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Flávio Bolsonaro contesta resultado e pede “anulação” da eleição; vídeo

Apesar de contestar a prorrogação da votação, senador teve a própria campanha entre as que solicitaram a medida ao TSE; equipe de Lula também fez o pedido

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Apesar de contestar a prorrogação da votação, senador teve a própria campanha entre as que solicitaram a medida ao TSE. Foto: Reprodução/TV Globo

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rejeitou o resultado das eleições deste domingo (25) e anunciou que vai pedir a anulação do pleito após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conquistou seu quarto mandato como presidente da República.

A declaração veio depois de o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogar por duas horas o horário de encerramento da votação. “Um ministro da Suprema Corte, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo”, disse Flávio, que classificou a decisão como “inaceitável” e afirmou que isso “nunca tinha acontecido na história do Brasil”.

Equipe de Bolsonaro também pediu prorrogação

Pelas regras eleitorais, o segundo turno começou às 8h e tinha encerramento previsto para as 17h, pelo horário de Brasília. Neste domingo (25), as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação da votação até as 19h. Os pedidos apontaram problemas no transporte público e impactos das condições climáticas em municípios brasileiros.

A coligação de Lula alegou que a redução da oferta de ônibus em diferentes cidades prejudicou o acesso aos locais de votação. O pedido da campanha de Flávio Bolsonaro abrangeu Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde chuvas, alagamentos e falta de energia teriam dificultado o deslocamento dos eleitores.

Por que Flávio contesta o resultado?

O senador argumentou que a prorrogação criou desigualdade entre os eleitores. “Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados”, afirmou. Ele disse ainda que nunca saberá quantos votos poderia ter obtido nos locais onde as urnas não foram reabertas.

Flávio também citou declarações de ministros publicadas pela imprensa para reforçar sua posição. “Nas palavras de algum ministro aí, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram”, disse. Por isso, concluiu, “é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.”

O que diz a PGR sobre o processo eleitoral?

Enquanto Flávio contestava o pleito, a Procuradoria-Geral da República (PGR) reconheceu o processo eleitoral. O procurador-geral Paulo Gonet Branco afirmou que o Ministério Público cumpriu sua missão de fiscalizar o processo e combater irregularidades.

“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre”, disse Gonet, que acumula a função de procurador-geral eleitoral.

Quem ganhou as eleições?

Lula venceu Flávio Bolsonaro com 51,74% dos votos válidos contra 48,26%, segundo o TSE, quando 97% das urnas já tinham sido apuradas, às 21h08. A vitória fez do petista o primeiro presidente da história do Brasil eleito quatro vezes pelo voto popular — feito que ocorre às vésperas de ele completar 81 anos, na próxima terça-feira (27).

A campanha do PT promoveu uma forte mobilização nas ruas e nas redes sociais para reverter a desvantagem do primeiro turno, quando Lula ficou atrás de Flávio por 45% a 47% dos votos válidos.

No novo mandato, Lula terá de lidar com uma oposição forte no Congresso e com o desafio de equilibrar as contas públicas após ampliar benefícios durante a campanha e prometer reforçar programas sociais. A vitória consolida o petista como o principal nome da política brasileira no século 21, após uma trajetória que inclui três derrotas presidenciais, condenações anuladas pelo STF e 580 dias de prisão antes de voltar à disputa eleitoral.