Em 2024, um cavalo ficou dias ilhado em cima do telhado de uma casa durante a enchente no Rio Grande do Sul, e o resgate transmitido ao vivo comoveu o Brasil - Super Rádio Tupi
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Em 2024, um cavalo ficou dias ilhado em cima do telhado de uma casa durante a enchente no Rio Grande do Sul, e o resgate transmitido ao vivo comoveu o Brasil

Animal resgatado em maio de 2024 tinha sinais de maus-tratos, foi adotado pela Ulbra e hoje vive na fazenda-escola da universidade em Canoas

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Caramelo passou cerca de cinco dias ilhado em um telhado em Canoas e foi resgatado em 9 de maio de 2024
Caramelo passou cerca de cinco dias ilhado em um telhado em Canoas e foi resgatado em 9 de maio de 2024 - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O cavalo Caramelo virou símbolo das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 depois de passar cerca de cinco dias sobre o telhado de zinco de uma casa em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Cercado pela água, ele foi visto por todo o país em imagens que mobilizaram equipes de resgate, voluntários e milhões de pessoas nas redes. O salvamento aconteceu em 9 de maio daquele ano.

Como o cavalo Caramelo foi resgatado do telhado em Canoas?

O animal foi sedado ainda em cima do telhado, levado de barco e depois transportado num caminhão do Exército até o Hospital Veterinário da universidade, em Canoas. O roteiro da operação está descrito pela própria Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), que acompanhou o caso desde a chegada do cavalo.

A operação aconteceu num dos piores momentos da tragédia gaúcha, com bairros inteiros debaixo d’água. O resgate de animais virou uma frente paralela ao salvamento de pessoas, com barcos percorrendo ruas alagadas atrás de bichos ilhados.

No hospital da universidade, o Caramelo não estava sozinho. Segundo a Ulbra, cerca de 1.500 animais, entre cães, gatos e cavalos, foram atendidos ali durante a cheia.

O que os veterinários descobriram ao examinar o Caramelo?

Os veterinários encontraram um cavalo desidratado, exausto pelo jejum prolongado, com pequenas lesões na pele e desnutrição severa. A arcada dentária indicou idade entre 6 e 8 anos, mas o corpo não tinha o desenvolvimento esperado para essa fase.

Após o resgate, os veterinários identificaram desidratação, lesões na pele e desnutrição severa
Após o resgate, os veterinários identificaram desidratação, lesões na pele e desnutrição severa – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Para o coordenador do curso de Medicina Veterinária, Jean Soares, os sinais apontavam uma desnutrição antiga, anterior à enchente. Marcas de cordas e arreios na cabeça e no corpo sugeriam que o animal passava longos períodos amarrado, provavelmente puxando carroça.

Esse histórico pesou na decisão de não devolver o cavalo ao antigo tutor. Maus-tratos a animais são crime previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), com pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Onde o cavalo símbolo das enchentes no RS vive hoje?

O Caramelo vive na fazenda-escola da Ulbra, em Canoas, ao lado de outros animais de grande porte. A adoção foi oficializada em 6 de dezembro de 2024, por meio de um termo assinado com a Secretaria do Bem-Estar Animal da cidade.

Recuperado, o animal ganhou mais de 50 quilos, chegou a cerca de 400 quilos e não precisa mais de suplementos. Ele também foi vacinado contra tétano, influenza e encefalomielite equina, passou por tratamento dentário e recebeu um microchip de identificação.

Adotado pela Ulbra, Caramelo ganhou mais de 50 quilos e passou a viver na fazenda-escola em Canoas
Adotado pela Ulbra, Caramelo ganhou mais de 50 quilos e passou a viver na fazenda-escola em Canoas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A universidade planeja construir um santuário onde o cavalo gaúcho possa passar a velhice com tranquilidade. Para isso, a instituição procura parceiros que ajudem a tirar o projeto do papel.

A ULBRA TV, canal oficial da universidade no YouTube, também tratou do novo capítulo dessa história. A reportagem do programa Ulbra Notícias aborda a adoção oficial do cavalo que comoveu o país.

Histórias de cavalos que encontram um refúgio seguro também têm capítulos fora do Brasil. Numa ilha isolada do Atlântico, descendentes de animais deixados lá no século 18 seguem soltos até hoje.

O que o caso Caramelo ensina sobre animais em enchentes?

A história mostra que os animais precisam entrar nos planos de emergência das famílias e das cidades. Cães, gatos e cavalos dependem dos donos para deixar áreas de risco, e muitos ficam presos quando a água sobe rápido.

No Rio, temporais também alagam ruas da capital e da Baixada Fluminense. Em alerta de chuva forte, pense no seu bicho junto com a família e siga as orientações da Defesa Civil. E você, já tem um plano para proteger seus animais quando o tempo fechar? Compartilhe a história do Caramelo com quem também se emocionou com ele.

Quem convive com cavalos sabe que alguns sinais ajudam a evitar acidentes. Um detalhe colorido preso ao rabo do animal, por exemplo, serve de alerta para quem chega perto.