Esportes
Proposta de Lamacchia pela SAF do Vasco prevê R$ 500 milhões no futebol, R$ 120 milhões no CT e R$ 30 milhões na base
A venda da SAF do Vasco entrou oficialmente na reta decisiva.
A venda da SAF do Vasco entrou oficialmente na reta decisiva. Na última quinta-feira (10), a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a abertura do processo competitivo pela Nova SAF, e a Almirante Participações e Empreendimentos, de Marcos Lamacchia, aparece como a principal favorita para assumir o controle do futebol cruz-maltino.
O leilão está marcado para 25 de setembro. De acordo com os documentos anexados ao processo de recuperação judicial, a proposta vinculante da Almirante prevê a aquisição de 90% da Nova SAF e inclui uma série de compromissos financeiros e esportivos.
R$ 500 milhões serão destinados exclusivamente ao futebol
O principal ponto da proposta é o aporte de R$ 500 milhões em capital. O valor será dividido em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC.
Além disso, existe uma determinação importante: esse dinheiro deverá ser utilizado exclusivamente no futebol. Portanto, os recursos não poderão ser destinados ao pagamento de dívidas.
A previsão inclui gastos com elenco, comissão técnica e contratações. Dessa forma, a proposta de Lamacchia estabelece uma fonte relevante de investimento para o futebol vascaíno nos próximos anos.
Investimentos no CT e nas categorias de base
Além do dinheiro destinado diretamente ao futebol, a Almirante assumirá outros compromissos de longo prazo.
O projeto prevê R$ 120 milhões para o centro de treinamento profissional ao longo de 10 anos. Além disso, a investidora deverá aplicar R$ 30 milhões nas categorias de base nos primeiros dois anos.
A proposta também prevê a estruturação de projetos capazes de gerar até R$ 150 milhões em incentivos fiscais para o clube durante um período de 10 anos.
Caso os recursos da Nova SAF não sejam suficientes para cumprir todas essas obrigações, a Almirante terá de realizar aportes adicionais. Entretanto, esses novos investimentos não poderão aumentar sua participação acionária.
DIP de R$ 80 milhões pode virar participação na SAF
Outro ponto da proposta envolve o financiamento DIP já concedido ao Vasco por meio do Banco Crefisa.
A Almirante prevê a conversão de aproximadamente R$ 80 milhões desse financiamento em participação societária na SAF. Assim, o valor deixa de funcionar apenas como uma dívida e passa a integrar a estrutura da nova sociedade.
Além disso, a proposta prevê o cumprimento integral das obrigações do plano de recuperação judicial, das dívidas tributárias e dos débitos extraconcursais.
A investidora também se compromete a manter o equilíbrio financeiro da SAF por pelo menos cinco anos.
Lamacchia terá preferência no leilão
A proposta da Almirante foi aceita como stalking horse, ou seja, servirá como oferta-base para o processo competitivo.
Isso significa que outros interessados poderão apresentar propostas melhores. Porém, Lamacchia terá o chamado Right-to-Match, que permite igualar a maior oferta apresentada por um concorrente.
Além disso, caso outro grupo vença a disputa, esse concorrente terá de pagar uma Break-Up Fee de R$ 25 milhões à Almirante.
Para participar do leilão, os demais interessados também terão de apresentar uma caução de R$ 150 milhões.
Nova SAF terá controle do futebol
A estrutura que será entregue à Nova SAF inclui praticamente toda a operação do futebol do Vasco.
Entre os ativos previstos estão os contratos dos jogadores e da comissão técnica, os contratos comerciais e de patrocínio, os direitos de propriedade intelectual relacionados ao futebol e o direito de utilização dos centros de treinamento.
Além disso, a Nova SAF terá direito de uso prioritário e exclusivo de São Januário para os jogos como mandante até 31 de dezembro de 2030.
Em contrapartida, a SAF pagará R$ 3 milhões por ano ao clube pelo uso do estádio. Durante eventuais períodos de reforma, esse valor cairá para R$ 2 milhões anuais.
Investidora não poderá vender ações por 10 anos
A proposta também estabelece algumas restrições para a Almirante.
Caso vença o processo, a empresa não poderá vender sua participação na SAF durante 10 anos. Pelo mesmo período, a Nova SAF também não poderá distribuir dividendos.
Além disso, a estrutura prevê uma conta vinculada, conhecida como escrow, com saldo equivalente a pelo menos três meses das obrigações da recuperação judicial.
A Crefipar Participações e Empreendimentos S.A. e Marcos Lamacchia também atuarão como fiadores solidários das obrigações financeiras previstas na operação.
Venda ainda depende de outras etapas
Apesar do avanço, a venda ainda não está concluída. A operação depende da realização do processo competitivo e da aprovação judicial.
Além disso, os órgãos competentes, incluindo Anresf e CBF, terão de analisar a operação. O negócio também depende da conclusão da due diligence e da solução do acordo entre o Vasco e a 777 Carioca LLC.
Outro ponto importante está relacionado ao prazo. Caso a operação não seja concluída até 30 de setembro de 2026, a Almirante poderá prorrogar o prazo ou desistir do negócio sem sofrer penalidades.
Almirante fez alterações na proposta
Após manifestações da Justiça e do Ministério Público do Rio de Janeiro, a Almirante apresentou uma emenda à proposta original.
Entre as mudanças, está a criação de um seguro bancário de R$ 324 milhões, valor correspondente à dívida da SAF dentro da recuperação judicial.
Além disso, a empresa prevê a conversão do empréstimo DIP de R$ 150 milhões em sinal de compra e a renúncia ao valor caso um terceiro vença o processo competitivo.
A proposta também inclui a renúncia ao vencimento antecipado do empréstimo de R$ 40 milhões realizado em julho deste ano. Somam-se a isso a garantia de que a Almirante não venderá suas ações nem distribuirá dividendos durante 10 anos.
Outro compromisso prevê a antecipação de um biênio, limitada a R$ 27 milhões.
Lamacchia é favorito para assumir o Vasco
O Vasco já realizou uma primeira fase de disputa pela nova SAF no fim de 2024. Naquela ocasião, até o empresário grego Evangelos Marinakis apareceu entre os interessados.
Agora, porém, a situação é diferente. Segundo o entendimento interno em São Januário, outros grupos dificilmente apresentarão propostas até o leilão de 25 de setembro.
Dessa forma, a tendência é que a Almirante Participações permaneça como favorita para assumir 90% da Nova SAF do Vasco.
Depois da audiência definitiva, a proposta de Marcos Lamacchia ainda precisará passar pelas instâncias internas do clube. O Conselho Deliberativo e os demais órgãos competentes terão papel importante antes da conclusão definitiva da operação.
Assim, o Vasco se aproxima de uma das decisões mais importantes de sua história recente. Se o plano avançar, o clube poderá receber R$ 500 milhões diretamente no futebol, além de investimentos expressivos no CT e nas categorias de base.