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Fundada em 1535, esta é a cidade mais antiga do Espírito Santo e guarda um convento no alto de um penhasco de 154 metros

Quase 500 anos depois da fundação, esta cidade ainda preserva o local.

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Fundada em 1535, esta é a cidade mais antiga do Espírito Santo e guarda um convento no alto de um penhasco de 154 metros

Poucas cidades brasileiras podem se apresentar como a primeira vila fundada no seu estado. Fundada em 23 de maio de 1535 pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho, Vila Velha é a cidade mais antiga do Espírito Santo, o berço da colonização capixaba e um dos assentamentos portugueses mais antigos do litoral brasileiro. Fica a apenas 6 km de Vitória, tem 32 km de litoral, um convento do século XVI erguido sobre um penhasco e a fábrica de uma das marcas de chocolate mais tradicionais do país.

Como Vila Velha se tornou o berço da colonização capixaba?

A cidade nasceu num domingo de Pentecostes de 1535, quando Vasco Fernandes Coutinho desembarcou na atual Prainha, a bordo da caravela Glória, com 60 colonos. O povoado recebeu o nome de Vila do Espírito Santo em referência à data litúrgica, e a fundação aconteceu no mesmo ano que Santos e Olinda, 14 anos antes da criação de Salvador. A capitania foi uma das primeiras da Coroa Portuguesa no litoral brasileiro.

Por volta de 1549, os conflitos frequentes com os indígenas tupinambás levaram os colonizadores a transferir a capital para a Ilha de Vitória, em busca de terreno mais defensável. A vila original passou a ser chamada de “velha” em contraposição à nova capital, e o nome pegou definitivamente. O Sítio Histórico da Prainha, no centro atual, preserva o local exato do primeiro desembarque português no Espírito Santo.

Com convento de 1558, a cidade histórica combina charme antigo e tecnologia urbana de alta qualidade
A qualidade de vida no município é uma das mais altas do estado, atraindo quem busca serviços de capital com a brisa do mar. / Créditos: depositphotos.com / losak.napior

Por que o Convento da Penha virou o principal cartão-postal capixaba?

A construção começou em 1558 quando o frade espanhol Pedro Palácios chegou à Prainha e iniciou o levantamento de uma pequena ermida no alto de um penhasco de 154 metros de altitude. Ao longo dos séculos, a estrutura foi ampliada até se tornar o convento atual, um dos monumentos religiosos mais antigos do Brasil. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1943, o complexo oferece uma das vistas panorâmicas mais completas do litoral capixaba, com a baía de Vitória, o mar e as montanhas do interior emoldurando o horizonte.

Segundo o Portal Descubra o Espírito Santo, do Governo do Estado, a Festa da Penha acontece anualmente uma semana após a Páscoa e é a maior romaria religiosa do Espírito Santo. Milhares de fiéis fazem a subida do penhasco a pé, muitos deles descalços ou de joelhos, cumprindo promessas seculares. A festa está entre as maiores celebrações religiosas do Brasil e movimenta hoteis, restaurantes e o comércio da região metropolitana no período.

Quais são as melhores praias de Vila Velha?

Os 32 km de litoral estão distribuídos em uma orla contínua, com praias urbanas conectadas por calçadão e ciclovia. Cada uma tem um perfil próprio, e as principais ficam a poucos minutos umas das outras.

  • Praia da Costa: a mais famosa e movimentada, com calçadão urbanizado, quiosques, bares e infraestrutura completa; boa para caminhadas e surfe.
  • Praia da Sereia: no final da Praia da Costa, sem ondas, ideal para caiaque, stand up paddle e mergulho de superfície.
  • Praia de Itapoã: procurada por moradores para caminhadas, esportes e lazer em família, com boa faixa de areia.
  • Praia de Itaparica: orla moderna com quiosques variados e intensa vida noturna, aguas ideais para banho e esportes náuticos.
  • Barra do Jucu: reduto da cultura capixaba, com restaurantes de moqueca e a tradição do Congo, ritmo musical típico do Espírito Santo.
  • Praia Secreta: cenário mais tranquilo cercado por formações rochosas, procurada por quem busca contato com a natureza.

O que ver além do Convento da Penha e das praias?

