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Fundada há mais de 150 anos, a “Cidade Azul” cresceu às margens de um rio que inspirou seu nome e seu apelido
O rio que reflete o céu e corta o coração desta cidade catarinense.
O nome de Tubarão parece anunciar uma cidade marcada pela presença de um grande predador, mas a história por trás dele segue outro caminho. No sul de Santa Catarina, a denominação nasceu de uma expressão indígena ligada a um cacique e ao rio que atravessa o município. Décadas depois, a cidade também ganhou um apelido inspirado nas cores da paisagem.
O que explica os nomes Tubarão e Cidade Azul?
A explicação começa muito antes da formação do município. De acordo com a Prefeitura de Tubarão, o termo Tuba-Nharõ, de origem tupi-guarani, significa pai feroz e está relacionado ao cacique que recebeu esse nome. Os primeiros habitantes também utilizavam a expressão para identificar o rio da região, que posteriormente deu nome à cidade. A referência indígena, portanto, não tem ligação com o animal marinho.
Já a expressão Cidade Azul surgiu da maneira como um observador enxergou a paisagem local. O escritor e jornalista catarinense Virgílio Várzea associou o município ao azul do céu refletido no rio e às montanhas que cercam a região. A cidade conquistou sua emancipação de Laguna em 1870 e, com o passar do tempo, deixou de ser apenas uma parada para tropeiros: a chegada da ferrovia transformou Tubarão em um importante ponto de conexão para o escoamento do carvão produzido no sul catarinense.

Quais lugares conhecer em Tubarão?
A visita à Cidade Azul pode passar pela história da ferrovia que transportava o carvão catarinense, por espaços culturais no centro e por balneários de águas quentes nos arredores. Estes são alguns dos pontos que ajudam a conhecer diferentes aspectos do município e da região:
- Museu Ferroviário: reúne um acervo relacionado à Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina, construída para escoar a produção de carvão do sul catarinense.
- Museu Willy Zumblick: espaço cultural municipal que também abriga a Biblioteca Pública Olavo Bilac.
- Casa da Cidade: mantém atividades culturais em um imóvel localizado no centro comercial do município.
- Monumento da Praça Orlando Francalacci: permite observar as marcas dos níveis alcançados pela água em 1974 e foi restaurado com base em levantamento topográfico.
- Águas termais: hotéis e balneários da região aproveitam as fontes quentes, com destaque também para o município vizinho de Gravatal.
Como é o clima de Tubarão ao longo do ano?
A cidade não tem estação seca, e é justamente isso que explica parte do risco. A chuva se distribui pelos doze meses, entre 80 mm em julho e 137 mm em janeiro, e o que muda de verdade é a temperatura, veja abaixo como o ano se comporta:
Médias climatológicas de 30 anos publicadas pelo Climatempo. As condições variam de um ano para o outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade que aprendeu a medir a própria água
O rio que deu nome, apelido e economia à cidade é o mesmo que quase a apagou do mapa em uma noite de março. Meio século depois, a resposta local não foi esquecer, e sim transformar a data em lei, o nível da água em monumento e a prevenção em pauta permanente de câmara municipal. Comparação parecida vale para a vila do meio-oeste catarinense, que também construiu identidade a partir de um episódio fundador.
Entre o significado do nome indígena e as placas que marcam até onde a água chegou, Tubarão guarda um registro raro no urbanismo brasileiro: uma cidade que decidiu não apagar a marca do próprio desastre.