Economia
Inquilino é despejado após dono alegar moradia do filho, encontra o imóvel no Airbnb dias depois e Justiça condena proprietário a pagar R$ 15 mil
Retomar imóvel alegando moradia própria e colocá-lo no Airbnb configura desvio de finalidade e gera multa de até 24 aluguéis pela Lei do Inquilinato.
A retomada de imóvel locado sob o argumento de uso próprio de descendente exige veracidade absoluta no motivo invocado. O proprietário que simula a necessidade familiar para despejar o morador e anunciar a unidade no Airbnb comete fraude civil e é obrigado a pagar indenização de R$ 15.000,00.
O proprietário pediu o apartamento de volta para o filho morar, mas o ex-inquilino encontrou o anúncio por diárias no Airbnb 10 dias depois.
O que diz o Artigo 44 da Lei do Inquilinato sobre despejo fraudulento?
O Artigo 44, inciso II, da Lei nº 8.245/1991 (Lei do Inquilinato) classifica como crime de ação pública e infração civil a conduta do locador que pede o imóvel para uso próprio ou de parentes e não o ocupa no prazo de 60 dias, ou destina o bem a finalidade diversa.
A lei pune o desvio de finalidade porque o pedido de retomada para uso próprio é uma exceção legal que rompe a estabilidade do contrato de locação. Usar a justificativa para lucrar com diárias temporárias fere o princípio da boa-fé objetiva.

Quais sanções financeiras e penais a lei impõe ao proprietário infrator?
O locatário prejudicado tem direito a cobrar multa indenizatória equivalente a um valor entre 12 e 24 meses do valor do último aluguel atualizado, além de perdas e danos referentes aos custos de mudança forçada e corretagem de novo imóvel.
Para entender a diferença de tratamento legal entre a retomada legítima e a fraude locatícia, veja a comparação técnica a seguir:
| Situação da Retomada | Finalidade Real do Imóvel | Consequência Jurídica |
| Retomada Lícita | Moradia efetiva do locador ou filho | Isenção total de penalidades |
| Locação Comercial/Airbnb | Exploração lucrativa por temporada | Multa de 12 a 24 aluguéis (Art. 44) |
| Venda Imediata do Bem | Alienação antes de 1 ano de posse | Indenização por fraude ao direito de preferência |
Por que a locação no Airbnb descaracterizou a moradia familiar?
A exploração de imóveis por plataformas como o Airbnb possui natureza de hospedagem comercial transitória, incompatível com o conceito de residência habitual ou moradia familiar previsto na Lei do Inquilinato.
O Judiciário entende que o anúncio em plataformas digitais logo após a desocupação comprova o dolo prévio do locador em obter renda superior por diárias, conforme os parâmetros consolidados abaixo:
Como o inquilino reuniu provas digitais da fraude imobiliária?
A prova da fraude depende da comprovação do anúncio público do imóvel e da demonstração de que a moradia do filho nunca existiu. A ata notarial ou prints com código de reserva online possuem validade probatória em juízo.
Para estruturar a ação indenizatória contra o proprietário fraudulento, reúna os seguintes elementos materiais:
- 📸 Prints do anúncio no Airbnb: Capturas de tela mostrando fotos internas, endereço e valores de diárias ativas.
- 📝 Notificação original de despejo: Carta ou e-mail onde o dono exigiu a entrega das chaves para uso do filho.
- 📦 Notas fiscais de mudança: Comprovantes de gastos com frete e caução pagos para alugar novo imóvel.
O que fazer ao desconfiar de um pedido de retomada para uso próprio?
O locatário que recebe a notificação deve exigir formalmente a justificativa por escrito e acompanhar a destinação do imóvel nos 60 dias seguintes à desocupação.
Confira as respostas para as principais dúvidas sobre despejo para uso próprio a seguir:
📋 Perguntas Frequentes
Esclarecimentos sobre direitos do inquilino e locação
A simulação de necessidade familiar para retomar imóveis e lucrar com aluguel de temporada é fraude punida com rigor pela Lei do Inquilinato. A condenação a pagar R$ 15.000,00 restabelece o equilíbrio e ressarce os prejuízos do morador despejado.