A cidade guarda uma rede de atrações históricas e culturais que complementam bem o roteiro de praia. Vale reservar pelo menos um dia inteiro para o circuito histórico da Prainha e do entorno.

  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário: construção iniciada em 1551, uma das mais antigas ainda em funcionamento no Brasil, no coração da Prainha.
  • Farol de Santa Luzia: em funcionamento desde 1871, guia da navegação na costa capixaba, com vista privilegiada do topo.
  • Morro do Moreno: mirante natural com trilha de dificuldade moderada, um dos melhores pontos para o pôr do sol na região metropolitana.
  • Pedra da Sereia: formação rochosa entre a Praia da Costa e a Praia da Sereia, mirante natural para o litoral inteiro.
  • Fábrica da Garoto: sede da tradicional marca de chocolates, com visita agendada à unidade produtiva e loja fábrica.
  • Museu Vale: espaço cultural em antiga estação ferroviária, com exposições de arte contemporânea e programação gratuita.
Créditos: depositphotos.com / [email protected]

O que comer em Vila Velha?

A gastronomia capixaba tem no peixe e nos frutos do mar sua base principal, com destaque para pratos preparados em panelas de barro artesanais e temperos regionais. Barra do Jucu é o principal endereço para provar a cozinha tradicional.

  • Moqueca capixaba: preparada em panela de barro com peixe, tomate, cebola, coentro, azeite e urucum; sem leite de coco ou dendê, diferentemente da versão baiana.
  • Torta capixaba: prato típico da Semana Santa, com frutos do mar, ovos, azeitona e temperos regionais, assado na panela de barro.
  • Caranguejada: caranguejos cozidos servidos inteiros, tradição dos restaurantes da Praia de Itaparica.
  • Peixe frito da Prainha: servido em quiosques à beira-mar, geralmente acompanhado de pirão e arroz.
  • Chocolate Garoto: a fábrica original está na cidade, e a loja fábrica vende produtos exclusivos e edições limitadas.

Leia também: Desenhada rua por rua antes de existir: a cidade que nasceu de um decreto de Getúlio Vargas em 1941 e abriga uma usina famosa pela produção de aço no Brasil.

Como é o clima de Vila Velha ao longo do ano?

Vila Velha tem clima tropical litorâneo, com verões quentes e úmidos e invernos amenos com dias frescos. O sol aparece o ano todo, e as pancadas de chuva costumam ser rápidas e concentradas nas tardes de verão.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 23-31°C
Chuva: Alta
Praia da Costa e Praia de Itaparica.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 21-29°C
Chuva: Média
Festa da Penha e Sítio Histórico da Prainha.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 18-27°C
Chuva: Baixa
Convento da Penha e Morro do Moreno.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 20-29°C
Chuva: Média
Barra do Jucu e Fábrica da Garoto.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Vila Velha?

Vila Velha fica a apenas 6 km de Vitória, com acesso rápido pela Terceira Ponte que liga as duas cidades sobre a baía. O Aeroporto Internacional Eurico de Aguiar Salles, em Vitória, é o mais próximo, a cerca de 10 km do centro de Vila Velha, com voos regulares das principais capitais brasileiras. Por terra, o acesso é feito pela BR-101 vindo do Rio de Janeiro (cerca de 520 km) ou de Salvador (cerca de 1.200 km). Ônibus regulares operam a rodoviária local a partir das principais capitais do Sudeste e do Nordeste.

Vá à Prainha e conheça o primeiro chão colonizado do Espírito Santo

Vila Velha é o tipo de destino que combina história de quase cinco séculos com uma orla urbana de infraestrutura completa. O Sítio Histórico da Prainha, a Igreja do Rosário e o Convento da Penha guardam o registro do primeiro núcleo português do estado, enquanto a Praia da Costa, a Praia de Itaparica e Barra do Jucu oferecem opções para todos os perfis de banhistas. Some a isso a Festa da Penha, a moqueca capixaba servida em panela de barro e a proximidade imediata de Vitória, e fica claro por que a cidade recebe fluxo turístico o ano inteiro.

Você precisa reservar pelo menos três dias em Vila Velha, subir os 154 metros até o Convento da Penha e caminhar pela orla da Praia da Costa para entender por que a cidade mais antiga do Espírito Santo virou um dos principais destinos litorâneos do Sudeste brasileiro.