Em 1966, dois cães enfrentaram uma missão de 21 dias no espaço para estudar os efeitos de voos prolongados e acabaram estabelecendo um recorde canino que permanece até hoje - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Em 1966, dois cães enfrentaram uma missão de 21 dias no espaço para estudar os efeitos de voos prolongados e acabaram estabelecendo um recorde canino que permanece até hoje

Dois cães voltaram vivos após quase 22 dias em órbita, mas precisaram se recuperar dos efeitos físicos da viagem espacial

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Em 1966, dois cães enfrentaram uma missão de 21 dias no espaço para estudar os efeitos de voos prolongados e acabaram estabelecendo um recorde canino que permanece até hoje
Veterok e Ugolyok passaram quase 22 dias no espaço em 1966. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Em 1966, Veterok e Ugolyok partiram a bordo da nave soviética Kosmos 110 para uma missão incomum: permanecer em órbita por cerca de três semanas. Os pesquisadores queriam observar como um voo prolongado afetaria organismos vivos antes de enviar pessoas em viagens ainda mais longas. Os cães voltaram à Terra, mas o retorno também revelou o custo físico da experiência.

Quem eram os cães enviados na Kosmos 110?

Veterok e Ugolyok foram selecionados para uma missão planejada pela União Soviética. Seus nomes podem ser traduzidos aproximadamente como “brisa” e “pedacinho de carvão”. Eles foram lançados em 22 de fevereiro de 1966, anos depois de outros cães já terem demonstrado que era possível alcançar a órbita e retornar com vida.

Desta vez, a questão era a duração. Uma viagem de poucos dias não mostrava tudo o que poderia acontecer ao corpo durante uma permanência maior no espaço. Os dois animais seguiram em uma cápsula preparada para manter as condições necessárias à sobrevivência enquanto a nave percorria a órbita terrestre.

O que os pesquisadores queriam descobrir?

A missão reunia perguntas sobre os efeitos do voo prolongado e sobre o funcionamento dos sistemas da cápsula. Entre os pontos observados estavam:

  • As condições do ar dentro da nave ao longo dos dias;
  • Os efeitos da permanência em órbita sobre os cães;
  • A exposição à radiação em uma trajetória que alcançava regiões mais altas;
  • A capacidade da cápsula de sustentar uma missão longa e trazer seus ocupantes de volta.
Em 1966, dois cães enfrentaram uma missão de 21 dias no espaço para estudar os efeitos de voos prolongados e acabaram estabelecendo um recorde canino que permanece até hoje
Veterok e Ugolyok passaram quase 22 dias no espaço em 1966. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Por que a viagem terminou antes do previsto?

O plano inicial previa uma permanência de 25 dias. Perto do fim da terceira semana, os responsáveis pela missão observaram uma piora gradual na composição do ar da cabine. Embora outros parâmetros ainda fossem considerados aceitáveis, a mudança levou a equipe a discutir se deveria manter os cães em órbita.

A decisão foi antecipar o retorno. Em 16 de março de 1966, a cápsula pousou e as equipes de recuperação encontraram Veterok e Ugolyok vivos. O voo durou quase 22 dias. Por isso, algumas descrições falam em 21 dias completos no espaço, enquanto outras arredondam a duração para 22 dias.

Como Veterok e Ugolyok estavam após o pouso?

Voltar com vida não significou voltar sem consequências. Os exames realizados depois da missão identificaram alterações físicas, e os cães precisaram de tempo para se readaptar à gravidade terrestre. Entre os efeitos relatados estavam:

Efeitos após longos períodos no espaço

Alterações que podem exigir adaptação no retorno à Terra

  • 1Perda de massa muscular;
  • 2Desidratação e redução de cálcio;
  • 3Dificuldade inicial para voltar a caminhar normalmente;
  • 4Necessidade de um período de recuperação após o retorno.

Que recorde os dois cães estabeleceram?

Veterok e Ugolyok realizaram o voo espacial mais longo já registrado para cães. O recorde canino permanece associado à Kosmos 110. A marca chama atenção porque foi alcançada em 1966, quando os programas espaciais ainda buscavam entender os efeitos de semanas em órbita sobre um organismo vivo.

A duração, porém, é apenas parte da história. A missão também mostrou que manter uma cápsula funcionando por semanas não bastava: era necessário acompanhar a qualidade do ar e compreender o que aconteceria com o corpo depois do pouso. Os resultados deram aos pesquisadores informações para avaliar os desafios de voos humanos prolongados.

Leia também: As 96 milhões de bolinhas pretas que Los Angeles jogou num reservatório para proteger a água potável do sol

O legado da missão vai além do tempo em órbita

A viagem de Veterok e Ugolyok ocupa um lugar marcante na história da exploração espacial. Os cães sobreviveram à longa permanência na Kosmos 110 e ao retorno à Terra, enquanto as dificuldades observadas na cabine e na recuperação ajudaram a mostrar os limites daquele experimento.

Hoje, o recorde continua sendo lembrado junto com uma questão inseparável dessas primeiras missões: o uso de animais para investigar riscos que ainda não eram compreendidos. A experiência de 1966 produziu dados sobre voos prolongados, mas também expôs o impacto que uma viagem desse tipo podia ter sobre seus ocupantes.