Saúde
Dia Mundial do Coração: especialistas explicam como reconhecer os principais sinais de um AVC e agir rapidamente
Sedentarismo e diabetes não afetam apenas o peito; entenda a conexão fatal com o cérebro e descubra o que muda na sua saúde após os 40 anos
As campanhas do Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira (29), também alertam para o acidente vascular cerebral (AVC). Isso porque coração e cérebro compartilham os mesmos fatores de risco, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e sedentarismo.
Além disso, alterações do ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial, podem favorecer a formação de coágulos que chegam ao cérebro. Segundo o Ministério da Saúde, o AVC causa cerca de 100 mil mortes por ano no Brasil e está entre as principais causas de incapacidade no país.
Atualmente, em torno de 85% dos casos são do tipo isquêmico, quando uma artéria cerebral fica bloqueada. Já os demais são hemorrágicos, causados pelo rompimento de um vaso sanguíneo.
Como reconhecer um AVC
O Ministério da Saúde recomenda o uso da sigla SAMU para memorizar os sinais mais comuns de um AVC. Dessa forma, o teste permite identificar rapidamente os sintomas e qualquer pessoa pode aplicá-lo:
- S de Sorria: peça para a pessoa sorrir. Em seguida, observe se um lado do rosto permanece imóvel ou parece torto.
- A de Abrace: peça que a pessoa levante os dois braços. Depois, verifique se um deles cai ou apresenta fraqueza.
- M de Música: solicite que a pessoa repita uma frase simples. Nesse momento, note se a fala soa enrolada ou confusa.
- U de Urgente: caso identifique qualquer um desses sinais, ligue imediatamente para o serviço de emergência 192.
Além desses sinais, o neurologista Gabriel Braga explica que o AVC se manifesta como a perda repentina de alguma função corporal e, na maioria das vezes, não provoca dor. Também podem surgir problemas de visão, tontura e dificuldade para caminhar, que são outros sinais de alerta. Mesmo assim, se os sintomas desaparecerem em poucos minutos, a avaliação médica continua fundamental. Isso porque pode se tratar de um ataque isquêmico transitório, que funciona como um aviso de que um AVC maior pode ocorrer.
O que fazer até o socorro chegar
Primeiramente, ligue para o SAMU no número 192. A equipe inicia o atendimento na própria ambulância e encaminha o paciente ao hospital adequado. Enquanto isso, siga estas orientações:
- Anote o horário em que os sintomas começaram.
- Não ofereça comida, água ou medicamentos, como aspirina.
- Se a pessoa vomitar ou ficar sonolenta, deite-a de lado para evitar engasgos.
- Afrouxe roupas apertadas e mantenha a pessoa em local seguro.
- Além disso, separe documentos e uma lista dos remédios que ela utiliza.
No AVC isquêmico, o tratamento principal é um medicamento trombolítico, que dissolve o coágulo. No entanto, ele só pode ser aplicado em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Em alguns casos, a equipe médica pode remover o coágulo por cateterismo, em um procedimento chamado trombectomia.
Por outro lado, os tipos de AVC exigem tratamentos distintos. Por isso, apenas um exame de imagem no hospital pode definir a abordagem correta. Consequentemente, medicar por conta própria pode agravar o quadro, enquanto esperar os sintomas passarem reduz as chances de tratamento. Assim, quanto mais cedo o paciente chegar a um hospital especializado, maiores serão as chances de sobrevivência com autonomia.