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Estudo identifica vitamina que pode favorecer o desempenho cognitivo de pessoas acima dos 50 anos com problemas de sono
Estudo identifica vitamina ligada a melhor desempenho cognitivo em pessoas acima dos 50 anos com problemas de sono
Uma pesquisa da Universidade Emory, nos Estados Unidos, encontrou uma associação entre maior consumo de vitamina D por suplementação e melhores resultados cognitivos em adultos acima dos 50 anos que apresentavam alterações do sono e comprometimento cognitivo leve ou suspeita da condição. O resultado chama atenção para a relação entre sono, envelhecimento e cognição, mas ainda não permite afirmar que aumentar a dose da vitamina melhore a memória ou previna demência.
Qual vitamina apareceu associada a um melhor desempenho cognitivo?
A substância analisada foi a vitamina D. O estudo, publicado na revista científica Sleep Medicine, avaliou 54 participantes com 50 anos ou mais que apresentavam distúrbios do sono e diagnóstico ou suspeita de comprometimento cognitivo leve. A idade média do grupo era de aproximadamente 67 anos.
Os pesquisadores compararam o consumo diário de suplementos informado pelos próprios participantes com o desempenho no Montreal Cognitive Assessment, conhecido como MoCA. A análise considerou diferentes fatores que poderiam influenciar os resultados:
- Idade dos participantes;
- Sexo;
- Índice de massa corporal;
- Nível de escolaridade;
- Tipo de vitamina D consumida;
- Quantidade diária de vitamina D relatada.
O que os pesquisadores encontraram entre os participantes?
O grupo que relatou consumir pelo menos 5.000 unidades internacionais de vitamina D por dia apresentou pontuação cognitiva superior à observada entre aqueles que não utilizavam diariamente o suplemento. Segundo a divulgação da Universidade Emory, a diferença encontrada no teste cognitivo ficou acima de 13%.
As doses menores analisadas não apresentaram associação estatisticamente significativa com a pontuação total do MoCA. Também não foi encontrada diferença relevante entre participantes que utilizavam vitamina D2 e aqueles que relatavam consumir vitamina D3.

Por que os problemas de sono entraram nessa pesquisa?
Sono e cognição estão intimamente relacionados, especialmente com o avanço da idade. Pessoas com comprometimento cognitivo leve apresentam com frequência alterações na qualidade do sono, e esse grupo também possui risco maior de desenvolver problemas cognitivos mais importantes posteriormente.
Para selecionar os participantes, os pesquisadores utilizaram instrumentos reconhecidos de avaliação do sono. Entre os critérios considerados estavam:
- Qualidade de sono considerada ruim pelo Pittsburgh Sleep Quality Index;
- Sonolência excessiva medida pela Escala de Sonolência de Epworth;
- Comprometimento cognitivo leve diagnosticado ou suspeito;
- Idade igual ou superior a 50 anos.
O resultado significa que tomar mais vitamina D melhora a memória?
Não. O próprio desenho do estudo impede essa conclusão. A pesquisa foi observacional e transversal, o que significa que os cientistas analisaram características existentes naquele momento. Eles não distribuíram doses de vitamina D aleatoriamente nem acompanharam participantes antes e depois de um tratamento para verificar se a cognição realmente melhorou.
Além disso, a quantidade de vitamina D foi informada pelos próprios voluntários, e a amostra contou com apenas 54 pessoas. Portanto, é possível identificar uma associação entre suplementação e desempenho cognitivo, mas não provar que a vitamina foi responsável diretamente pela diferença observada.

Por que a dose encontrada no estudo exige atenção?
O resultado mais evidente apareceu entre participantes que relataram consumir 5.000 UI ou mais diariamente. Esse detalhe é importante porque a quantidade ultrapassa o limite máximo tolerável de 4.000 UI por dia estabelecido para adultos em referências nutricionais utilizadas nos Estados Unidos.
Isso significa que o estudo não deve ser interpretado como recomendação para começar a consumir 5.000 UI por conta própria. Quantidades excessivas de vitamina D podem elevar demais o cálcio no sangue e provocar problemas, inclusive nos rins e no coração. A necessidade de suplementação deve considerar alimentação, exposição solar, exames, medicamentos e orientação profissional.
O que o estudo realmente acrescenta sobre vitamina D, sono e envelhecimento?
A pesquisa levanta uma hipótese importante para novos trabalhos: pessoas que apresentam ao mesmo tempo alterações do sono e comprometimento cognitivo leve podem formar um grupo interessante para investigar os possíveis efeitos da vitamina D sobre o cérebro. Os próprios autores destacam a necessidade de estudos maiores e randomizados, capazes de testar a suplementação de maneira controlada e acompanhar seus efeitos ao longo do tempo.
Por enquanto, o achado deve ser visto como um sinal promissor, não como uma receita para melhorar a memória. A vitamina D apareceu associada a melhores resultados cognitivos naquele pequeno grupo de adultos acima dos 50 anos, mas ainda falta descobrir se existe uma relação de causa e efeito, qual quantidade seria realmente adequada e quais pessoas poderiam se beneficiar sem ultrapassar limites seguros.