Especialistas em psicologia explicam: “Quem lava o copo logo depois de beber água pode não ser obsessivo, mas alguém que evita deixar pendências pequenas virarem um peso” - Super Rádio Tupi
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Especialistas em psicologia explicam: “Quem lava o copo logo depois de beber água pode não ser obsessivo, mas alguém que evita deixar pendências pequenas virarem um peso”

Estudos sobre metas inacabadas e procrastinação ajudam a separar a praticidade de resolver tudo na hora dos rituais ligados ao TOC e à ansiedade

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Lavar o copo na hora costuma ser só um hábito prático de organização, e não sinal automático de TOC
Lavar o copo na hora costuma ser só um hábito prático de organização, e não sinal automático de TOC - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Tem gente que mal termina o último gole e já corre para a pia lavar o copo. Para quem vê de fora, parece mania. A psicologia, porém, ajuda a separar um hábito prático de um comportamento obsessivo-compulsivo. O que pesa não é o gesto em si, mas o motivo por trás dele e o espaço que ele ocupa na rotina.

Lavar o copo logo após beber água é sinal de TOC?

Na maioria das vezes, não. Lavar o copo na hora costuma ser só um costume de organização, e a diferença para o transtorno está na intensidade. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde define o TOC como uma ansiedade crônica. Ela provoca pensamentos e rituais repetitivos que a pessoa não consegue controlar.

A mesma página lembra que quase todo mundo já teve algum comportamento compulsivo na vida. O problema começa quando ele se repete a ponto de atrapalhar as tarefas do dia a dia. Entre os exemplos citados estão lavar as mãos inúmeras vezes e conferir dezenas de vezes se portas e janelas estão trancadas.

O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) vai na mesma linha. Para o órgão, os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo costumam consumir muito tempo e podem causar sofrimento significativo ou interferir na vida diária.

Por que pequenas pendências pesam tanto na nossa cabeça?

Porque a mente tende a manter objetivos inacabados rodando em segundo plano. Um estudo de psicologia do professor E.J. Masicampo saiu no periódico Journal of Personality and Social Psychology. Divulgada pela Universidade Wake Forest, a pesquisa mostrou que definir um plano concreto ajuda a tirar uma meta da cabeça.

Resolver uma tarefa de segundos na hora evita que a pendência fique rodando em segundo plano na mente
Resolver uma tarefa de segundos na hora evita que a pendência fique rodando em segundo plano na mente – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

“Quando um plano é feito, podemos parar de pensar naquele objetivo”, explicou o pesquisador. Segundo ele, a meta deixa de ficar flutuando na cabeça e distraindo a pessoa dos outros objetivos. Resolver na hora uma tarefa de segundos, como lavar um copo, leva essa lógica ao extremo: a pendência some antes mesmo de virar lembrete.

Nesse caso, o gesto tem função prática, e não de ritual. Quem quer entender o que a psicologia diz sobre o cérebro transformar ações repetidas em piloto automático encontra mais detalhes nesta matéria da Tupi.

Como a procrastinação e a ansiedade entram nessa história?

A procrastinação é o outro lado da moeda: em vez de resolver, a pessoa adia. Uma pesquisa da Universidade de Durham, no Reino Unido, acompanhou 379 universitários canadenses por cinco meses. Quem mais procrastinava relatou mais estresse, adoeceu com mais frequência e manteve menos hábitos saudáveis.

Para a professora de psicologia Fuschia Sirois, autora do estudo, adiar tarefas é resultado de uma gestão ineficaz das emoções. Não se trata de preguiça nem de má administração do tempo. Ou seja, a pilha de louça na pia pode ter mais a ver com o humor do dia do que com falta de disciplina.

Quando o gesto vira obrigação, causa sofrimento ou toma muito tempo, vale procurar um psicólogo ou psiquiatra
Quando o gesto vira obrigação, causa sofrimento ou toma muito tempo, vale procurar um psicólogo ou psiquiatra – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Já a ansiedade muda o sentido do gesto. No TOC, segundo o Ministério da Saúde, a obsessão é um pensamento que invade a mente. A compulsão é a necessidade de praticar um ato para aliviar a ansiedade gerada por ele. Por isso, a mesma atitude pode ser praticidade para um e ritual de alívio para outro.

Quando o hábito de resolver na hora pede ajuda profissional?

A hora de buscar ajuda chega quando o gesto deixa de ser escolha e vira obrigação. Se lavar copos, mãos ou a pia toma muito tempo, causa sofrimento ou trava outras tarefas, vale conversar com um psicólogo ou psiquiatra. O Ministério da Saúde reforça que só profissionais habilitados podem diagnosticar e indicar tratamento.

O transtorno obsessivo-compulsivo tem tratamento: a psicoterapia funciona comprovadamente, e os melhores resultados costumam vir da combinação com medicamentos, sempre com acompanhamento. Se o seu caso for só gostar da pia vazia, fica tranquilo e observa seus hábitos com carinho. E, se bater qualquer dúvida, conversa sem vergonha com um profissional de confiança.

Para seguir no assunto, a Tupi também mostrou o que a psicologia diz sobre quem prefere passar o aniversário como um dia comum.