Carnaval

Grande Rio aposta em mensagem de combate à intolerância religiosa para ganhar o Carnaval

"Tatalondirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias" homenageia vida e obra de Joãozinho da Gomeia

Por Pedro Henrique Leite

Grande Rio quer respeito ao Axé. Foto: Reprodução Instagram

Em 2020, o Acadêmicos do Grande Rio apresentará, na Marquês de Sapucaí, o enredo “Tatalondirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que estreiam na agremiação e no Grupo Especial. A tricolor (vermelho, verde e branco) de Duque de Caxias é a quinta escola a desfilar no domingo de Carnaval, primeira noite de desfiles da elite da folia carioca.

Em entrevista à SUPER RÁDIO TUPI, no barracão da agremiação, na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio, Grabriel Haddad destacou a relevância do enredo com os crescentes números referentes à intolerância religiosa. Para ele, a temática tem por objetivo contar a história de Joãozinho da Gomeia, pai de santo e fundador de um dos mais tradicionais terreiros do município de Caxias, mas também fazer uma ponderação crítica aos preconceitos nas diferentes representações da fé:

“Nosso enredo é uma grande homenagem a Joãozinho da Gomeia, um dos maiores pais de santo que o Brasil já teve. Mas o enredo também representa um grande grito da comunidade de Caxias contra a intolerância religiosa. A gente quer impulsionar a comunidade a dar um grito contra a intolerância, contra o preconceito e todo tipo de agressão que as religiões afro têm sofrido. E no desfile, quem vai dar essa força é Iansã, que será representada na avenida”, conta Haddad.

De 2010 para cá, apenas em 2013 a Grande Rio apresentou uma temática mais “séria”. Naquele ano o enredo foi “Amo o Rio e vou à luta: ouro negro sem disputa… Contra a injustiça em defesa do Rio”, sobre o petróleo. Nos outros carnavais, a escola optou por temas mais leves, descontraídos e irreverentes. Como a homenagem a cidade de Santos, Maysa, Ivete Sangalo, Chacrinha e, no ano passado, “Quem nunca? Que atire a primeira pedra…”, uma sátira dos carnavalescos Márcia Lage e Renato Lage dos problemas do Brasil. Questionado sobre a mudança de perfil da tricolor, Gabriel Haddad revelou que o “novo” conceito partiu da diretoria:

“O interesse da escola quando procurou a gente era apresentar um Carnaval que olhasse para a sua própria comunidade. Foi um pedido da própria diretoria. O enredo fez parte da nossa negociação com a escola. Foram três reuniões para conversar sobre a possibilidade de fazer um enredo para a comunidade de Caxias. E não um enredo sem ligação com a escola. E isso é fundamental para um grande desfile”, disse.

Escultura de uma das alegorias da descola. Foto: TUPI

O carnavalesco também opinou sobre o excesso de enredos com temática de cunho religioso e africano. Para ele, a distinção do Carnaval de 2020 da Grande Rio para os demais é, principalmente, em razão da vida de Joãozinho da Gomeia:

“A vida de Joãozinho da Gomeia não era muito comum. Era uma vida muito turbulenta e ele mesmo transitava por várias áreas artísticas e do candomblé. Ele mesmo passou por candomblé de Keto, de Angola, de Caboclo. Só aí a gente tem três estéticas completamente diferentes. Cada uma com as suas especificidades”, analisou.

Gabriel Haddad contou, com detalhes, informações sobre o abre-alas, e também do setor de encerramento do desfile:

“Joãozinho da Gomeia deu um depoimento para uma filha de santo dizendo que dormia nas redes e nessas redes ele tinha as visões. Então, nosso abre-alas é todo tramado, todo de tramas, de redes, de fios. São mais de 5 mil metros de tricô, crochê. É através dessa trama que a gente desenvolve a abertura. E quando a gente entra no Candomblé, temos a referência de um outro tipo de estética. No último setor a gente esquenta a escola com o vermelho, o coral e o rosa. É o setor representando por Iansã. A gente termina o desfile quente para que a escola renasça nessa quentura das cores”, finalizou o carnavalesco.

 

 

Veja o clipe oficial da escola para o Carnaval 2020:

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