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Bolsonaro, Lula, Dilma, Temer e FHC: entenda os principais escândalos dos últimos 5 presidentes do Brasil
Entenda quais foram os principais escândalos dos últimos cinco presidentes do Brasil, o que aconteceu em cada caso e quais foram os desfechos na Justiça
Cansado das “fake news” na internet? Entenda quais foram os principais escândalos e as polêmicas dos últimos cinco governos presidenciais do Brasil. A seguir, entenda os principais escândalos envolvendo Fernando Henrique Cardoso (FHC), Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer e Dilma Rousseff.
De suspeitas de irregularidades na política a denúncias de corrupção e condenações por crimes contra a democracia, relembre os principais episódios que marcaram os últimos cinco governos presidenciais do Brasil e provocaram debates políticos e jurídicos no país.
Presidentes do Brasil: veja por gravidade das polêmicas e desfechos judiciais
| Presidente e período | Polêmica | Condenação ou desfecho final |
|---|---|---|
| Jair Bolsonaro (2019–2022) | Após perder a eleição de 2022, foi investigado por participação em trama para impedir a posse de Lula. As investigações também apontaram um suposto plano para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. | Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF o condenou a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, entre eles organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A defesa recorre; ele cumpre pena em prisão domiciliar por razões de saúde. |
| Lula (2003–2010) | O Mensalão envolveu pagamentos a parlamentares e integrantes do governo. No caso do tríplex do Guarujá, Lula foi acusado de receber vantagens indevidas, embora o imóvel não estivesse registrado em seu nome. | Lula não foi condenado no Mensalão. As condenações nos casos do tríplex e do sítio de Atibaia foram anuladas pelo STF em 2021 por incompetência da Justiça Federal de Curitiba; a decisão não julgou o mérito das acusações. |
| Michel Temer (2016–2018) | Foi denunciado por corrupção passiva após gravações de conversas com o empresário Joesley Batista, da JBS. | A Câmara dos Deputados rejeitou a autorização para prosseguimento da denúncia durante o mandato. Não houve condenação criminal no período presidencial. |
| FHC (1995–2002) | Enfrentou acusações de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. Também enfrentou a crise de abastecimento de energia de 2001, que não constitui crime. | Não houve condenação judicial de FHC pela suposta compra de votos. |
| Dilma Rousseff (2011–2016) | Foi acusada de crimes de responsabilidade relacionados às pedaladas fiscais. O período também teve crise internacional, com queda dos preços das commodities. | Sofreu impeachment em 2016 e perdeu o mandato, mas manteve os direitos políticos. O impeachment não foi condenação criminal. |
| Lula (2023–2026) | Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi citado em investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo empresas, o INSS e órgãos públicos. | Lulinha nega irregularidades e não foi condenado. Lula declarou que não se opõe à investigação e defendeu a apuração dos fatos; suspeitas investigadas não equivalem a culpa ou condenação. |
FHC: entendendo as denúncias de compras de votos de parlamentares e crise do apagão

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002), uma das principais controvérsias foi a denúncia de compra de votos de parlamentares para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos. Em 1997, reportagens e declarações posteriores de delatores apontaram supostos pagamentos a deputados em troca de apoio à emenda. O caso, porém, nunca resultou em denúncia formal da Procuradoria-Geral da República nem em condenação judicial de FHC; portanto, trata-se de acusação não comprovada judicialmente, e não de um desfecho criminal.
Outra crise marcante foi o apagão de 2001, quando o país enfrentou dificuldades no abastecimento de energia elétrica e precisou adotar medidas de racionamento. A situação expôs problemas de planejamento e investimento no setor elétrico; a falta de chuvas nos reservatórios também contribuiu para a crise.
Bolsonaro: entendendo a desinformação na pandemia e prisão por tentativa de golpe de Estado

A maior controvérsia do governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) veio após a eleição de Lula em 2022, quando acabou o mandato. Bolsonaro questionou, sem apresentar provas capazes de sustentar suas alegações, a confiabilidade do sistema eleitoral e foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Segundo a investigação da Polícia Federal, o plano buscava impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder. As investigações também identificaram o documento conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Lula e do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, além da prisão e execução do ministro Alexandre de Moraes.
O governo foi marcado pela condução controversa da pandemia de Covid-19. O presidente minimizou repetidamente a gravidade da doença, questionou medidas de prevenção e promoveu medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Também houve críticas à condução das negociações para a compra de vacinas, considerada demorada frente a outros países.
Em janeiro de 2021, Manaus enfrentou uma crise de falta de oxigênio hospitalar. A CPI da Pandemia no Senado Federal investigou a atuação do governo federal, as negociações para a compra de vacinas e a promoção de tratamentos sem respaldo científico. O relatório final recomendou o indiciamento de Bolsonaro e outras pessoas, mas isso não equivale a uma condenação judicial.
Na educação, bloqueios de recursos provocaram protestos de estudantes e professores, especialmente em 2019. A reforma da Previdência de 2019 estabeleceu idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens na regra geral do Regime Geral de Previdência Social, além de alterar as regras de acesso aos benefícios. Apesar dos protestos, a medida foi defendida por alguns economistas como útil para equilibrar as contas públicas.
Lula: entendendo o mensalão e investigações da Lava Jato

