Em 1930, o governo brasileiro pediu à Nestlé uma solução para os estoques de café que não paravam de crescer, e oito anos depois a empresa suíça lançou o Nescafé, que conquistou o mundo - Super Rádio Tupi
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Em 1930, o governo brasileiro pediu à Nestlé uma solução para os estoques de café que não paravam de crescer, e oito anos depois a empresa suíça lançou o Nescafé, que conquistou o mundo

Pedido feito no auge da crise de superprodução levou o químico Max Morgenthaler a criar um café em pó capaz de preservar sabor e aroma

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O Nescafé nasceu em 1938 do trabalho do químico Max Morgenthaler para dar destino ao excedente de café brasileiro
O Nescafé nasceu em 1938 do trabalho do químico Max Morgenthaler para dar destino ao excedente de café brasileiro - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A história parece improvável, mas está no registro oficial da Nestlé. No começo dos anos 1930, o governo brasileiro pediu ajuda à empresa suíça para dar destino ao café que se acumulava nos armazéns do país. A resposta veio em 1938 com o Nescafé, um pó de extrato puro de café que se dissolve na água quente. Para o Brasil, maior produtor do grão, a novidade nasceu de um problema bem concreto: café demais e comprador de menos.

Por que o Brasil tinha tanto café sobrando depois de 1929?

Porque a Crise de 1929 derrubou consumo e preços enquanto os armazéns brasileiros continuavam cheios. Segundo o Museu Nacional Suíço, o governo brasileiro estocava café havia anos. Depois do colapso da Bolsa de Nova York, esses estoques perderam quase todo o valor.

O quadro chegou ao extremo. O museu relata que grãos foram queimados como combustível em locomotivas e que o Brasil destruiu 52 milhões de sacas. No mesmo período, o preço no mercado mundial caiu pela metade. Para um país que vivia da exportação do grão, a crise de 1929 pegou em cheio fazendeiros e trabalhadores do campo e dos portos.

Como a Nestlé transformou o excesso de café em pó solúvel?

A empresa apostou na pesquisa de um café solúvel que mantivesse o sabor e o aroma da bebida. O histórico oficial da Nestlé credita a criação ao químico Max Morgenthaler. O mesmo texto registra que o pedido partiu do governo brasileiro, em busca de uma saída para o enorme excedente.

Após a Crise de 1929, armazéns brasileiros ficaram lotados e o país destruiu 52 milhões de sacas de café
Após a Crise de 1929, armazéns brasileiros ficaram lotados e o país destruiu 52 milhões de sacas de café – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O caminho foi longo. Morgenthaler, formado na Universidade de Berna, chegou à fábrica de Vevey justamente em 1929. A direção da Nestlé chegou a encerrar o projeto, mas o químico continuou os testes por conta própria até chegar à fórmula.

As datas explicam por que a resposta demorou quase uma década. O quadro abaixo reúne as etapas descritas pelo Museu Nacional Suíço e pela empresa.

Do excedente ao póLINHA DO TEMPO
Etapas da criação do café solúvel da Nestlé
Ano O que aconteceu
1932 Direção encarrega Morgenthaler de criar o extrato solúvel
1935 Empresa encerra o projeto, e o químico segue pesquisando em casa
1937 Solução é apresentada à diretoria em abril
1938 Lançamento do Nescafé e patente de fabricação em 31 de dezembro

O nome tem origem simples: junta o começo de Nestlé com a palavra café. O produto chegou primeiro às prateleiras da Suíça e, em pouco tempo, começou a cruzar fronteiras.

Quem gosta do universo do café também encontra programação dedicada à bebida aqui no Rio. Esta matéria mostra um festival com oficinas e palestras sobre o grão.

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Como o Nescafé ganhou o mundo durante a Segunda Guerra?

A guerra, iniciada em 1939, freou a expansão global do Nescafé, mas aumentou a procura em alguns mercados. O Museu Nacional Suíço conta que as vendas cresceram no Reino Unido e na Suíça. Por lá, famílias guardavam latas como reserva nos abrigos antiaéreos.

Na Segunda Guerra, a praticidade do café solúvel fez as vendas crescerem e o produto chegou a soldados e civis
Na Segunda Guerra, a praticidade do café solúvel fez as vendas crescerem e o produto chegou a soldados e civis – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Nos Estados Unidos, o governo classificou o produto como vital para o esforço de guerra em 1942. Em 1945, o café solúvel seguiu nos pacotes de ajuda enviados a civis da Europa Ocidental e do Japão. A praticidade de dissolver o pó na água quente conquistou soldados e famílias.

O que a história do Nescafé ensina sobre o café brasileiro?

A trajetória mostra como uma crise de superprodução no Brasil ajudou a mudar o jeito de tomar café no planeta. O excedente que virava fumaça nos anos 1930 empurrou a indústria a conservar o grão por mais tempo. O café solúvel foi a resposta que vingou.

Quase noventa anos depois, a bebida continua na rotina de muita gente, da copa do escritório à garrafa térmica da obra. Na próxima xícara, lembre dessa história e conte pra gente nas redes da Tupi: você é do time do coado ou do solúvel?

Se a vontade agora é viajar pela história e pela natureza, tem outra leitura esperando por você aqui no site.