Economia
“O reboco da parede dele caiu em cima do meu carro”: proprietário tenta culpar a chuva, mas Justiça manda pagar R$ 8 mil
Desprendimento de argamassa decorrente de falta de conservação predial atrai o Artigo 937 do Código Civil, afastando a alegação de caso fortuito por chuva.
A omissão na manutenção periódica de fachadas prediais acarreta responsabilização civil direta por danos provocados a bens de terceiros. A Justiça Cível condenou o proprietário de um imóvel a pagar R$ 8.000,00 por avarias em um veículo atingido pelo desprendimento de reboco e argamassa, afastando a alegação defensiva de força maior por chuvas.
O que estabelece o Artigo 937 do Código Civil sobre a ruína de edifícios?
A responsabilidade do proprietário por fragmentos que se soltam de sua edificação é regida pelo Artigo 937 do Código Civil, que impõe o dever de indenizar pelos danos resultantes da ruína do prédio decorrente da falta de conservação manifesta.
Trata-se de hipótese de presunção de culpa do dono do imóvel, que tem o dever de guarda e fiscalização contínua de suas estruturas físicas. A deterioração de rebocos, telhados e marquises expostos à via pública ou a garagens vizinhas configura negligência manifesta perante a legislação civil.

Por que a alegação de temporal ou ventania não exclui a culpa do proprietário?
Os tribunais estaduais e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificaram que chuvas fortes e rajadas de vento não configuram caso fortuito ou força maior quando a estrutura já apresentava trincas, umidade ou desagregação prévia de argamassa.
Para entender por que a tese de culpa da natureza é rejeitada em juízo nesses acidentes, confira os fundamentos técnicos estruturados no card a seguir:
🏢 Inviabilidade da Tese de Força Maior
Como foi calculada a indenização de R$ 8 mil fixada na sentença?
O montante de R$ 8.000,00 contemplou os custos de funilaria, martelinho de ouro, repintura de capô e teto, além da substituição do para-brisa trincado pelos pedregulhos de cimento. O cálculo baseou-se na média de 3 orçamentos idôneos apresentados pelo autor da ação.
Caso o veículo seja utilizado como instrumento de trabalho (táxis ou motoristas de aplicativo), a condenação pode incluir os lucros cessantes correspondentes aos dias de oficina. A recusa em pagar voluntariamente atrai correção monetária e juros de mora a partir do evento danoso (Súmula 54 do STJ).
Quais medidas a vítima do acidente deve adotar no local do ocorrido?
A documentação visual imediata sem alterar a disposição dos escombros é a chave para comprovar a trajetória de queda do material da fachada. Remover os pedaços de cimento antes de fotografar prejudica a prova pericial.
Para garantir o ressarcimento integral dos reparos no Juizado Especial Cível, colha os seguintes registros no momento do sinistro:
- 📸 Fotos amplas e de detalhe: Fotografe o carro sob os pedregulhos e a parede descascada de onde o reboco se desprendeu.
- 🧾 Coleta de amostras: Guarde fragmentos da argamassa caída sobre a lataria como prova material de consistência e espessura.
- 👥 Testemunhas e Boletim de Ocorrência: Registre o boletim na Polícia Civil arrolando vizinhos que presenciaram o estrago.
Quais as principais dúvidas sobre queda de materiais e responsabilidade predial?
A identificação do responsável em condomínios com múltiplos proprietários e locatários gera dúvidas frequentes. Esclareça os principais pontos técnicos a seguir:
📋 Perguntas Frequentes
Esclarecimentos sobre danos por ruína e queda de objetos de prédios
O condomínio edilício responde diretamente como ente despersonalizado, rateando os custos da indenização entre todos os condôminos através de cota extra.
Sim, desde que a apólice inclua a cláusula de responsabilidade civil facultativa para danos materiais causados a terceiros por ruína ou queda de objetos.
A conservação de fachadas é dever legal do proprietário do imóvel, cuja omissão afasta alegações de eventos climáticos imprevisíveis. A prova material rápida assegura o ressarcimento integral dos danos de funilaria na esfera judicial.