Entretenimento
A 4ª maior cidade do Paraná guarda rochas de 300 milhões de anos e combina indústria pesada com um patrimônio geológico raro
Rochas formadas há 300 milhões de anos revelam o passado desta gigante.
Quem atravessa a BR-376 e entra em Ponta Grossa encontra uma cidade moldada por estradas, tropeiros e pelas formações rochosas dos Campos Gerais. A cerca de 115 km de Curitiba, o município cresceu como ponto de passagem no interior do Paraná e transformou essa antiga vocação comercial em uma economia industrial de grande porte, sem perder a paisagem que marca a região.
Como Ponta Grossa passou de parada de tropeiros a polo industrial?
Antes das fábricas e das grandes rodovias, o movimento de Ponta Grossa acontecia no antigo Caminho das Tropas. Durante o século XVIII, tropeiros que viajavam entre o Rio Grande do Sul, São Paulo e as regiões de mineração paravam na área para descansar e cuidar do gado. Ranchos e pequenos pontos de comércio surgiram ao redor dessas paradas, criando a base econômica que faria o povoado crescer, segundo registros da Prefeitura de Ponta Grossa.
A antiga rota acabou deixando uma herança que permanece na identidade da cidade. Hoje, com cerca de 375 mil habitantes, Ponta Grossa é o 4º município mais populoso do Paraná e abriga o maior parque industrial do interior do estado. Empresas como DAF Caminhões, Tetra Pak e Heineken ajudaram a consolidar uma economia que vai muito além da antiga atividade tropeira, enquanto o apelido “Princesa dos Campos” continua ligado à paisagem e à história dos Campos Gerais.

Por que Ponta Grossa consegue unir vida universitária e natureza?
A rotina de Ponta Grossa combina a praticidade de uma cidade média com uma estrutura que atrai estudantes, trabalhadores e visitantes. A presença da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) movimenta o setor de serviços, enquanto hospitais, comércio e restaurantes concentram boa parte das atividades no perímetro urbano. A localização também favorece a economia, já que as conexões rodoviárias e ferroviárias aproximam o município do Porto de Paranaguá e de importantes rotas do Mercosul.
Fora da área urbana, o cenário muda completamente. Parques, cânions, furnas e formações de arenito ocupam os Campos Gerais, criando uma das maiores concentrações de atrativos naturais do Paraná. O Mapa do Turismo Brasileiro, do Ministério do Turismo, classificou Ponta Grossa na categoria máxima em 2024 e 2025, enquanto os parques próximos transformaram a cidade em ponto de partida para roteiros de natureza.
- Parque Estadual de Vila Velha: primeiro parque estadual criado no Paraná, em 1953, reúne arenitos de aproximadamente 300 milhões de anos, incluindo a famosa formação da Taça.
- Furnas e Lagoa Dourada: grandes depressões formadas pelo desabamento do terreno, algumas chegando a 100 metros de profundidade.
- Buraco do Padre: anfiteatro natural com uma cachoeira de 30 metros no interior de uma furna, acessível por passarelas.
- Cachoeira da Mariquinha: queda cercada por vegetação nativa, com área de areia e poço utilizado para banho.
- Parque Estadual do Guartelá: no município de Tibagi, abriga um dos grandes cânions do país, com paredões que chegam a cerca de 450 metros de profundidade.
- Catedral Sant’Ana: um dos principais marcos arquitetônicos do centro e ponto de partida para conhecer o patrimônio histórico de Ponta Grossa.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude próxima a 1.000 metros torna o clima de Ponta Grossa subtropical e marcante. Os invernos são rigorosos para o padrão brasileiro, com geadas frequentes nos campos abertos, e os verões trazem dias quentes e chuvas rápidas de fim de tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar e o que comer na capital tropeira?
Ponta Grossa é servida pela BR-376 e pela BR-373, e fica a pouco mais de uma hora de carro de Curitiba. O acesso aéreo se dá pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena, na capital paranaense, com transferência rodoviária para a cidade. A malha ferroviária histórica, ligada ao escoamento da produção dos Campos Gerais, ainda corta o município.
A culinária local carrega a herança tropeira e a influência das colônias europeias. O virado de feijão à tropeira, o quirera lapeana, os pratos com pinhão e os pierogis poloneses dividem espaço com a tradição alemã da München Fest, festa anual dedicada ao chope escuro que entrou no calendário cultural do estado.
Leia também: A 4ª cidade mais antiga de Santa Catarina tem IDH alto e a única escola de oleiros da América Latina.
Vale viver e visitar a Princesa dos Campos?
Ponta Grossa entrega uma combinação rara no Brasil: cidade média com indústria forte, polo universitário ativo e parques estaduais que parecem cenário de outro planeta. Tudo isso a uma hora da capital, com clima ameno e infraestrutura urbana completa.
Você precisa subir até os arenitos de Vila Velha ao amanhecer e descer pelas passarelas do Buraco do Padre para entender por que essa cidade dos Campos Gerais segue conquis