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Segundo a psicologia, quem balança a perna sem parar quando está sentado pode não estar apenas impaciente, mas usando o movimento para regular a ansiedade, manter a atenção e gastar a energia acumulada de um dia parado
Estudos com crianças e adultos ligam o movimento a mais atenção, e um experimento mostrou que mexer a perna protege a circulação de quem passa horas sentado
Sabe aquele colega que não para de balançar a perna na reunião, no ônibus ou na fila do posto de saúde? Para a psicologia, esse hábito pode ser mais do que impaciência. Estudos com sensores no corpo ligam a inquietação motora a momentos de mais atenção. Pesquisadores também investigam o papel dela na autorregulação da ansiedade e no alívio de quem passa horas sentado.
O que a psicologia diz sobre balançar a perna sentado?
Para a psicologia, balançar a perna é uma forma de inquietação motora que pode ter função, e não só um tique de quem está com pressa. Os pesquisadores chamam esse comportamento de fidgeting, termo em inglês para os pequenos movimentos repetidos que fazemos sem perceber, como bater o pé ou girar a caneta.
Na Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, a psicóloga Julie Schweitzer estuda o tema há anos. Em entrevista publicada pela UC Davis Health, ela afirma que há boas evidências de que esse mexer constante está associado a uma atenção melhor. Schweitzer levanta ainda outra hipótese: o movimento pode ter um papel de autorregulação emocional, que segue em estudo no laboratório dela.
Como a inquietação motora ajuda a manter a atenção?
A inquietação motora parece funcionar como um empurrão para o cérebro continuar ligado quando a tarefa fica longa. Um estudo publicado no periódico Child Neuropsychology acompanhou 44 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos com um sensor no tornozelo. Entre os 26 participantes com TDAH, o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o movimento foi mais intenso nas respostas certas de um teste.

O mesmo grupo repetiu a análise com 70 adultos com TDAH, em artigo da revista Frontiers in Psychiatry de 2024. Eles se mexeram mais nas respostas corretas e no fim do teste, quando o cansaço aperta. Os autores enxergam no movimento um mecanismo que compensa a queda de foco, mas avisam que o desenho do estudo não prova causa e efeito.
Quem gosta de entender os gestos do dia a dia encontra outra leitura curiosa no site. A matéria abaixo trata de um hábito parecido, desta vez de quem caminha.
Balançar a perna protege o corpo de um dia inteiro sentado?
Sim, pelo menos na circulação das pernas, segundo um experimento pequeno, mas curioso. No estudo publicado no American Journal of Physiology, 11 adultos jovens e saudáveis ficaram três horas sentados. Uma perna balançava durante um minuto a cada cinco, batendo o calcanhar, enquanto a outra ficava parada.
A perna imóvel perdeu parte da capacidade de dilatar a artéria, sinal de piora na função dos vasos. Na perna inquieta, essa função melhorou. Para quem passa o dia no escritório, atrás do balcão ou preso no trânsito da Avenida Brasil, o recado é simples: mexer o corpo de tempos em tempos faz diferença. O estudo envolveu poucas pessoas e ainda precisa ser confirmado em outros grupos.

Quando a perna inquieta pode ser sinal de ansiedade demais?
A perna inquieta merece atenção quando vem junto de tensão, preocupação exagerada e dificuldade de relaxar. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde explica que a ansiedade pode ajudar ou atrapalhar, conforme a intensidade. Ela vira problema quando prejudica o funcionamento mental ou físico da pessoa.
Nos transtornos de ansiedade, os sintomas são bem mais fortes que a preocupação comum do dia a dia. O órgão cita medo exagerado, sensação constante de que algo ruim vai acontecer e pensamentos que se repetem contra a vontade. Nesses casos, balançar a perna deixa de ser só um jeito de gastar energia e pode ser um dos sinais do corpo pedindo cuidado.
O que fazer quando a mania de balançar a perna incomoda?
Na maioria das vezes, basta respeitar o próprio ritmo. Schweitzer defende que o movimento seja aceito, e não motivo de vergonha, desde que não atrapalhe ninguém por perto. A pesquisadora também recomenda pausas de verdade, com alongamento ou uma caminhada, em vez de rolar a tela do celular.
Se a inquietação vier com tensão constante, medo exagerado ou preocupação que não passa, procure a unidade de saúde mais perto de casa. O Ministério da Saúde lembra que o tratamento pode envolver psicoterapia, remédio com receita ou os dois, e muita gente melhora em poucas semanas. Da próxima vez que a perna disparar, repare no que você está sentindo e cuide de você com carinho.
Para dar uma pausa na rotina, a cozinha também guarda seus truques. A matéria a seguir explica um deles.