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TDAH: sintomas se manifestam de forma diferente em crianças e adultos

Apesar de acompanhar o indivíduo ao longo da vida, o transtorno pode se apresentar de forma diferente conforme a idade

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O TDAH pode afetar crianças, adolescentes e adultos, com sinais e intensidades diferentes (Imagem: Phalexaviles | Shutterstock)

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) pode afetar crianças, adolescentes e adultos. Seus sintomas estão relacionados principalmente à atenção, ao controle dos impulsos e à regulação da atividade, mas nem todas as pessoas apresentam os mesmos sinais ou com a mesma intensidade.

Na infância, as dificuldades ficam mais evidentes em ambientes que exigem concentração, organização e cumprimento de regras, como na escola; na vida adulta, os sintomas aparecem de forma menos visível, ligados a desafios com prazos, compromissos, planejamento e administração das tarefas cotidianas.

“Os sintomas do TDAH não desaparecem necessariamente com o crescimento; o que muda é a forma como eles se manifestam e como interferem na rotina. Por isso, é importante considerar a etapa do desenvolvimento e o contexto em que os sintomas aparecem”, ressalta a neuropsicóloga e pós-doutora em Pediatria e Saúde da Criança, Profª. Drª Luciana Schermann Azambuja.

Hiperatividade evidente e inquietação interna

Em crianças, a hiperatividade normalmente se manifesta por movimento constante, dificuldade para permanecer sentada, inquietação e necessidade frequente de falar ou se movimentar. Mas nem toda criança com TDAH tem hiperatividade tão evidente, algumas demonstram principalmente desatenção, distração e dificuldade para acompanhar atividades que exigem concentração prolongada.

“A criança pode apresentar dificuldade para esperar sua vez, permanecer em uma atividade ou controlar respostas impulsivas, mas é fundamental observar a frequência desses comportamentos e se eles causam prejuízos em diferentes ambientes, não apenas em uma situação isolada”, explica a neuropsicóloga.

Mas, com a idade, a hiperatividade motora normalmente fica menos explícita; em adultos, aparece como uma sensação constante de inquietação, dificuldade para relaxar, necessidade de estar ocupado ou tendência a assumir várias tarefas ao mesmo tempo. A impulsividade também pode se manifestar em interrupções durante conversas, decisões precipitadas ou dificuldade para esperar. 

“Em adultos, a hiperatividade nem sempre aparece como correr ou levantar da cadeira. Pode ser percebida como uma inquietação interna, uma dificuldade persistente para desacelerar ou organizar o próprio ritmo”, afirma a Profª. Drª Luciana Schermann Azambuja.

Menina, usado camisa rosa, senta e cortado papel com uma tesoura
Na infância, os sinais do TDAH ficam mais evidentes em ambientes que exigem concentração, como a escola (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Exigências do ambiente influenciam

As manifestações do TDAH se tornam mais perceptíveis quando o ambiente exige habilidades que causam mais dificuldade para a pessoa. Na escola, isso pode ocorrer diante de tarefas longas, instruções com várias etapas ou necessidade de permanecer concentrado por períodos prolongados. Na vida adulta, o impacto aparece quando aumentam as responsabilidades profissionais, financeiras e familiares.

“É importante analisar não apenas os sintomas, mas também as demandas que a pessoa enfrenta. O mesmo padrão de dificuldade pode gerar consequências diferentes na infância e na vida adulta, dependendo do ambiente e do suporte disponível”, explica.

O diagnóstico considera a história e o funcionamento da pessoa

O diagnóstico do TDAH não deve ser baseado em um comportamento isolado ou em uma lista de sintomas preenchida sem avaliação clínica. É necessário considerar a persistência dos sinais, sua presença em mais de um contexto, o histórico de desenvolvimento e os prejuízos na vida cotidiana.

“Identificar o TDAH exige entender o contexto da pessoa, seus desafios e a forma como os sintomas interferem no cotidiano. O diagnóstico adequado permite construir estratégias de acompanhamento compatíveis com as necessidades de cada fase da vida, e a avaliação neuropsicológica é fundamental nesse contexto para identificar as causas desses comportamentos de forma mais assertiva”, conclui a Profª. Drª Luciana Schermann Azambuja.

Por Angela Rocha