Turismo
Colheita de frutas nativas raras transforma o turismo rural e atrai visitantes em busca de sabores autênticos e esquecidos
Com início na primavera, o projeto valoriza o contato direto com a terra; veja como funciona a dinâmica nas propriedades que abrem as portas
O aroma doce e levemente cítrico no ar se intensifica ao toque. A casca fina, de um alaranjado vibrante, parece quase aveludada sob os dedos. Com uma leve torção, a fruta se solta do galho e revela uma polpa suculenta. Essa cena de turismo rural se repete em propriedades do interior de São Paulo e Minas Gerais no início da primavera de 2026.
Longe das prateleiras dos grandes mercados, um novo roteiro de turismo ganha força. A proposta convida visitantes a colher frutas nativas raras diretamente do pé. Além disso, a experiência une gastronomia, natureza e conhecimento sobre a biodiversidade brasileira.
O que é o turismo de pomar?
O modelo, também conhecido como “colha e pague” experiencial, permite que os turistas explorem os pomares com guias ou com os próprios agricultores. Durante o passeio, eles não apenas colhem as frutas, mas também aprendem sobre o cultivo, as características de cada espécie e as melhores formas de consumo.
Nesse formato, o foco recai sobre espécies pouco conhecidas do grande público, como a uvaia, o cambuci, a grumixama e o araçá-boi. Assim, a proposta vai além da simples compra e transforma a aquisição do alimento em uma vivência sensorial e educativa.
Quais propriedades oferecem essa colheita?
No sul de Minas Gerais e em roteiros como o Circuito das Frutas de São Paulo, diversas fazendas e sítios já estruturaram seus passeios. Por exemplo, o Parque Maeda, em Itu (SP), já ganhou reconhecimento pelas temporadas de colheita. Ao mesmo tempo, iniciativas de turismo rural em cidades como Brumadinho (MG) também valorizam a produção local.
Além disso, a busca por atividades ao ar livre e por uma alimentação mais consciente, intensificada no período pós-pandemia, impulsionou o turismo rural, segundo dados e tendências observados por órgãos como o Ministério do Turismo. Nesse cenário, propriedades familiares e pequenos produtores encontraram na atividade uma nova fonte de renda e uma maneira de valorizar a cultura local.
Essas frutas raras são seguras para consumo?
Sim, desde que o visitante faça a colheita em ambiente controlado e siga as orientações dos responsáveis. Afinal, o receio de consumir uma fruta desconhecida é legítimo. Por isso, o turismo de pomar oferece acompanhamento para ajudar na identificação das espécies e no reconhecimento do ponto adequado de maturação.
A recomendação de órgãos como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reforça esse cuidado: nunca consuma frutas silvestres sem ter certeza da identificação. Nesse contexto, o guia ajuda o visitante a reconhecer as espécies e proporciona uma experiência mais segura e educativa.
Por fim, a proposta transforma a colheita em parte da experiência. O visitante conhece a fruta, entende sua origem e conecta o paladar à história do lugar.