John Cryan, neurobiologista: "Temos evidências de que o café, seja com cafeína ou descafeinado, transforma a microbiota e melhora a saúde mental e cognitiva." - Super Rádio Tupi
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Saúde

John Cryan, neurobiologista: “Temos evidências de que o café, seja com cafeína ou descafeinado, transforma a microbiota e melhora a saúde mental e cognitiva.”

Estudo da University College Cork publicado na Nature Communications acompanhou 62 adultos e viu efeitos diferentes do café comum e do descafeinado na memória e no humor

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Pesquisa liderada por John Cryan relaciona café, microbiota intestinal, humor e cognição
Pesquisa liderada por John Cryan relaciona café, microbiota intestinal, humor e cognição - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O café de todo dia faz mais do que espantar o sono. Uma pesquisa liderada pelo neurocientista John Cryan, da University College Cork, na Irlanda, mostrou que a bebida, com ou sem cafeína, altera a microbiota intestinal e tem relação com humor, estresse e memória. Para quem não abre mão do cafezinho, da Zona Sul à Baixada, o resultado ajuda a entender o que acontece no corpo depois da xícara.

O que o estudo de John Cryan descobriu sobre o café?

Os cientistas viram que o hábito de tomar café muda a composição e o funcionamento das bactérias do intestino. O trabalho saiu em 21 de abril de 2026 no periódico Nature Communications, conforme o registro do artigo no portal de pesquisa da University College Cork.

A equipe do centro APC Microbiome Ireland comparou 31 adultos que bebiam de três a cinco xícaras por dia com 31 que não tomavam café. Os bebedores tinham mais bactérias dos grupos Eggerthella e Cryptobacterium curtum, segundo o comunicado oficial da University College Cork.

Depois, quem consumia café ficou duas semanas sem a bebida e voltou a ela sem saber qual versão recebia. Metade tomou o café comum, e a outra metade, o descafeinado.

O estudo observou mudanças na microbiota com café comum e descafeinado
O estudo observou mudanças na microbiota com café comum e descafeinado – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Café com cafeína e descafeinado agem da mesma forma?

Não exatamente: as duas versões melhoraram o humor, mas cada uma teve efeitos próprios na cognição. Com a volta do café, os dois grupos relataram menos estresse percebido, menos sintomas de depressão e menos impulsividade, independentemente da cafeína.

A diferença apareceu nos testes de atenção e memória. O quadro a seguir resume o que a universidade divulgou sobre cada tipo de café.

Café comum x descafeinadoESTUDO UCC
Efeitos observados após a volta ao café, segundo a University College Cork
Tipo de café Efeito relatado
Com cafeína Menos ansiedade, mais vigilância e atenção e menor risco de inflamação
Descafeinado Melhora no aprendizado e na memória

Os pesquisadores atribuem o ganho de memória do descafeinado a outros compostos do grão, como os polifenóis. Em comunicado, John Cryan afirmou que o café é mais do que cafeína e que as duas versões influenciam a saúde de formas distintas, mas complementares.

Esse efeito do café sobre o intestino e o humor já foi assunto por aqui. A matéria abaixo detalha os compostos da bebida ligados a esse processo.

Como a microbiota intestinal conversa com o cérebro?

A comunicação acontece pelo eixo intestino-cérebro, uma rede de sinais de mão dupla entre as bactérias do intestino e o sistema nervoso. Os micróbios produzem substâncias, os metabólitos, que podem influenciar inflamação, humor e comportamento.

Os resultados não justificam exageros nem comprovam que o café previne doenças
Os resultados não justificam exageros nem comprovam que o café previne doenças – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

No ponto de partida, os bebedores tinham menos GABA, um neurotransmissor, e menos ácido indol-3-propiônico, um metabólito ligado às bactérias. Também mostravam mais impulsividade e reatividade emocional, enquanto os não bebedores foram melhor nos testes de memória.

Parte dessas diferenças sumiu durante a pausa, e a volta do café alterou a microbiota intestinal rapidamente, mesmo sem cafeína. Para Cryan, a bebida pode mudar o que os micróbios fazem em conjunto e quais metabólitos eles usam.

O cafezinho de todo dia deve mudar depois da pesquisa?

Não: a pesquisa reforça que o consumo moderado pode trazer benefícios, mas não autoriza exageros. A amostra é pequena, com 62 pessoas. O trabalho teve patrocínio do Institute for Scientific Information on Coffee (ISIC). Os dados indicam caminhos possíveis no eixo intestino-cérebro, não cura nem prevenção de doenças.

Segundo a universidade, a faixa de três a cinco xícaras por dia é considerada moderada e segura para a maioria das pessoas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. Quem tem alguma condição de saúde ou usa medicamentos deve conversar com o médico sobre a dose. Que tal reparar, na próxima xícara, como o seu cafezinho mexe com o seu dia?

Quais dúvidas ainda cercam o café e a saúde do intestino?

Algumas dúvidas aparecem sempre que o café vira tema de pesquisa. As respostas abaixo se baseiam no que a universidade divulgou sobre o estudo.

PERGUNTAS FREQUENTESFAQ

O descafeinado também mexe com as bactérias do intestino?

Sim. Na volta ao café, as mudanças rápidas nas bactérias não foram atribuídas à cafeína, segundo o resumo do artigo.

O estudo prova que o café previne doenças?

Não. O trabalho é pequeno e aponta associações e mecanismos possíveis, sem comprovar prevenção de doenças.

Quantas xícaras os participantes tomavam?

Os bebedores habituais consumiam de três a cinco xícaras por dia antes da pausa de duas semanas.

Se o assunto é café, a borra que sobra no coador também tem uso em casa. A Tupi contou a experiência de um morador com ela nos vasos de plantas.