Peter Gray, psicólogo, afirma: se você nasceu entre 1960 e 1980, fez parte da última geração que viveu uma infância feliz. "Acredito que as crianças de hoje são menos livres do que nunca", diz especialista - Super Rádio Tupi
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Peter Gray, psicólogo, afirma: se você nasceu entre 1960 e 1980, fez parte da última geração que viveu uma infância feliz. “Acredito que as crianças de hoje são menos livres do que nunca”, diz especialista

Psicólogo Peter Gray aponta uma mudança preocupante entre gerações.

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Peter Gray é simples: dar à criança afeto e, ao mesmo tempo, espaço para se virar sozinha. / Imagem ilustrativa

Uma infância solta, na rua até escurecer, resolvendo as próprias brigas sem adulto por perto, virou coisa rara. Para o psicólogo Peter Gray, de Boston, as crianças de hoje são as crianças menos livres da história recente, e ele liga essa perda de liberdade a algo preocupante: o aumento da ansiedade e da depressão entre os jovens.

Por que esse assunto incomoda tantos pais?

Qualquer pai ou mãe de hoje vive o mesmo aperto. De um lado, o desejo de proteger o filho de todo risco. De outro, a sensação incômoda de que, de tão vigiada, a criança quase não tem espaço para explorar, errar e aprender sozinha.

No meio disso vem a comparação com o próprio passado. Quem brincava na rua sem supervisão lembra daquela liberdade e se pergunta por que os filhos não a têm. É essa diferença de gerações que Peter Gray estuda, com dados, não com saudosismo.

É essa diferença de gerações que Peter Gray estuda, com dados, não com saudosismo. / Imagem ilustrativa

O que Peter Gray realmente defende?

A tese dele é específica, e vale citar com precisão. Gray mostra que o brincar livre, a brincadeira que a própria criança comanda, sem adulto dizendo o que fazer, caiu muito desde meados do século passado. E que essa queda caminha junto com a piora da saúde mental dos jovens.

Os pontos centrais do argumento:

1
O brincar livre despencou Desde cerca de 1955, a brincadeira sem supervisão adulta caiu de forma acentuada.
2
A ansiedade subiu junto No mesmo período, cresceram ansiedade, depressão e sensação de desamparo nos jovens.
3
O brincar ensina a lidar com a vida É brincando sozinha que a criança aprende a resolver problemas e controlar as emoções.

Por que a liberdade na brincadeira faz tanta diferença?

Porque é no brincar sem adulto no comando que a criança pratica ser gente. Quando ela mesma decide a brincadeira, combina as regras com os amigos e resolve os conflitos que surgem, está treinando habilidades que nenhuma aula ensina.

O que esse tipo de brincadeira constrói:

  • O senso de “eu consigo me virar”, que protege contra a ansiedade.
  • A capacidade de negociar e resolver briga sem um adulto de juiz.
  • A tolerância à frustração, treinada ao lidar com o tédio e os perrengues sozinho.

Segundo a pesquisa que Gray liderou sobre o tema, quando o adulto resolve tudo pela criança, ela não aprende a enfrentar as próprias dificuldades. A proteção excessiva, bem-intencionada, acaba tirando o treino que a deixaria mais forte.

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Então é só soltar as crianças como antigamente?

Não é tão simples, e aqui vale cuidado para não distorcer o que Gray diz. Ele não defende abandono nem falta de afeto, e o mundo mudou (mais trânsito, outras preocupações). A ideia não é copiar o passado, é recuperar o que ele tinha de bom. Veja a diferença:

Postura Como age Efeito
Autonomia com apoio O que Gray defende Deixa a criança brincar e se virar, mas acolhe quando ela precisa. Mais resiliência
Controle de cada passo Superproteção Vigia e resolve tudo, sem deixar espaço para o erro. Menos autonomia
Liberdade sem cuidado O outro extremo Solta a criança sem afeto nem atenção às emoções. Insegurança

Dá para devolver essa liberdade sem medo?

Dá, em pequenos passos. Não é pôr a criança na rua sozinha de uma vez, é ampliar aos poucos o espaço em que ela decide e se arrisca: brincar sem roteiro, ir até a casa do amigo, resolver um probleminha sem a gente intervir na hora. Gray chama isso de devolver autonomia.

Então aquela infância solta dos pais e avós, que parece perdida, não precisa voltar inteira para fazer bem. O recado de Peter Gray é mais simples: dar à criança afeto e, ao mesmo tempo, espaço para se virar sozinha é o que constrói um adulto capaz de aguentar o tranco. Este texto é informativo e não substitui orientação de um profissional.

💡 Curiosidade Peter Gray ajudou a fundar a Let Grow, uma organização que trabalha para devolver independência às crianças e combater o estilo de criação conhecido como “pais helicóptero”.