Herança em risco: familiar acredita ter direito garantido por lei mas se surpreende ao encontrar contrato antigo que altera composição total dos bens a dividir - Super Rádio Tupi
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Herança em risco: familiar acredita ter direito garantido por lei mas se surpreende ao encontrar contrato antigo que altera composição total dos bens a dividir

a regra da sucessão nem sempre segue o caminho esperado; veja como documentos antigos podem reduzir o valor final que vai para o inventário

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Aposentado ou herdeiro direto enfrenta surpresa com patrimônio após descobrir que documentos de cartório possuem obrigações sobre bens específicos
Créditos: depositphotos.com / BrianAJackson

A perda de um familiar é um momento delicado e, além disso, as regras de sucessão podem tornar o processo ainda mais complexo. Embora a lei estabeleça uma ordem para a herança, documentos antigos registrados em cartório, como contratos e doações, podem criar obrigações inesperadas sobre bens específicos. Por isso, esses registros podem alterar a composição do patrimônio que os herdeiros vão dividir.

O que a lei diz sobre a herança sem testamento?

Quando uma pessoa falece sem deixar um testamento, os herdeiros seguem a chamada “ordem de vocação hereditária”, prevista no Código Civil (artigos 1.829 a 1.844). Essa sequência funciona como uma fila de prioridade. Assim, uma classe de herdeiros só entra na sucessão quando não existe ninguém na classe anterior.

A ordem é a seguinte:

  1. Descendentes (filhos, netos) em concorrência com o cônjuge sobrevivente.
  2. Ascendentes (pais, avós) em concorrência com o cônjuge.
  3. Cônjuge sobrevivente, caso não existam descendentes ou ascendentes.
  4. Parentes colaterais até o quarto grau, como irmãos, sobrinhos, tios e primos.

No entanto, a sucessão exige atenção a alguns detalhes. A presença de um herdeiro na primeira classe, como um filho, pode afastar as classes seguintes, como pais, avós e parentes colaterais. Além disso, a participação do cônjuge depende das regras do Código Civil e do regime de bens do casamento.

Documentos que podem redefinir a partilha

Embora a ordem de herdeiros siga critérios legais, a composição do patrimônio pode sofrer alterações por causa de disposições contratuais anteriores. Nesse caso, não significa que o documento retire o direito de um filho. Na prática, determinadas obrigações podem acompanhar um bem específico e influenciar a partilha.

Alguns documentos que podem impactar a herança incluem:

  • Contratos de compra e venda: cláusulas específicas registradas na escritura de um imóvel podem estabelecer condições ou obrigações que continuam após a morte do proprietário.
  • Doações com encargos: uma pessoa pode receber um imóvel por meio de doação com a obrigação de realizar determinada ação. Caso ela não cumpra o encargo, a situação pode gerar consequências previstas no negócio jurídico, inclusive a possibilidade de devolução do bem em determinadas circunstâncias.
  • Pactos antenupciais: o regime de bens escolhido antes do casamento define quais bens entram na comunhão e quais permanecem particulares. Dessa forma, o pacto pode influenciar diretamente a composição do inventário.

Por fim, sem um testamento que organize e esclareça a vontade do falecido, os documentos e negócios jurídicos anteriores continuam relevantes para a sucessão. Por isso, o planejamento sucessório pode ajudar a organizar o patrimônio e reduzir disputas, sempre dentro dos limites estabelecidos pela legislação.