno, previsto pela física desde o século XIX mas jamais confirmado visualmente no Sol, foi identificado a partir de imagens do Telescópio Solar Daniel K. Inouye, o mais poderoso do mundo para observar a estrela. O estudo foi publicado na revista Nature e anunciado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF) e pelo Observatório Solar Nacional (NSO).
Instabilidade prevista há dois séculos
As imagens de alta resolução registraram pequenas estruturas giratórias na fotosfera, a camada visível da superfície solar. A partir delas, os pesquisadores identificaram pela primeira vez no Sol a chamada instabilidade de Kelvin-Helmholtz, que ocorre quando duas camadas de um fluido se movem em velocidades diferentes e criam turbulência na fronteira entre elas. Na Terra, o efeito é visível em ondas formadas pelo vento sobre a água ou em certos tipos de nuvens onduladas. O fenômeno já havia sido observado nas atmosferas de Júpiter e Saturno, mas nunca com tanta clareza na superfície solar.
A resolução do telescópio foi determinante: os vórtices detectados medem apenas algumas dezenas de quilômetros, dimensão impossível de captar com equipamentos anteriores.
Vórtices que torcem o campo magnético
A hipótese dos cientistas é que esses redemoinhos, ao se formarem continuamente na superfície da estrela, torcem as linhas do campo magnético solar e favorecem o acúmulo de energia. Quando essa energia é liberada, surgem erupções solares, jatos de plasma e ejeções de massa coronal, eventos que compõem o chamado clima espacial e que, quando direcionados à Terra, podem comprometer satélites, redes de energia e sistemas de navegação.
Para validar os resultados, a equipe comparou as imagens do telescópio com simulações computacionais da atmosfera solar. As duas abordagens produziram estruturas e padrões de formação praticamente idênticos. Os pesquisadores destacam ainda que o mecanismo ajuda a distribuir o campo magnético pela atmosfera da estrela, o que é considerado essencial para aprimorar os modelos de previsão da atividade solar.