Economia
Idosa de 87 anos é retirada de casa, onde viveu por mais de 70 anos, caso provoca protestos e governo anuncia medidas contra despejos até 2030
Após deixar de maca a casa onde viveu por mais de 70 anos, idosa de 87 anos pode retornar por acordo negociado
Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi retirada do apartamento onde viveu por mais de sete décadas, em Madri, na Espanha. O despejo provocou protestos e levou a discussão sobre aluguel, vulnerabilidade e direito à moradia ao centro do debate político. Após a mobilização, o governo espanhol anunciou medidas de proteção habitacional com alcance até 2030, enquanto uma negociação abriu caminho para a idosa retornar ao endereço.
Por que Maricarmen Abascal precisou deixar o apartamento?
A retirada aconteceu em 23 de setembro de 2026, no bairro de Retiro, por determinação judicial. A idosa saiu do imóvel em uma maca, numa cena que ampliou a indignação em torno do caso. O apartamento era sua residência havia mais de 70 anos, um período que transformou aquele endereço em referência de sua vida.
A disputa envolvia a continuidade da locação e uma elevação do aluguel após o encerramento da proteção do contrato antigo. O novo valor ficou fora de suas possibilidades financeiras. Para uma pessoa de 87 anos, encontrar outra moradia também envolve dificuldades de deslocamento, adaptação e manutenção dos vínculos com a vizinhança.
Como o despejo levou manifestantes às ruas de Madri?
Centenas de pessoas se mobilizaram na Puerta del Sol, uma das principais praças da capital espanhola. A situação da moradora passou a representar uma preocupação mais ampla: o risco de perder a casa quando o aluguel cresce além da renda disponível. Entre os pontos que ganharam espaço na mobilização estavam:
- Proteção de moradores vulneráveis diante de ordens de despejo;
- Continuidade dos contratos de aluguel para evitar saídas abruptas;
- Limites à pressão especulativa sobre imóveis residenciais;
- Acesso a alternativas de moradia compatíveis com a renda.

O que significa a proteção contra despejos até 2030?
O governo espanhol aprovou um pacote de medidas urgentes para enfrentar a crise habitacional. Uma das disposições prevê a suspensão de determinados despejos até 31 de dezembro de 2030, envolvendo pessoas vulneráveis sem alternativa de moradia. A aplicação depende dos requisitos legais e, nesse mecanismo, das características da entidade que pede a retirada.
Portanto, o prazo anunciado não representa uma proibição geral de todo despejo na Espanha. A proteção exige análise da situação do morador e do processo. O decreto também precisa passar pela validação do Parlamento, etapa decisiva para a continuidade das medidas aprovadas pelo Executivo.
Quais mudanças também podem alcançar os contratos de aluguel?
Além da suspensão de despejos em situações previstas, o pacote reúne instrumentos para dar mais estabilidade à locação residencial. A intenção é reduzir a exposição dos inquilinos a mudanças bruscas no custo ou na duração dos contratos. Entre as medidas estão:
Pontos que podem afetar contratos, reajustes e diferentes formas de locação
- 1Prorrogação extraordinária de determinados contratos de residência habitual;
- 2Limitação de reajustes anuais, conforme as condições estabelecidas na norma;
- 3Regras para aluguéis temporários e locação de quartos;
- 4Restrições a determinadas aquisições de imóveis por entidades com atuação especulativa.
A idosa poderá voltar à casa onde viveu por décadas?
Maricarmen Abascal aceitou uma proposta preliminar para retornar ao apartamento. Segundo sua advogada, a negociação prevê permanência por oito anos e aluguel equivalente a aproximadamente 30% da aposentadoria, perto de 500 euros mensais. O valor aproxima o custo da moradia daquele que ela conseguia pagar anteriormente.
A aceitação da proposta é um avanço concreto, mas deve ser distinguida do retorno efetivo ao imóvel. A negociação individual também segue um caminho diferente da mudança legislativa: o acordo trata da residência da idosa, enquanto os decretos estabelecem mecanismos que podem alcançar outros moradores nas condições previstas.
Uma disputa por aluguel que colocou a permanência em casa no centro do debate
O caso de Maricarmen Abascal expôs o que uma ordem de despejo pode representar após décadas no mesmo endereço. A perda envolve o apartamento, mas também o acesso à vizinhança conhecida e às referências construídas durante a vida. A mobilização levou essas consequências para a discussão sobre proteção habitacional na velhice.
Agora, dois desdobramentos merecem atenção: a concretização do acordo de retorno e a tramitação parlamentar das medidas anunciadas. A proteção até 2030 dependerá do enquadramento de cada situação nas regras espanholas. Para a moradora, o resultado mais imediato será poder recuperar uma rotina no endereço que ocupou por mais de sete décadas.