No meio do deserto do Saara existe uma formação de círculos com cerca de 40 quilômetros de diâmetro tão perfeita que astronautas a usavam como referência no espaço, e por décadas os cientistas acharam que era a cratera de um meteoro - Super Rádio Tupi
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No meio do deserto do Saara existe uma formação de círculos com cerca de 40 quilômetros de diâmetro tão perfeita que astronautas a usavam como referência no espaço, e por décadas os cientistas acharam que era a cratera de um meteoro

Formação de cerca de 40 km na Mauritânia é um domo geológico moldado pela erosão, e não o rastro de um meteoro, segundo NASA e ESA

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Com cerca de 40 quilômetros de diâmetro, a Estrutura de Richat virou referência para astronautas no Saara
Com cerca de 40 quilômetros de diâmetro, a Estrutura de Richat virou referência para astronautas no Saara - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

No meio do deserto do Saara, na Mauritânia, existe um alvo de pedra tão grande que só aparece por inteiro quando é visto lá de cima. A Estrutura de Richat, conhecida como olho do Saara, tem cerca de 40 quilômetros de diâmetro e virou ponto de referência para astronautas. Por muito tempo, ela foi vista como uma cratera de impacto. Hoje a ciência sabe que a origem dela veio de dentro da Terra, e não do céu.

Onde fica a Estrutura de Richat e qual é o tamanho dela?

A Estrutura de Richat fica no Planalto de Adrar, no norte da Mauritânia, e mede cerca de 40 quilômetros de largura, segundo o NASA Earth Observatory. Vista do alto, parece um alvo de tiro, com anéis de rocha um dentro do outro e cercados por dunas.

Os primeiros a descrever a formação foram geógrafos franceses, nos anos 1930. Eles a chamaram de “casa de botão” de Richat, por causa do formato. Do chão, porém, quem caminha pelo lugar vê apenas cristas e vales, sem perceber o desenho completo.

As cores também ajudam a contar essa história. Os tons laranja e cinza mostram a diferença entre rochas sedimentares, formadas por camadas de sedimentos, e rochas ígneas, que nascem do magma resfriado.

Do solo, as cristas e os vales de Richat não revelam o desenho circular completo
Do solo, as cristas e os vales de Richat não revelam o desenho circular completo – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por que astronautas usavam o olho do Saara para se orientar?

Os astronautas usavam a formação porque o desenho circular é inconfundível visto da órbita, numa região do deserto com poucas referências. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), a estrutura é mais fácil de enxergar do espaço do que do solo. Ela serve de marco para quem está em órbita desde as primeiras missões.

A fama mundial veio com a missão Gemini IV, em junho de 1965. Os astronautas americanos Ed White e James McDivitt fotografaram a formação durante o voo. Segundo a NASA, essas fotos ajudaram a espalhar pelo mundo o apelido de olho do Saara.

Outras missões espaciais também levaram experimentos curiosos para fora do planeta. Um deles reuniu milhões de sementes e estudantes de vários países.

Por que a teoria da cratera de impacto foi descartada?

A teoria caiu porque os estudos geológicos não encontraram sinais de um choque vindo do espaço. No começo, a ideia de uma cratera de impacto fazia sentido, já que meteoros grandes costumam deixar marcas redondas na superfície da Terra.

As pesquisas mostraram outra coisa. A Estrutura de Richat é um domo geológico, uma espécie de bolha de rocha empurrada para cima por magma que se acumulou no subsolo, explica a NASA. A ESA descreve o mesmo processo: o domo subiu e depois foi moldado pelo vento e pela água.

A erosão esculpiu os anéis de Richat, preservando cristas de quartzito mais resistentes ao desgaste
A erosão esculpiu os anéis de Richat, preservando cristas de quartzito mais resistentes ao desgaste – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A erosão completou o trabalho ao longo do tempo. Os anéis mais altos são de quartzito, uma rocha dura que resiste ao desgaste. Já os vales entre eles se formaram em rochas mais macias. Essas cristas circulares recebem o nome de cuestas.

O que o olho do Saara ainda revela sobre a Terra?

O olho do Saara mostra que nem toda marca circular no planeta tem origem cósmica. A Estrutura de Richat virou um exemplo clássico de hipótese aceita por anos que mudou quando os geólogos foram a campo e analisaram as rochas.

Em abril de 2026, a NASA voltou ao assunto com um mosaico de imagens dos satélites Landsat 8 e Landsat 9, feitas em março. O registro mostra de novo os anéis cercados pelas dunas da Mauritânia e explica por que a formação continua chamando a atenção de quem observa a Terra lá de cima.

Da próxima vez que abrir um mapa de satélite no celular, procure o noroeste da África e tente achar esse alvo no meio da areia. É um passeio de graça, feito do sofá, que mostra como o nosso planeta guarda surpresas que só a ciência consegue explicar.

Se você gosta de conhecer lugares fora do comum, a próxima leitura troca o deserto africano pelo litoral brasileiro.