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Ciência

3,6 % da população mundial convive com ansiedade, explica especialista

Neuropsicóloga explica como a relação entre ansiedade sono pode interferir e comprometer a qualidade do seu sono

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3,6 % da população mundial convive com ansiedade, explica especialista
3,6 % da população mundial convive com ansiedade, explica especialista

A ansiedade interfere na qualidade do sono, que, por sua vez, pode deixar quem sofre do problema ainda mais ansioso. Surgindo de formas, às vezes, imperceptíveis para a nossa consciência, a ansiedade pode deixar o sono mais leve ou agitado, fazendo com que ao acordar você tenha a sensação de que não descansou de verdade. ⁠A famosa e muito conhecida frase: a ansiedade não tem me deixado dormir! Você já deve ter usado muitas vezes, né? Mas não é só isso. A longo prazo, a ansiedade interfere na qualidade do sono gerando uma série de outros efeitos no corpo e, claro, no humor. Funciona como um ciclo: quanto menos você dorme por causa da ansiedade, mais ansiosa fica e menos consegue dormir. Contornar isso exige uma série de fatores – às vezes, até mesmo suporte emocional -, mas é possível.

A neuropsicóloga Aline Gomes destaca que os últimos anos não têm sido fáceis para os brasileiros. Entre uma pandemia, uma crise política e outra econômica, vamos combinar que “dormir bem” deixou de ser uma prioridade há algum tempo. Ainda assim, buscar boas noites de sono é importante, inclusive se você está passando por momentos de ansiedade.

Segundo a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), a pandemia de coronavírus desencadeou um aumento de 25% nos casos de ansiedade e depressão no mundo inteiro. Alguns estudos dizem também que 3,6% da população mundial convive com a ansiedade – o que torna uma das questões de saúde mental mais comuns do mundo.

“A relação entre o sono e a saúde mental caminham lado a lado. Dormir mal vai acentuar questões ruins da saúde emocional e a má saúde mental vai dificultar a indução e a qualidade do sono”, explica a neuropsicóloga Aline Gomes.

OS EFEITOS DA ANSIEDADE NO SONO

Dormir mal uma ou duas vezes por conta de uma ansiedade pontual – por exemplo, antes de uma apresentação importante de trabalho ou de uma viagem – é mais que compreensível. No entanto, a qualidade do sono começa a ser afetada quando a ansiedade se torna uma constante na vida de alguém, como é comum diante de problemas financeiros, por exemplo.

“Dormir mal traz uma série de malefícios em curto e longo prazo”, explica Aline. “Dentre os principais problemas que podem causar no futuro estão a hipertensão, maior risco de AVC, de infarto, mal de Alzheimer, obesidade, alguns tipos de câncer (como o de mama), diabetes, problemas hormonais, baixa imunidade e impacto na consolidação de memórias.

Ou seja, a curto prazo é possível perceber esses efeitos quando você se percebe esquecendo informações importantes com frequência, perdendo a paciência em situações que jamais tiraria você do sério em condições normais e facilitando o adoecimento.

No longo prazo, as noites mal-dormidas também pagam um preço alto, gerando quadros como os citados acima, muito mais difíceis de reverter do que ao cuidar da mente e do corpo no momento em que a ansiedade interfere no sono.

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DE ANSIEDADE PARA O BOM SONO

A maneira mais efetiva de evitar todos esses efeitos e garantir boas noites de sono é, antes de mais nada, entender se a hiperexcitação que que você está sentindo é algo pontual ou se tem se mostrado mais permanente. Utilizando mais uma vez os exemplos acima, uma coisa é você se sentir ansiosa diante de uma viagem de férias e perder uma noite de sono por causa disso. Outra completamente diferente é não encontrar uma motivação exata (ou ter muitas motivações diferentes) e sentir-se ansiosa o tempo inteiro.

Essa, basicamente, é a diferença entre a ansiedade pontual é um distúrbio de ansiedade – e, nesse caso, as noites de sono não são o único ponto afetado na vida de alguém, mas toda a sua rotina.

“Para estes casos de distúrbio é fundamental o diagnóstico e o tratamento adequados”, pontua Aline. É importante notar que apenas um profissional de saúde mental pode mapear esse quadro corretamente. Por isso, buscar um psicólogo ou psiquiatra em momentos de grande ansiedade é vital para evitar a bola de neve que pode ser desencadeada por essa condição.

Já para as situações mais ocasionais ou leves de ansiedade, a prática da higiene do sono, que é um conjunto de ações que ‘preparam’ o corpo e a mente para dormir, pode ser a solução”, recomenda a especialista em sono. “Crie o seu ritual, o que você sabe que vai te fazer bem. Inclua atividades relaxantes como meditação, ler um bom livro ou simplesmente ficar off do celular pelo menos duas horas antes de ir para cama. Ah, se puder deixe o aparelho fora do quarto”, explica Aline Gomes.

Aline Gomes, neuropsicóloga (Foto: Divulgação)

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