Os governos de Lula foram marcados por diferentes desgastes políticos, entre eles o Mensalão, esquema de pagamentos a parlamentares que resultou em condenações de políticos. O caso levou à condenação de políticos, dirigentes partidários e empresários, mas Lula não foi condenado nesse julgamento. O julgamento da Ação Penal 470 pode ser consultado no portal oficial do Supremo Tribunal Federal.
Anos depois, a Operação Lava Jato investigou desvios de recursos e pagamentos de propina envolvendo contratos da Petrobras e empresas privadas. Lula foi condenado em processos relacionados ao triplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia, sob a acusação de receber vantagens indevidas ligadas aos imóveis.
O triplex não estava registrado em nome de Lula, e a acusação sustentava que ele seria o beneficiário do apartamento. Em 2021, a Corte anulou as condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos. No processo do triplex, o STF também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro. A decisão pode ser consultada no portal do Supremo.
Temer: entendendo a gravação com Joesley Batista e denúncias de corrupção

Michel Temer assumiu a Presidência após o impeachment de Dilma e enfrentou forte desgaste político. Em 2017, uma gravação de conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS, tornou-se uma das maiores polêmicas de seu governo. Segundo a transcrição divulgada, Temer respondeu “tem que manter isso” ao ouvir o empresário falar sobre pagamentos para manter o ex-deputado Eduardo Cunha em silêncio. Ele nega a interpretação e a qualidade da gravação foi contestada.
O episódio levou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a apresentar uma denúncia contra Temer por corrupção passiva. A Agência Câmara de Notícias registrou a denúncia e a repercussão entre os parlamentares. A Câmara não autorizou que a denúncia fosse encaminhada ao STF para julgamento durante o mandato presidencial.
O governo também foi marcado pela aprovação da reforma trabalhista, que alterou regras da CLT, e pela Emenda Constitucional do Teto de Gastos, que limitou o crescimento das despesas federais. As medidas foram defendidas como necessárias para reorganizar as contas públicas, mas criticadas por seus possíveis impactos sobre direitos trabalhistas e o financiamento de políticas sociais.
Na educação, restrições orçamentárias e dificuldades de financiamento provocaram preocupações em universidades e institutos federais. A reforma do ensino médio também gerou resistência de setores da comunidade escolar.
Dilma: entendendo a recessão econômica e o impeachment

Após um primeiro mandato com resultados positivos, o segundo mandato de Dilma Rousseff (2015–2016) foi marcado por uma grave recessão. A crise foi muito influenciada por fatores externos.
No cenário internacional, a desaceleração da economia chinesa contribuiu para a queda dos preços de commodities, como minério de ferro e petróleo, importantes para as exportações brasileiras. Quando esses produtos ficam mais baratos, o país tende a receber menos pelas vendas ao exterior.
O PIB brasileiro caiu em 2015 e 2016, enquanto o desemprego aumentou e a crise política se intensificou. Segundo o IBGE, a economia recuou 3,8% em 2015 e 3,3% em 2016.
Dilma também sofreu impeachment em 2016, sob a acusação de cometer crime de responsabilidade por operações fiscais conhecidas como “pedaladas fiscais” e pela edição de decretos de créditos suplementares sem a autorização legislativa considerada necessária. O processo terminou com a perda do mandato, mas sem a cassação dos direitos políticos da ex-presidente. Os registros do julgamento estão disponíveis no Senado Federal.
O que concluir sobre qual foi o pior ou melhor governo?
As polêmicas políticas não contam toda a história de uma gestão, no entanto são importantes para entender a gravidade dos problemas de cada um. Inflação, crescimento econômico, pobreza e desigualdade também ajudam a compreender os resultados de cada período, embora sejam influenciados por decisões governamentais e fatores externos.
O correto é reunir os indicadores econômicos e sociais dos governos analisados, além dos escândalos, permitindo observar as mudanças ao longo do tempo sem reduzir a avaliação de cada presidente a um único episódio.