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Em 1984, a NASA enviou cerca de 3.400 abelhas ao espaço para descobrir se elas conseguiriam construir favos sem gravidade, e o resultado surpreendeu os pesquisadores
Em 1984, a NASA levou cerca de 3.400 abelhas ao espaço para descobrir se elas conseguiriam construir favos em microgravidade
As abelhas no espaço enfrentaram um desafio diferente do encontrado em qualquer colmeia terrestre. Em abril de 1984, cerca de 3.400 operárias e uma rainha viajaram no ônibus espacial Challenger para um experimento de biologia. A NASA queria observar seu comportamento em microgravidade e descobrir se conseguiriam construir favos sem a referência de peso presente na Terra.
Como as abelhas foram levadas ao espaço?
A viagem aconteceu na missão STS-41C, lançada em 6 de abril e encerrada em 13 de abril de 1984. Os insetos permaneceram em um módulo próprio, chamado Bee Enclosure Module. A estrutura mantinha a colônia confinada e permitia acompanhar suas atividades durante aproximadamente uma semana em órbita.
O experimento fazia parte de um programa de participação estudantil da NASA e foi proposto por Dan Poskevich. A pergunta central envolvia a construção dos favos: seria possível preservar sua geometria em um ambiente tão diferente? Para responder, não bastava confirmar que os insetos sobreviveram. Era necessário analisar também as estruturas de cera produzidas durante o voo.
O que os pesquisadores pretendiam comparar?
Uma colônia mantida na Terra serviria de referência para avaliar as construções feitas em órbita. O planejamento previa acompanhar características dos favos e oferecer condições para que os insetos trabalhassem dentro do módulo. Confira abaixo os principais pontos dessa comparação:
- O tamanho e o formato das células;
- O volume disponível em cada cavidade;
- A estrutura das paredes de cera;
- A capacidade de construir durante a permanência no módulo;
- O comportamento da colônia diante da mudança de ambiente.

As abelhas conseguiram construir favos em microgravidade?
Sim. Durante a missão, a colônia produziu aproximadamente 200 centímetros quadrados de favos e armazenou solução açucarada nessa estrutura. A construção mostrou que a condição de microgravidade não impediu a realização dessa atividade. Os favos tinham aparência reconhecível, em vez de uma estrutura completamente desorganizada.
Na análise das células, medidas como profundidade, diâmetro e espessura das paredes foram semelhantes às encontradas nas referências terrestres. O resultado chamou atenção porque preservou aspectos importantes da geometria. Construir uma estrutura familiar, porém, não significou que todas as características ou todas as atividades da colônia permaneceram iguais.
Quais diferenças apareceram durante o experimento?
O início da adaptação trouxe dificuldades de voo, mas os insetos passaram a se movimentar melhor ao longo dos dias. Também surgiram diferenças na orientação das células. Confira abaixo os resultados que ajudam a compreender essa combinação de adaptação e alterações:
- As abelhas apresentaram dificuldades iniciais para voar no recinto;
- A movimentação melhorou durante a permanência em órbita;
- As células não mantiveram uma inclinação uniforme em relação ao módulo;
- A rainha colocou aproximadamente 35 ovos;
- Os ovos não eclodiram depois do retorno à Terra.

Estar em órbita significa ficar totalmente sem gravidade?
A expressão “sem gravidade” é comum, mas o termo adequado é microgravidade. A atração gravitacional da Terra continua atuando sobre o ônibus espacial. A nave e tudo dentro dela estão em queda livre enquanto percorrem a órbita, produzindo a sensação de ausência de peso. Para os insetos, isso modifica a referência habitual de cima e baixo, embora continuem existindo paredes, iluminação e superfícies de apoio.
Uma semana de construção trouxe respostas e deixou perguntas
O experimento demonstrou que as abelhas no espaço conseguiram produzir favos e manter várias características de suas células. Esse resultado abriu uma possibilidade concreta de comparação entre construção em órbita e na Terra. A quantidade de cera, a orientação das cavidades e a sobrevivência dos ovos precisavam ser avaliadas separadamente.
Construir favos não equivale a completar todo o ciclo de vida em órbita. A ausência de eclosão dos ovos deixou uma questão importante, enquanto diferenças ambientais, incluindo temperatura, limitavam conclusões sobre a gravidade isoladamente. A missão reuniu comportamento animal, organização da colônia e engenharia espacial para observar como uma atividade cotidiana da espécie respondia a condições fora da superfície terrestre.