Rio
Mãe afirma que filha rompeu silêncio sobre agressões ao ver reportagem sobre o caso Henry Borel
Natasha de Oliveira revelou manipulação, perseguição e planos íntimos com Jairinho e a filhaO depoimento de Natasha de Oliveira Machado nesta quinta-feira (28), trouxe detalhes sobre como sua filha decidiu denunciar as agressões que sofria na infância. Segundo a testemunha, a revelação ocorreu quando a jovem assistia a uma reportagem sobre o caso Henry Borel na televisão, ao lado da avó, e identificou as semelhanças com o que havia vivido.
Natasha relatou que conheceu Jairo Sousa Santos Júnior durante atividades políticas do pai do ex-vereador. Na época, ela acreditava que ele era solteiro e não sabia da existência de outra família.
O relacionamento chegou a ter planos de casamento, com a intenção de que a filha vivesse com o casal em um ambiente de convivência frequente entre os três.

Relatos de perseguição e violência psicológica
Após o rompimento, a mãe de Kaylane afirma ter sido vítima de violência psicológica. Ela descreveu episódios em que o ex-parlamentar a observava escondido atrás de árvores e chegou a rasgar suas roupas. Natasha também citou o vazamento de uma foto íntima sua na vizinhança, atribuindo a ação ao réu.
Segundo a testemunha, o objetivo das intimidações era isolá-la socialmente para forçar uma reconciliação. Ele dizia que “ninguém iria assumi-la” e insistia que “ela precisava voltar para ele” como única saída. Com o fim do namoro, Natasha também interrompeu sua participação nas campanhas políticas da família de Jairinho.
Assistência psicológica e depoimento da filha
Sobre o estado de saúde da filha, Natasha explicou que a jovem nunca apresentou marcas físicas aparentes, mas lida com traumas internos. A moça está em acompanhamento psicológico há cerca de dois meses, retomando um tratamento que já havia durado seis meses logo após a primeira queixa formal contra o ex-vereador.
Kaylane Pereira, que hoje tem 18 anos, também prestou depoimento no tribunal. Em uma fala marcada pela emoção, ela relatou as agressões sofridas no período em que a mãe mantinha o relacionamento. A audiência integra o processo que apura a morte do menino Henry, ocorrida no Rio de Janeiro.