Rio
Traficantes do Rio pintam maritacas como papagaios para vender no mercado ilegal
Aves chegaram com asas cortadas e rosto amarelo para imitar papagaios; entenda como a compra de animais silvestres alimenta essa cadeia de maus-tratos
Três maritacas resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, na Baixada Fluminense, foram encontradas com o rosto pintado de amarelo para se parecerem com papagaios, uma espécie de maior valor no mercado ilegal. Os traficantes também cortaram parte das penas das asas e da cauda das aves.
Os animais recebem tratamento no Instituto Vida Livre, localizado no Horto, Zona Sul do Rio. Eles passam por exames veterinários e seguem sob monitoramento, sem previsão de retorno à natureza.
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Uma das aves chegou em estado mais grave, com cerca de 30 gramas abaixo do peso ideal. Por isso, foi isolada em um ambiente climatizado com aquecedor para auxiliar em sua recuperação.
Crueldade no comércio ilegal
As maritacas foram apreendidas na Feira de Caxias, em Duque de Caxias, um local com histórico de comércio ilegal e maus-tratos a animais. Especialistas avaliam que, por serem jovens e estarem debilitadas, as aves poderiam não ter sobrevivido se continuassem com os traficantes.
Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) revelam que cerca de 38 milhões de animais silvestres são capturados anualmente no Brasil. Desse total, nove em cada 10 morrem antes de chegar ao comprador final devido às condições de captura, transporte e armazenamento.
No Rio de Janeiro, a unidade do Ibama em Seropédica recebeu 7.409 animais apreendidos em 2025. Nos últimos 10 anos, o órgão contabilizou mais de 48 mil resgates de animais.
Enquanto as três maritacas se recuperam, outra ave atendida pelo Instituto Vida Livre está próxima de voltar à natureza. Ela foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros perto da Floresta da Tijuca, também com as asas cortadas e infestada por parasitas, mas não teve o corpo pintado.