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Cavalo foge durante a madrugada e causa prejuízo de R$ 90 mil em carro na estrada, mas dono pode responder mesmo sem estar no local

Cavalo foge e destrói partes de um carro na estrada e proprietário descobre que uma cerca inadequada pode pesar na discussão sobre indenização

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Cavalo foge durante a madrugada e causa prejuízo de R$ 90 mil em carro na estrada, mas dono pode responder mesmo sem estar no local
A conduta do motorista também pode ser analisada, especialmente se houver indícios de que ele contribuiu para a colisão

Um cavalo que escapa de uma propriedade durante a madrugada e invade uma estrada pode provocar um acidente grave em poucos segundos. Se a colisão causar R$ 90 mil em prejuízos ao veículo, o fato de o proprietário do animal estar dormindo, viajando ou sequer saber da fuga não afasta automaticamente sua responsabilidade. No direito brasileiro, existe uma regra específica para danos provocados por animais, e a discussão costuma se concentrar na guarda do cavalo, nas circunstâncias do acidente e na existência de alguma causa capaz de excluir essa responsabilidade.

Por que o dono pode responder mesmo sem estar perto do cavalo?

O artigo 936 do Código Civil estabelece que o dono ou detentor de um animal deve ressarcir o dano causado por ele, salvo se conseguir demonstrar culpa da vítima ou força maior. Por isso, não é necessário que o proprietário esteja pessoalmente conduzindo o cavalo no momento do acidente para que possa surgir o dever de indenizar.

A lógica está relacionada à guarda do animal. Quem mantém um cavalo em sua propriedade assume também a responsabilidade de adotar medidas razoáveis para impedir que ele escape e coloque outras pessoas ou patrimônios em risco.

Uma cerca rompida durante a madrugada afasta automaticamente a responsabilidade?

Não. Será preciso descobrir por que a cerca falhou. Se estava deteriorada, possuía abertura conhecida ou era inadequada para conter o animal, a fuga pode reforçar a conclusão de que houve falha na guarda.

Alguns elementos podem ser importantes para reconstruir o ocorrido:

  • Estado da cerca antes do acidente;
  • Existência de porteiras abertas ou danificadas;
  • Histórico de fugas anteriores do cavalo;
  • Condições climáticas naquela madrugada;
  • Imagens de câmeras próximas à propriedade;
  • Boletim de ocorrência e registros feitos logo após a colisão.
Cavalo foge durante a madrugada e causa prejuízo de R$ 90 mil em carro na estrada, mas dono pode responder mesmo sem estar no local
A conduta do motorista também pode ser analisada, especialmente se houver indícios de que ele contribuiu para a colisão

E se alguma situação imprevisível tiver provocado a fuga?

O próprio Código Civil admite a possibilidade de afastar a responsabilidade quando houver força maior. Entretanto, não basta afirmar genericamente que o cavalo escapou inesperadamente. É necessário demonstrar uma circunstância extraordinária e relevante para explicar por que o animal saiu do local, apesar dos cuidados normalmente adotados.

Uma tempestade excepcional que derrube uma estrutura resistente, por exemplo, pode gerar uma discussão diferente daquela causada por uma cerca que já apresentava problemas. A análise depende das provas e das condições concretas existentes antes da fuga.

O motorista pode cobrar os R$ 90 mil integralmente?

O valor reclamado precisa corresponder aos prejuízos efetivamente demonstrados. Se a colisão destruiu partes importantes do veículo, o proprietário poderá reunir orçamentos, laudos, notas fiscais e outros documentos para comprovar quanto será necessário gastar com reparos ou qual foi a perda patrimonial.

Entre os danos materiais que podem entrar na discussão estão:

  • Conserto da lataria e da estrutura do automóvel;
  • Substituição de vidros, faróis e peças mecânicas;
  • Serviços de guincho e remoção;
  • Despesas diretamente relacionadas ao acidente;
  • Eventual perda total, quando tecnicamente caracterizada;
  • Outros prejuízos comprovadamente decorrentes da colisão.
Cavalo foge durante a madrugada e causa prejuízo de R$ 90 mil em carro na estrada, mas dono pode responder mesmo sem estar no local
A conduta do motorista também pode ser analisada, especialmente se houver indícios de que ele contribuiu para a colisão

E se o motorista também tiver contribuído para o acidente?

A conduta de quem dirigia também pode ser analisada. O artigo 936 menciona expressamente a culpa da vítima como uma das situações capazes de afastar a responsabilidade do dono ou detentor do animal. Dependendo do caso, também pode existir discussão sobre participação de ambos na produção do dano.

Velocidade incompatível, falta de atenção ou outras circunstâncias precisam ser comprovadas e relacionadas diretamente à colisão. A simples presença do cavalo na pista não impede a análise da maneira como o motorista conduzia o veículo, assim como uma eventual imprudência do condutor não elimina automaticamente uma falha evidente na guarda do animal.

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Por que uma fuga durante a madrugada pode terminar em uma indenização tão alta?

Um cavalo solto em uma estrada representa um obstáculo grande, pesado e muitas vezes difícil de perceber com antecedência, especialmente à noite. Quando ocorre uma colisão, o prejuízo pode envolver não apenas o automóvel, mas também despesas médicas, danos a terceiros e outras consequências que precisam ser avaliadas separadamente.

No caso de um carro com R$ 90 mil em danos, portanto, o proprietário do cavalo não se livra da discussão simplesmente porque não estava no local quando tudo aconteceu. A questão central será descobrir quem mantinha a guarda do animal, como ele conseguiu escapar e se existe alguma circunstância legal capaz de excluir ou reduzir a responsabilidade. Manter o cavalo dentro da propriedade não é apenas uma medida de cuidado com o próprio animal, mas também uma obrigação importante para evitar que uma fuga termine em acidente e prejuízo elevado.