Economia
Cliente envia PIX de R$ 50 mil por engano, recebedor gasta todo o dinheiro em compras no mesmo dia e acaba indiciado por apropriação indébita
Retenção e gasto de valores creditados por erro de digitação configuram crime de apropriação de coisa havida por erro e enriquecimento sem causa.
A retenção e o gasto consciente de quantias monetárias transferidas acidentalmente via PIX não configuram achado legítimo, mas conduta criminosa e enriquecimento sem causa. A Polícia Civil indiciou um correntista que gastou no mesmo dia R$ 50.000,00 recebidos por equívoco de chave digitada por um cliente.
Gastar transferência recebida por engano é crime no Brasil?
Sim. O Artigo 169 do Código Penal tipifica o crime de apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza, com pena de detenção de 1 mês a 1 ano ou multa. Receber um valor e utilizá-lo como se próprio fosse viola o dever legal de restituição.
A tecnologia bancária instantânea registra a titularidade da conta pagadora e a hora exata da transação. Negar a devolução após tomar ciência do equívoco consolida o dolo específico do tipo penal, sujeitando o infrator a processo criminal.

Qual a diferença entre apropriação de coisa havida por erro e estelionato?
Na apropriação por erro (Artigo 169 do CP), o recebedor não pratica nenhuma manobra fraudulenta para receber o dinheiro; o engano parte exclusivamente do pagador ao digitar a chave. O crime ocorre no momento posterior da recusa em devolver.
Já o estelionato (Artigo 171 do CP) exige que o fraudador induza ativamente a vítima a erro por meio de artimanhas. Em ambos os casos, a obrigação cível de devolução dos R$ 50.000,00 permanece incontroversa.
Para compreender os desdobramentos penais e civis da retenção indevida de valores, consulte o quadro a seguir:
Como o Código Civil combate o enriquecimento sem causa de R$ 50 mil?
O Artigo 884 do Código Civil estabelece que aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido. O correntista que gasta o dinheiro responde pela recomposição total do patrimônio da vítima.
A Justiça cível autoriza a expedição de ofícios ao Banco Central via Sisbajud e Renajud para penhorar carros, motos e saldos bancários do recebedor até atingir o montante integral de R$ 50.000,00.
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O que fazer imediatamente ao transferir um valor para a chave errada?
O pagador que comete o equívoco deve agir com agilidade para bloquear o saldo antes que o destinatário realize saques ou transferências em cadeia.
Para aumentar as chances de reaver a quantia transferida por engano, execute o protocolo imediato:
- ⏱️ Mecanismo Especial de Devolução (MED): Abra contestação imediata no aplicativo do seu banco informando o erro operacional.
- 📞 Tentativa de contato pacífica: Notifique o titular da conta recebedora solicitando o estorno via funcionalidade “Devolver”.
- 📝 Registro formal de Boletim de Ocorrência: Comunique a autoridade policial caso o recebedor se recuse a estornar a quantia.
O recebedor que gastou o dinheiro pode ter os bens penhorados?
Mesmo que o réu afirme não possuir mais o dinheiro na conta, a dívida não desaparece e atinge seu patrimônio pessoal. Esclareça os principais pontos a seguir.
📋 Perguntas Frequentes
Esclarecimentos sobre devolução de transferências PIX
A transferência bancária errônea não transfere a propriedade legítima do dinheiro. Gastar valores recebidos por engano gera responsabilização criminal e execução forçada de bens na esfera civil.