Frase de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas: “Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, o que ela quer da gente é coragem.” Uma reflexão sobre atravessar as fases difíceis da vida - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Frase de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas: “Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, o que ela quer da gente é coragem.” Uma reflexão sobre atravessar as fases difíceis da vida

Trecho dito por Riobaldo no romance de 1956 resume a ideia de que a vida oscila e pede firmeza de quem está passando por um momento de aperto

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz da coragem uma resposta às mudanças da vida
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz da coragem uma resposta às mudanças da vida - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Poucas frases da literatura brasileira são tão lembradas em tempos de aperto quanto esta: “esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, o que ela quer da gente é coragem”. Ela está em Grande Sertão: Veredas, romance de Guimarães Rosa lançado em 1956. Quem diz a frase é Riobaldo, o ex-jagunço que conta a própria vida. Setenta anos depois, o trecho ainda é lido como conselho para quem passa por uma fase difícil.

De onde vem a frase de Guimarães Rosa sobre a coragem?

A frase vem de uma fala de Riobaldo, narrador do romance, que relembra sua trajetória pelo sertão diante de um ouvinte que não responde. A passagem completa aparece no livro, em edição da editora atual da obra. O texto diz: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

Repare que o sujeito da frase é “ela”, a vida, citada logo antes. Fora do contexto, circula muito a versão “o que a vida quer da gente é coragem”, que perde o fôlego do original. No livro, a coragem vem depois de uma constatação simples: nada fica parado, nem o bom nem o ruim.

Riobaldo é quem diz a frase sobre coragem ao relembrar sua trajetória pelo sertão
Riobaldo é quem diz a frase sobre coragem ao relembrar sua trajetória pelo sertão – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem foi Guimarães Rosa, o autor de Grande Sertão: Veredas?

João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, Minas Gerais, e foi médico e diplomata. Segundo a Academia Brasileira de Letras, ele estreou em livro com os contos de Sagarana, em 1946. Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile saíram dez anos depois.

A história do escritor tem um capítulo carioca, e triste. Eleito para a Cadeira 2 da Academia em 1963, o mineiro só tomou posse em 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois, no Rio de Janeiro, no auge do reconhecimento.

A Super Rádio Tupi já falou de outro mestre das nossas letras e do jeito dele de encarar os problemas. A reflexão de Ariano Suassuna conversa bem com a coragem de Riobaldo.

Como a fala de Riobaldo ajuda a atravessar as fases difíceis?

A fala ajuda porque troca a promessa de dias sempre bons por algo mais honesto: a vida oscila, e isso não é culpa de ninguém. Riobaldo não fala em vencer o sertão nem em controlar o destino. Ele fala em seguir em frente, mesmo sem garantia.

Ler um trecho por dia é uma forma de se aproximar da linguagem de Grande Sertão: Veredas
Ler um trecho por dia é uma forma de se aproximar da linguagem de Grande Sertão: Veredas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Na prática, a ideia serve para quem perdeu o emprego, cuida de alguém doente na família ou encara todo dia o trajeto pesado entre a Baixada e o Centro do Rio. O aperto de hoje não é definitivo, e o alívio de amanhã também não. Coragem, nesse sentido, é continuar andando quando o caminho muda de temperatura.

O romance reforça essa leitura em outra frase famosa, destacada pela editora: “Sertão: é dentro da gente.” O sertão de Guimarães Rosa é lugar no mapa e também estado de espírito. Por isso as travessias do narrador parecem as de qualquer leitor.

Por que Grande Sertão: Veredas ainda fala com o leitor de hoje?

O livro continua atual porque trata de medo, amor, culpa e dúvida, temas que não dependem de época nem de lugar. A linguagem cheia de invenções de Guimarães Rosa estranha no começo, mas recompensa quem insiste. Em 2026, a obra completou 70 anos como um dos pilares da literatura brasileira.

Se a sua fase anda apertada, experimente abrir o livro sem pressa e ler um trecho por dia, deixando a voz de Riobaldo fazer companhia. E quando a vida esfriar de novo, lembre que ela também esquenta. Escolha hoje um pequeno passo corajoso e dê esse passo por você.

O que mais vale saber sobre a frase de Riobaldo?

Algumas dúvidas aparecem sempre que o trecho é compartilhado, e as respostas ajudam a citar a frase do jeito certo.

PERGUNTAS FREQUENTESFAQ

A frase é do autor ou do personagem?

É uma fala de Riobaldo, o narrador criado por Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas.

Quando o romance foi publicado?

Em 1956, o mesmo ano de Corpo de Baile, segundo a Academia Brasileira de Letras.

Quem é o “ela” da frase?

É a vida, citada logo antes no mesmo trecho: “a vida é assim”.

Se a reflexão sobre livros que mexem com a gente te interessa, tem mais no site. Kafka também escreveu sobre isso.