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Diamantes ajudaram a enriquecer essa cidade mineira, que fica a 1.114 metros de altitude e hoje transforma suas sacadas em palco para apresentações musicais
Diamantes ajudaram a construir a história local.
Encravada na Serra do Espinhaço, a 292 km de Belo Horizonte, Diamantina combina ladeiras, casarões coloniais e uma história marcada pela exploração de diamantes. Dentro da própria cidade mineira, o relevo cria uma diferença de altitude de até 150 metros. O município também carrega a memória de personagens como Juscelino Kubitschek e Chica da Silva, enquanto a tradição musical continua presente nas ruas, com músicos que, aos sábados, tocam das janelas do antigo casario.
Como Diamantina se tornou uma cidade que Portugal tentou manter sob controle?
Antes de ganhar importância com os diamantes, o antigo Arraial do Tijuco surgiu por volta de 1722 como um acampamento de garimpeiros. A descoberta das pedras preciosas, em 1729, mudou completamente o destino da região, que se transformou na maior produtora de diamantes do mundo ocidental durante o século XVIII. Diante da riqueza extraída dali, Portugal estabeleceu, em 1734, a Intendência dos Diamantes, criando um rígido sistema de fiscalização e controle sobre a atividade mineradora.
A importância histórica desse período permanece registrada no conjunto arquitetônico da cidade. O centro histórico recebeu tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938 e, em dezembro de 1999, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Cultural da Humanidade. Segundo o IPHAN, Diamantina representa um dos exemplos mais completos da adaptação do aventureirismo e do refinamento europeu à realidade das Américas.

Como montar um roteiro de três dias por Diamantina?
Conhecer o centro histórico de Diamantina é uma experiência que combina caminhada e arquitetura, já que as principais atrações ficam concentradas em uma área relativamente pequena. A Rua da Quitanda e o Beco da Tecla funcionam como referências para circular entre casarões, igrejas, museus e mirantes sem precisar percorrer grandes distâncias.
- Casa de Chica da Silva: casarão do século XVIII que pertenceu à mulher negra liberta que se casou com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, considerado o homem mais rico do Brasil colonial.
- Casa de Juscelino Kubitschek: antigo sobrado de pau a pique onde JK viveu durante a infância e a adolescência, atualmente transformado em museu com documentos e objetos pessoais.
- Casa da Glória: conjunto de dois sobrados unidos pelo famoso passadiço azul, que hoje abriga o Centro de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
- Museu do Diamante: reúne peças relacionadas à Real Extração e objetos ligados ao período de exploração dos diamantes.
- Mercado Velho: construção do século XIX criada para atender aos tropeiros, atualmente ocupada por uma feira aos sábados e apresentações de seresta durante a noite.
- Catedral Metropolitana de Santo Antônio e Igreja de Nossa Senhora do Carmo: exemplares do barroco preservado da cidade, incluindo um órgão histórico utilizado ainda hoje em concertos.
- Cruzeiro da Serra: ponto elevado com visão panorâmica de 360 graus para o conjunto de casas históricas e o pôr do sol sobre o Vale do Jequitinhonha.
Por que a Vesperata virou o grande espetáculo de Diamantina?
Muito antes de se transformar em atração turística, a tradição musical já fazia parte das noites de Diamantina. No século XIX, durante as vésperas litúrgicas católicas, músicos ocupavam as sacadas dos casarões para tocar. A prática atravessou gerações e hoje ganha outra dimensão, com o público acomodado nas mesas da Rua da Quitanda enquanto os músicos executam as peças das varandas coloridas.
O calendário da Vesperata, reconhecida como Patrimônio Cultural de Minas Gerais em 2016, prevê apresentações em sábados específicos entre abril e outubro, conforme programação oficial da Prefeitura. Os ingressos são comercializados pelo site oficial e costumam se esgotar rapidamente. Nos fins de semana de concerto, a Secretaria de Turismo de Minas Gerais também relaciona outras atividades, como concertos em igrejas, sarau na São Francisco de Assis e a feira do Mercado Velho nas manhãs de sábado.
Como Niemeyer foi parar no meio de um conjunto colonial do século XVIII?
Uma das características mais incomuns de Diamantina está no encontro entre dois estilos separados por mais de um século. Enquanto as ruas de pedra e os casarões remetem ao período colonial, a cidade também abriga construções modernistas projetadas por Oscar Niemeyer a pedido de seu amigo Juscelino Kubitschek. Os três projetos foram realizados durante a década de 1950.
A encomenda resultou no Hotel Tijuco, na Escola Estadual Júlia Kubitschek e na antiga Faculdade Federal de Odontologia, que atualmente integra o campus da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Essa combinação faz de Diamantina o único núcleo colonial reconhecido pela UNESCO no Brasil que também reúne obras modernistas assinadas por Niemeyer.
Quais pratos representam a cozinha de Diamantina?
A mesa de Diamantina carrega influências das antigas rotas de tropeiros e dos ingredientes encontrados no Vale do Jequitinhonha. A concentração de restaurantes na Rua da Quitanda e nos arredores do Mercado Velho facilita experimentar essa culinária, geralmente com valores mais baixos do que os encontrados em Ouro Preto.
- O Garimpeiro: restaurante da Pousada do Garimpo conhecido pelo bambá do garimpo, tutu acompanhado de costelinha, couve e angu.
- Recanto do Antônio: endereço de comida mineira tradicional preparada em fogão a lenha, localizado próximo ao centro histórico.
- Cantina do Marinho: opção para petiscos e cerveja gelada durante as noites de seresta.
- Apocalipse Point Café: estabelecimento tradicional da Praça Barão do Guaicuí, com funcionamento até mais tarde.
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Como é o clima em Diamantina ao longo do ano?
A altitude de 1.114 metros deixa a cidade fresca o ano inteiro. O período seco, de abril a setembro, coincide com a temporada da Vesperata e é o melhor para andar pelo centro histórico.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Diamantina?
A cidade fica a 292 km de Belo Horizonte pela BR-040 e BR-259, com trajeto médio de 4h30 de carro. Ônibus da Pássaro Verde saem da Rodoviária de BH várias vezes ao dia.
Para quem vem de mais longe, o Aeroporto de Confins é o mais próximo, e há voos regionais para o Aeroporto de Diamantina, a 30 km do centro histórico.
Suba a serra e conheça o Diamante do Sertão
Diamantina é o tipo de cidade que precisa ser andada devagar, com tempo para ouvir uma seresta no meio da tarde e olhar para as sacadas coloridas até o sol descer. Aqui o Brasil colonial não virou cenário: ainda funciona.
Você precisa passar pelo menos três dias em Diamantina e reservar um sábado de Vesperata para entender por que essa cidade recebeu o selo da UNESCO.