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Bolsonaro, Lula, Dilma, Temer e FHC: entenda os principais escândalos dos últimos 5 presidentes do Brasil

Entenda quais foram os principais escândalos dos últimos cinco presidentes do Brasil, o que aconteceu em cada caso e quais foram os desfechos na Justiça

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Dilma, Bolsonaro, Lula e Temer. Foto: PT/Divulgação; depositphotos.com / celsopupo; Ricardo Stuckert / PR e Beto Barata/PR

Cansado das “fake news” na internet? Entenda os principais escândalos e polêmicas dos últimos cinco presidentes do Brasil. A seguir, relembre os principais episódios envolvendo Fernando Henrique Cardoso (FHC), Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

De suspeitas de irregularidades a denúncias de corrupção, impeachment e condenações por crimes contra a democracia, estes foram alguns dos episódios que marcaram os últimos governos presidenciais e provocaram debates políticos e jurídicos no país.

Presidentes do Brasil: principais polêmicas e desfechos judiciais

Presidente e períodoPolêmicaCondenação ou desfecho final
Jair Bolsonaro (2019–2022)Após perder a eleição de 2022, foi investigado por participação em trama para impedir a posse de Lula. As investigações também apontaram um suposto plano para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF o condenou a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, entre eles organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A defesa recorre; ele cumpre pena em prisão domiciliar por razões de saúde.
Lula (2003–2010)O Mensalão envolveu pagamentos a parlamentares e integrantes do governo. No caso do tríplex do Guarujá, Lula foi acusado de receber vantagens indevidas, embora o imóvel não estivesse registrado em seu nome.Lula não foi condenado no Mensalão. As condenações nos casos do tríplex e do sítio de Atibaia foram anuladas pelo STF em 2021 por incompetência da Justiça Federal de Curitiba; a decisão não julgou o mérito das acusações.
Michel Temer (2016–2018)Foi denunciado por corrupção passiva após gravações de conversas com o empresário Joesley Batista, da JBS.A Câmara dos Deputados rejeitou a autorização para prosseguimento da denúncia durante o mandato. Não houve condenação criminal no período presidencial.
FHC (1995–2002)Enfrentou acusações de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. Também enfrentou a crise de abastecimento de energia de 2001, que não constitui crime.Não houve condenação judicial de FHC pela suposta compra de votos.
Dilma Rousseff (2011–2016)Foi acusada de crimes de responsabilidade relacionados às pedaladas fiscais. O período também teve crise internacional, com queda dos preços das commodities.Sofreu impeachment em 2016 e perdeu o mandato, mas manteve os direitos políticos. O impeachment não foi condenação criminal.
Lula (2023–2026)Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi citado em investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo empresas, o INSS e órgãos públicos.Lulinha nega irregularidades e não foi condenado. Lula declarou que não se opõe à investigação e defendeu a apuração dos fatos; suspeitas investigadas não equivalem a culpa ou condenação.

FHC: entendendo as denúncias de compras de votos de parlamentares e crise do apagão

Foto: Reprodução/ TV Cultura

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002), uma das principais controvérsias foi a denúncia de compra de votos de parlamentares para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos.

Em 1997, reportagens da época e delações posteriores apontaram supostos pagamentos a deputados em troca de apoio à emenda. O caso, porém, nunca resultou em denúncia formal da Procuradoria-Geral da República nem em condenação judicial de FHC; portanto, trata-se de acusação não comprovada judicialmente, e não de um desfecho criminal.

Outra crise marcante foi o apagão de 2001, quando o país enfrentou dificuldades no abastecimento de energia elétrica e precisou adotar medidas de racionamento. A situação expôs problemas de planejamento e investimento no setor elétrico; a falta de chuvas nos reservatórios também contribuiu para a crise.

Bolsonaro: entendendo a desinformação na pandemia e prisão por tentativa de golpe de Estado

Ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Ton Molina/STF

A maior controvérsia envolvendo Jair Bolsonaro (2019–2022) surgiu após sua derrota na eleição de 2022. Bolsonaro questionou, sem apresentar provas capazes de sustentar suas alegações, a confiabilidade do sistema eleitoral e foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Segundo a investigação da Polícia Federal, o plano buscava impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder. As investigações também identificaram o documento conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Lula e do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, além da prisão e execução do ministro Alexandre de Moraes.

O governo foi marcado pela condução controversa da pandemia de Covid-19. O presidente minimizou repetidamente a gravidade da doença, questionou medidas de prevenção e promoveu medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Também houve críticas à condução das negociações para a compra de vacinas, considerada demorada frente a outros países.

Em janeiro de 2021, Manaus enfrentou uma crise de falta de oxigênio hospitalar. A CPI da Pandemia no Senado Federal investigou a atuação do governo federal, as negociações para a compra de vacinas e a promoção de tratamentos sem respaldo científico. O relatório final recomendou o indiciamento de Bolsonaro e outras pessoas, mas isso não equivale a uma condenação judicial.

Na educação, bloqueios de recursos provocaram protestos de estudantes e professores, especialmente em 2019. A reforma da Previdência de 2019 estabeleceu idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens na regra geral do Regime Geral de Previdência Social, além de alterar as regras de acesso aos benefícios. Apesar dos protestos, a medida foi defendida por alguns economistas como útil para equilibrar as contas públicas.

