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Pensamento de Bauman do dia: “Na era da modernidade líquida, os relacionamentos escorrem pelos dedos.” Uma reflexão sobre a fragilidade dos laços na era das redes sociais e dos amores descartáveis

Redes sociais, conexões rápidas e medo do compromisso.

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Antes, terminar um namoro exigia conversa cara a cara, choro na sala e explicação para a família toda.

Quem já terminou uma conversa importante com um “vi, depois te respondo” e nunca mais recebeu resposta sabe do que estamos falando. A modernidade líquida de Bauman deu nome a essa sensação estranha de estar cercado de gente e, ainda assim, sentir que nenhum laço se firma. O sociólogo enxergou isso antes das redes sociais tomarem conta de tudo.

O que Bauman quis dizer com “modernidade líquida”?

A gente vive num tempo em que quase nada dura. Emprego muda, cidade muda, aplicativo de mensagem muda, o crush de terça já é passado na sexta. Marcar um simples café vira negociação de três semanas, e mesmo assim alguém desmarca em cima da hora.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman chamou esse tempo de “modernidade líquida” justamente porque nada assume forma fixa por muito tempo. Igual à água, os vínculos, as certezas e as promessas escorrem pelos dedos antes de a gente conseguir apertar a mão.

Não dá para voltar no tempo nem apagar os aplicativos do mundo.

Como os relacionamentos ficaram “líquidos” na era das redes?

Antes, terminar um namoro exigia conversa cara a cara, choro na sala e explicação para a família toda. Hoje, um bloqueio no WhatsApp resolve o que uma vida inteira costumava demorar meses para digerir. A facilidade de sumir virou o novo normal.

Esse jeito descartável de se relacionar tem sinais bem claros no dia a dia. Os pontos principais são:

1
Sumiço no lugar da conversa Desaparecer virou mais fácil que explicar, e o outro fica sem entender o que aconteceu.
2
Vitrine de opções infinitas O aplicativo mostra sempre mais um perfil, e ninguém parece bom o bastante para ficar.
3
Amizade que só existe no online Curtir foto vira substituto de ligar, e as pessoas se distanciam achando que estão perto.
4
Medo de compromisso profundo Falar em “para sempre” soa antigo, e ninguém quer ser o primeiro a assumir a palavra.

Por que a rede social piora o que Bauman já tinha percebido?

Bauman escreveu sobre esse mundo líquido antes do Instagram, do TikTok e do WhatsApp existirem do jeito que existem hoje. As redes só aceleraram uma tendência que ele já enxergava: quanto mais fácil trocar de tudo, mais difícil ficar com alguém quando o clima esquenta.

Algumas coisas mudaram bastante na forma de se relacionar:

  • Um match substitui o “arrastão” antigo da paquera presencial.
  • Ver a vida do outro pelo feed cria intimidade sem conhecer a pessoa de verdade.
  • O medo de perder outras opções faz muita gente evitar assumir uma escolha.
  • Excluir do celular parece limpar a memória, mas o vazio sobra na alma.
  • O tempo de tela concorre direto com o tempo de olhar no olho.

É como se a gente estivesse sempre com um pé para fora, esperando aparecer coisa melhor logo ali na próxima notificação. E quando a coisa melhor não vem, sobra a conta emocional de nunca ter ficado inteiro em lugar nenhum.

Leia também: Sabedoria irlandesa do dia: “As chamas mais intensas da vida muitas vezes iluminam o caminho que você deveria seguir.” Uma lição sobre adversidade e crescimento.

Como esse pensamento se compara ao de outros críticos do nosso tempo?

Bauman não foi o único a olhar para essa nova forma de viver e estranhar. Outros pensadores enxergaram a mesma coisa por ângulos diferentes, cada um dando um nome próprio ao mesmo mal-estar.

Veja como cada visão descreve o mesmo fenômeno:

Pensador Conceito central Foco
Zygmunt Bauman Polônia, sociologia Modernidade líquida Fragilidade dos vínculos
Byung-Chul Han Coreia, filosofia Sociedade do cansaço Exaustão do eu
Sherry Turkle EUA, psicologia Juntos, mas sozinhos Solidão conectada
Guy Debord França, filosofia Sociedade do espetáculo Vida como vitrine

Como criar vínculos mais firmes num tempo que empurra o descarte?

Não dá para voltar no tempo nem apagar os aplicativos do mundo. Mas dá para escolher, dentro dessa correnteza, algumas pessoas com quem valha a pena investir tempo de verdade, mesmo quando ficar fica mais difícil que sumir. Vínculo firme é decisão diária, não sentimento espontâneo.

Bauman morreu em 2017 sem ver o pior da era das telas, mas deixou o aviso pronto para o que estava por vir. Quando os relacionamentos escorrem pelos dedos, cabe a cada um decidir o que segura na mão com força de propósito, mesmo que a mão inteira fique molhada.

💡 Curiosidade Bauman publicou o livro “Modernidade Líquida” em 2000, e o conceito acabou virando referência em quase todos os campos, da sociologia à publicidade.