Entretenimento
Existem pessoas imunes ao câncer? Esses são os três perfis com menor risco; veja
Entenda como determinados perfis de pessoas ajudam a desvendar os mistérios da doença ao longo dos anos
Embora nenhum ser humano seja imune ao câncer, a ciência analisa três perfis que demonstram uma resistência extraordinária: pessoas com trissomia 21, centenários e portadores de mutações de alto risco que não desenvolvem tumores.
O risco de câncer aumenta com a idade, pois as células acumulam danos e os mecanismos de controle falham. No entanto, algumas pessoas desafiam essa lógica, levantando a questão: por que alguns indivíduos parecem mais resistentes à doença?
Pessoas com Trissomia 21
O caso de pessoas com síndrome de Down, que possuem uma cópia extra do cromossomo 21, é paradoxal. Essa condição altera o mapa de risco de câncer, aumentando a chance de certas leucemias na infância, mas oferecendo proteção contra muitos tumores sólidos.
Uma revisão publicada na “Frontiers in Oncology” aponta possíveis explicações, como a superexpressão de genes supressores de tumores, alterações no metabolismo, modificações na formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese) e aumento da morte celular programada (apoptose).
Um estudo sueco de 2025, divulgado no “British Journal of Cancer”, acompanhou 9.742 pessoas com a síndrome e observou que o risco de tumores sólidos em adultos era cerca de metade do registrado em um grupo de comparação.
Outra meta-análise de 2025, com 34.561 pessoas, revelou uma incidência de tumores sólidos significativamente menor. Para câncer de mama, o índice foi de 0,35 e para o de pulmão, 0,10, sugerindo que a explicação pode estar no próprio cromossomo 21.
Centenários
Pessoas que chegam aos cem anos também intrigam os pesquisadores. O envelhecimento é um dos principais fatores de risco para o câncer, mas as estatísticas mostram uma curva peculiar em idades extremas.
Uma análise na “Critical Reviews in Oncology/Hematology” indicou que a incidência e a mortalidade por câncer diminuem aproximadamente três vezes após os 90 anos. Os tumores diagnosticados nessa população também parecem ter um comportamento menos agressivo.
Esses dados, contudo, devem ser vistos com cautela. O “efeito de seleção do sobrevivente” pode explicar parte do fenômeno, pois quem atinge essa idade já possui uma combinação de fatores biológicos e ambientais favoráveis. Além disso, o subdiagnóstico é comum em idades avançadas.
Leia Mais
O grupo mais surpreendente do ponto de vista genético é o de pessoas que carregam mutações hereditárias ligadas a um risco muito elevado de câncer, mas que permanecem saudáveis por décadas.
Um exemplo é a síndrome de Li-Fraumeni, associada a uma variante do gene TP53, essencial na defesa contra o câncer. A proteína p53 funciona como um sistema de vigilância que interrompe a divisão de células com DNA danificado ou ativa sua morte.
Herdar uma variante defeituosa do TP53 aumenta drasticamente o risco de desenvolver tumores. No entanto, um banco de dados internacional com mais de 3.000 portadores dessas variantes identificou indivíduos que permaneceram livres de câncer ao longo da vida.
Grupos com resistência atípica ao câncer
Entenda como perfis específicos desafiam o avanço biológico da doença.
Possuem genes supressores de tumores mais ativos, reduzindo pela metade o risco de cânceres sólidos na fase adulta.
Apresentam uma queda drástica na mortalidade por câncer após os 90 anos e tumores com comportamento biológico menos agressivo.
Mesmo com variantes de alto risco (como no gene TP53), alguns indivíduos permanecem livres da doença por toda a vida.