Lula: entendendo o mensalão e investigações da Lava Jato

Foto: Reprodução/FlowPodcast

Os governos de Lula foram marcados por diferentes desgastes políticos, entre eles o Mensalão, esquema de pagamentos a parlamentares que resultou em condenações de políticos, dirigentes partidários e empresários. Lula, porém, não foi réu nem condenado nesse julgamento. O caso foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, cujos registros podem ser consultados no portal oficial da Corte.

Anos depois, a Operação Lava Jato investigou desvios de recursos e pagamentos de propina envolvendo contratos da Petrobras e empresas privadas. Lula foi condenado em processos relacionados ao tríplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia, sob a acusação de ter recebido vantagens indevidas ligadas aos imóveis.

O tríplex não estava registrado em nome de Lula, e a acusação sustentava que ele seria o beneficiário do apartamento. Em 2021, o STF anulou as condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos; a decisão não analisou o mérito das acusações. No processo do tríplex, o STF também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro.

No atual mandato, iniciado em 2023, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, passou a ser investigado pela Polícia Federal em inquéritos autorizados pelo STF. As apurações tratam de suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo negócios com órgãos públicos. Lulinha nega irregularidades e não foi condenado. Lula afirmou que não usará o cargo para protegê-lo e que eventuais ilícitos deverão ser apurados e que não usará o cargo para protegê-lo; as suspeitas em investigação não equivalem a culpa ou condenação.

Temer: entendendo a gravação com Joesley Batista e denúncias de corrupção

Foto:Valter Campanato/Agência Brasil

Michel Temer assumiu a Presidência após o impeachment de Dilma e enfrentou forte desgaste político. Em 2017, uma gravação de conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS, tornou-se uma das maiores polêmicas de seu governo. Segundo a transcrição divulgada, Temer respondeu “tem que manter isso, viu?” ao ouvir o empresário falar sobre pagamentos para manter o ex-deputado Eduardo Cunha em silêncio. Ele nega a interpretação de que tenha dado aval aos pagamentos, e a integridade do áudio foi contestada por sua defesa e por peritos.

O episódio levou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a apresentar denúncia contra Temer por corrupção passiva. A Agência Câmara de Notícias registrou a denúncia e a repercussão entre os parlamentares. Em agosto de 2017, a Câmara dos Deputados rejeitou, por 263 votos a 227, a autorização para prosseguimento da denúncia durante o mandato presidencial; o caso ficou suspenso para análise posterior pela Justiça.

O governo também foi marcado pela aprovação da reforma trabalhista, que alterou regras da CLT, e pela Emenda Constitucional do Teto de Gastos, que limitou o crescimento das despesas primárias federais por 20 anos. As medidas foram defendidas como necessárias para reorganizar as contas públicas, mas criticadas por seus possíveis impactos sobre direitos trabalhistas e o financiamento de políticas sociais.

Na educação, restrições orçamentárias e dificuldades de financiamento provocaram preocupações em universidades e institutos federais. A reforma do ensino médio também gerou resistência de setores da comunidade escolar.

Dilma: entendendo a recessão econômica e o impeachment

Dilma Rousseff com cara séria
Dilma Rousseff. Foto: PT/Divulgação

Após um primeiro mandato ainda marcado por crescimento econômico e expansão de programas sociais, o segundo mandato de Dilma Rousseff (2015–2016) foi atingido por uma grave recessão. A crise resultou da combinação de fatores externos e internos.

No cenário internacional, a desaceleração da economia chinesa contribuiu para a queda dos preços de commodities, como minério de ferro e petróleo, importantes para as exportações brasileiras. Quando esses produtos ficam mais baratos, o país tende a receber menos pelas vendas ao exterior. No plano interno, também pesaram o desequilíbrio fiscal, a alta da inflação, a incerteza política, a operação Lava Jato e críticas à condução da política econômica.

O PIB brasileiro caiu 3,8% em 2015 e 3,3% em 2016, enquanto o desemprego aumentou e a crise política se intensificou. Segundo o IBGE, a economia recuou 3,8% em 2015 e 3,3% em 2016; a taxa média de desocupação subiu de 7,3%, em 2015, para 10,5%, em 2016.

Dilma também sofreu impeachment em 2016, sob a acusação de cometer crime de responsabilidade por operações fiscais conhecidas como “pedaladas fiscais” e pela edição de decretos de créditos suplementares sem a autorização legislativa considerada necessária. O processo terminou com a perda do mandato, mas sem a cassação dos direitos políticos da ex-presidente. O impeachment não foi uma condenação criminal. Os registros do julgamento estão disponíveis no Senado Federal.

O que concluir sobre qual foi o pior ou melhor governo?

As polêmicas políticas não contam toda a história de uma gestão, no entanto são importantes para entender a gravidade dos problemas de cada um. Inflação, crescimento econômico, pobreza e desigualdade também ajudam a compreender os resultados de cada período, embora sejam influenciados por decisões governamentais e fatores externos.

O correto é reunir os indicadores econômicos e sociais dos governos analisados, além dos escândalos, permitindo observar as mudanças ao longo do tempo sem reduzir a avaliação de cada presidente a um único episódio.